Diretor do Flamengo crê que STJ “fará justiça”.

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Foto: Celso Meira

LANCE:
O Flamengo está otimista no julgamento do caso do Campeonato Brasileiro de
1987. Nesta terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar o
recurso do Rubro-Negro, que exige ser reconhecido campeão nacional daquele ano
na companhia do Sport. Por enquanto, a Justiça considera apenas o clube
pernambucano como vencedor daquela edição.

– O
Flamengo está confiante que a vitória nos campos também será traduzida em
vitória jurídica. Confia que o STF fará justiça – comentou Bernardo Accioly,
diretor jurídico do Flamengo.
Em
2014, o Sport foi declarado campeão nacional pelo STF. Na época, o ministro
Marco Aurélio Mello rejeitou a queixa dos cariocas. O mesmo magistrado é o
relator deste processo. Os ministros Luiz Fux, Rosa Weber e Alexandre de Moraes
ainda não votaram. O Flamengo será representado pelo advogado Rodrigo Fux.
Entenda o caso
A CBF EM CRISE E A CRIAÇÃO DA COPA UNIÃO
O
impasse que saiu das quatro linhas e chegou à esfera jurídica começou a se
desenhar em 1986. Sem condições financeiras e lidando com uma crise
administrativa, evidenciada pelas confusões do inchado Brasileirão do ano
anterior, a CBF (à época, presidida por Octávio Pinto Guimarães, tendo como
vice Nabi Abi Chedid) sinalizou que não tinha condições de organizar o
Campeonato Brasileiro de 1987.
Diante
deste panorama, os clubes tomaram a dianteira e organizaram a própria
competição nacional. Houve a criação do Clube dos 13 (tendo Flamengo,
Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio,
Internacional, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Bahia) e, com os convites a
Coritiba, Santa Cruz e Goiás, a Copa União ganhou forma. Inicialmente, a
competição teve o aval da CBF, e teria dois módulos (Verde e Amarelo), mas não
foi aceito o cruzamento na fase final para definir o campeão da temporada.
SUBIU DE VALOR? NÃO PARA TODOS!
A
competição mostrou-se rentável, especialmente pela transmissão exclusiva da Rede
Globo e por a Coca-Cola decidir patrocinar boa parte dos clubes (apenas
Flamengo, Palmeiras e Corinthians, que já tinham vínculo com outros
patrocínios, não tinham a marca estampada nas suas respectivas camisas). No
entanto, a situação trouxe descontentamento a vários clubes.
Quem
tomou a dianteira foram Guarani, vice-campeão brasileiro de 1986, América,
semifinalista do Brasileirão do ano anterior, e Portuguesa, que teria vaga na
elite, segundo regulamento antigo. Diante da pressão, Nabi Abi Chedid impôs
novamente que houvesse o cruzamento dos Módulos Verde e Amarelo para decidir
quem seria o campeão nacional.
A DISCÓRDIA COMEÇA A SURGIR… E VEM A
REVIRAVOLTA!
À
revelia dos demais integrantes do Clube dos 13, o dirigente Eurico Miranda
acatou a decisão dos módulos após a Copa União. Dirigente do Flamengo e
vice-presidente do C13 na época, Márcio Braga afirmou que regulamento “foi
acrescido pela CBF” e só aceitaria o acordo após a realização de um
Conselho Arbitral envolvendo os 32 clubes dos dois módulos.
Enquanto
o Flamengo de Zico, Bebeto, Zinho e Renato Gaúcho superava o Internacional no
Maracanã, com um triunfo por 1 a 0 e dava volta olímpica no Maracanã em 13 de
dezembro de 1987 com ares de tetracampeão brasileiro, havia outra decisão. O
rubro-negro Sport (também com um Zico) entrava em campo na luta por um título
nacional na Ilha do Retiro medindo forças com o Guarani.
Pelo
Módulo Amarelo, o Sport derrotou o Guarani por 3 a 0 no tempo normal. Houve uma
prorrogação (os bugrinos venceram por 2 a 0 o primeiro jogo) e, devido ao
empate, o jogo foi para os pênaltis.
Após
um 11 a 11 nas cobranças iniciais, os dois finalistas decidiram interromper a
partida, pois ambos estavam classificados para o cruzamento previsto pela CBF:
o Bugre abdicou do título, e os dois clubes se cumprimentaram pela
classificação.
UMA VOLTA OLÍMPICA, DOIS RUBRO-NEGROS
DESCONTENTES
O
início de 1988 trouxe os primeiros passos da queda de braço, com o Flamengo e
Internacional se recusando a entrar em campo. Na Gávea, o clube fez um amistoso
de entrega de faixas da Copa União, no qual venceu por 3 a 0 a seleção da Costa
do Marfim.
No
mesmo dia, o regulamento da CBF previa que o Rubro-Negro enfrentasse o Guarani
no Brinco de Ouro da Princesa. Diante de 20 pessoas, o Bugre treinou cobranças
de escanteios à espera da vitória no tempo normal.
Já o
Sport, diante da ausência do Internacional, não quis saber de outra coisa que
não comemorar. Diante de sua torcida na Ilha do Retiro, os jogadores deram a
volta olímpica pelo título do Módulo Amarelo.
Em 30
de janeiro de 1988, Guarani e Sport empataram em 1 a 1 no tempo normal. No jogo
de volta, em 6 de fevereiro, o Leão conseguiu a vitória por 1 a 0 com gol de
Marco Antônio e sagrou-se campeão, segundo a CBF, do Brasileiro de 1987. Os
dois clubes, a partir de julho, disputaram a Copa Libertadores.
No
mesmo ano, o Sport entrou na Justiça para ser reconhecido como o campeão de
1987. E o caso já dura 30 anos…

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