Diretor do Flamengo fala sobre finanças, Estádio e reforços.

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

MAURO
CEZAR PEREIRA
: O Flamengo festeja ter alcançado receita anual superior à dívida
em 2016 — R$ 510 milhões contra R$ 390 milhões. De fato o clube vive momento no
qual não faltam acontecimentos, possibilidades, perspectivas e também dúvidas,
muitas dúvidas. Em meio a tudo isso, há algumas contradições também.

O
clube concordava com a venda da licitação do Maracanã, desde que o então
parceiro, GL Events/CSM, fosse o comprador. Com a desistência de tal consórcio,
passou a defender apenas uma nova concessão, mas o governo do Estado do Rio de
Janeiro reluta.
Ou
relutava. Segundo o site de Veja, o governador Luiz Fernando Pezão “está
decidido a abrir uma nova licitação para escolher o futuro gestor do
Maracanã”. Ele teria ouvido a Procuradoria-geral do Estado e tomado a
decisão.
Voltar
à estaca zero faria todo sentido e, na opinião do blog, seria o correto em meio
ao lamaçal que envolve o New Maracanã. O jornalista Rodrigo Mattos resume bem
a situação no texto “É inaceitável que Odebrecht possa vender Maracanã
após delações”.
Contudo,
o Flamengo seria coerente se desde o início só tolerasse o cancelamento do que
foi feito no governo Sérgio Cabral, e uma nova licitação. Na prática aceitava a
venda da concessão apenas se fosse feita ao seu parceiro, GL, que ergueu
estruturas olímpicas.
O time
de futebol, o elenco, as contratações, dois vice-presidentes eleitos e
afastados de pastas importantes por problemas particulares que ocuparam as
páginas do noticiário, estádio da Ilha do Governador, jejum de conquistas,
contrato de Vinícius Júnior…
Todos
esses temas fazem parte das perguntas enviadas à assessoria de imprensa do
Flamengo, direcionadas ao presidente Eduardo Bandeira de Mello e ao
diretor-geral, Fred Luz. As respostas vieram em nome do “Departamento de
Comunicação”.
Mas as
questões foram respondidas em parte. Infelizmente o clube preferiu não
esclarecer pontos que  interessam ao
torcedor, seja associado, ou não. Nas próximas linhas, dúvidas permanecerão no
ar quando você ler frases como “Entendemos que já respondemos sobre isso”.
O Flamengo alega confidencialidade, estratégia… Direito dele, é claro. Nosso
dever é perguntar. Confira!
Com a saída do ex-vice de futebol, Flávio
Godinho, a pasta passou a ser acumulada pelo presidente. Quem está tomando as
decisões do futebol (contratações, renovações, etc), além do diretor executivo,
Rodrigo Caetano, e de Eduardo Bandeira de Mello? Seria o CEO, Fred Luz?
Mauro,
seguindo o modelo de gestão profissional do Flamengo, no Departamento de
Futebol as decisões são tomadas pelo diretor-executivo Rodrigo Caetano e
avaliadas e respaldas pelo diretor-geral Fred Luz e pelo presidente Eduardo
Bandeira de Mello. No caso de contratações e renovações, também são levados em
consideração os pareceres dos profissionais das áreas financeira e jurídica.
O Flamengo não terá um novo vice de
futebol?
Essa é
uma situação que ainda está sendo avaliada pelo Conselho Diretor do clube. Mas
não há pressa para uma tomada de decisão.
Godinho foi quem insistiu na contratação
de Diego, havia resistência de outros dirigentes. O ex-vice está fazendo falta,
ou alguém com uma postura mais arrojada, entre os chamados dirigentes
“amadores”, no momento de buscar jogadores especiais, como o próprio
Diego?
Sobre
a contratação de Diego, entendemos que a afirmativa não procede. O Departamento
de Flamengo é gerido por profissionais experientes, que tomam decisões seguras,
auxiliados por projeções feitas por nosso Centro de Inteligência em Mercado. Além
disso, é importante ressaltar que todas as contratações de jogadores seguem
rigorosamente o que está previsto no orçamento.
Então está errada a percepção de que foi
Godinho quem, desde o início, insistiu e brigou pela contratação do Diego? Não
me refiro à análise técnica, mas à tentativa de viabilizar o negócio, pelo lado
financeiro especialmente.
Entendemos
que já respondemos sobre o Flávio Godinho.
Dentro desse tema, o que faltou para o
Flamengo contratar Éverton Ribeiro?
Mauro,
o Flamengo tem por estratégia não comentar negociações envolvendo seus atletas
ou jogadores atuando em outros clubes.
Uma pergunta que muitos torcedores fazem
diariamente: o dinheiro das vendas de Jorge (ao Monaco) e dos direitos de TV do
campeonato estadual não poderiam ser utilizados em reforços para o time?
Todos
os recursos do clube são aplicados religiosamente conforme o que está previsto
no orçamento e de acordo com as orientações estratégicas do Conselho Diretor. O
importante é que o torcedor saiba que o Flamengo está sempre preocupado em
reforçar seu time de futebol, em investir no futebol de base, nos esportes
olímpicos e em infraestrutura para conquistar cada vez mais títulos em todas as
modalidades e atender bem seus torcedores e associados. Sempre com responsabilidade
e dentro das nossas possibilidades. O Flamengo não faz loucuras.
Qual a avaliação das atuações do time?
Dentro do esperado? Acima? Abaixo?
Mesmo
acumulando a vice-presidência da pasta, o presidente não faz comentários
públicos sobre questões específicas do Departamento de Futebol. De toda forma,
os números do Flamengo em 2017 dizem bastante: em 19 jogos oficiais na
temporada conquistamos 12 vitórias, tivemos seis empates e sofremos uma
derrota. Estamos nas finais do Campeonato Carioca e lideramos nosso grupo na
Libertadores.
Mas o Flamengo completou três anos de sua
última conquista oficial, o título carioca de 2014. É o maior jejum do clube
nos últimos 20 anos. Nem a desvalorizada Taça Rio, que o Vasco acaba de erguer,
os rubro-negros conquistaram no período. A última vez em que o clube passou por
um período de seca ainda maior aconteceu entre a conquista do Brasileiro de
1992 e o Carioca de 1996. Será um fracasso, após os
investimentos realizados, terminar 2017 sem um troféu sequer?
É
extremamente precipitado falar sobre jejum em 2017 ainda que o ano só tenha
quatro meses e meio completos. Quando o ano terminar, avaliaremos o desempenho.
Até aqui, entendemos que estamos realizando uma boa temporada.
Quais foram as ótimas atuações do time do
Flamengo em 2017?
Vale a
mesma resposta da pergunta anterior.
O que faz exatamente Mozer no futebol do
clube?
Mozer
faz parte da comissão técnica da equipe profissional e, com sua vivência como
ex-jogador e auxiliar-técnico, além do amplo conhecimento sobre o clube, é
extremamente útil para o Departamento de Futebol. É muito próximo dos atletas,
que o admiram e respeitam suas orientações.
Se a Lagardère conseguir comprar da
Odebrecht a concessão do Maracanã o clube não jogará mais lá, segundo recente
nota oficial. A posição será a mesma caso eles vençam essa disputa e aceitem
que o Flamengo assuma a operação do estádio, como ocorre nos acordos atuais com
o consórcio, sem participação da BWA?
Sim,
será a mesma. Aproveitando a pergunta, é preciso dizer que o Flamengo sempre
deixou claro que considera uma nova licitação a melhor solução para a questão
do Maracanã. Nossa posição não mudou O contribuinte brasileiro merece que essa
seja a solução. É a mais honesta. Porém, caso a decisão do Governo do Estado do
Rio seja pelo repasse da concessão, o Flamengo se reserva o direito de fazer
negócios somente com empresas em que confia. E este não é o caso da Lagardère e
seus parceiros. O Flamengo não acredita que a BWA tenha deixado de ser parceira
da Lagardère e não considera que a Lagardère atue de acordo com os princípios e
valores praticados pelo Flamengo.
O Maracanã envolve um imbróglio imenso,
que tem como personagens Odebrecht, governo do Estado, Lagardère… E existe,
ainda, o contrato com o Fluminense, com mais de 30 anos pela frente. Não seria
mais interessante para o Flamengo partir para seu estádio próprio? Qual a
prioridade, hoje?
A
gestão do Maracanã e a construção de um estádio próprio estão sendo
consideradas neste momento e no nosso ponto de vista não são mutuamente
exclusivas.
Quais os planos reais para o futuro do
Flamengo no que se refere a estádio? Niterói, Gávea, o que há de factível?
No
momento, o Flamengo está avaliando todas as possibilidades citadas, além de
outras.
O Flamengo não admite sequer dialogar com
a Lagardère, caso a empresa francesa assuma o controle do Maracanã. Quais as razões
que sustentam essa decisão? É possível explicar isso claramente para que os
torcedores e associados compreendam postura tão irredutível?
Nossos
princípios e valores são amplamente conhecidos, mas nunca é demais lembrar que
o Flamengo preza, entre outros aspectos, pela transparência em sua gestão e
pela honestidade e correção no trato com seus parceiros. Entendemos que a
Lagardère não foi correta com o Flamengo nas vezes em que discutimos questões
relacionadas ao Maracanã.
Por que o Flamengo não torna de
conhecimento de seu torcedor suas discordâncias com tal empresa? No que ela não
foi correta? Onde feriu “princípios” do clube? Seria importante
explicar ao rubro-negro em geral, seja sócio, sócio torcedor ou pura e
simplesmente rubro-negro.
Mauro,
há um bom exemplo para justificar nossa falta de confiança na Lagardère. A
empresa vem afirmando há algum tempo que a BWA não fazia mais parte do
consórcio interessado no Maracanã. Está provado que não é verdade — na
resposta, foi indicado este link, no qual Luz diz ter recebido ligação de Bruno
Balsimelli, da BWA, buscando uma aproximação em nome da Lagardère. Na mesma
nota, a empresa sediada em Paris nega que tenha dado tal autorização.
Sem o Maracanã, no Rio o Flamengo mandará
jogos somente na Ilha do Governador, inviável em partidas de Copa Libertadores
nas fases mais avançadas, caso as alcance. Além disso, o estádio não será capaz
de trazer receitas compatíveis com o potencial de jogos da Série A se o time
estiver novamente disputando o título, exceto se os preços dos ingressos forem
“europeus”, e sem garantia de que sejam todos vendidos em tal
cenário. Neste caso, o que farão quando surgirem partidas nas quais for
imperativo um estádio com mais de 40 mil lugares?
Ainda
temos a expectativa de que haja uma nova licitação para o Maracanã e que
poderemos jogar lá caso avancemos na Libertadores. Caso o estádio seja entregue
a Lagardère, jogaremos fora do Rio e temos certeza de que o torcedor nos
apoiará como fez no ano passado. Neste cenário, vamos sempre levar em
consideração questões técnicas, logísticas e comerciais para a definição dos
locais em que atuaremos.
Se não jogar no Maracanã, o Flamengo só
poderá atuar para públicos acima de 20 mil pessoas em Brasília, por exemplo. O
regulamento do Campeonato Brasileiro de 2017 proíbe mandar jogos fora do Estado
onde cada clube está sediado. Caso a CBF volte atrás e os rubro-negros façam
tal opção, a equipe voltaria a conviver com o prejuízo técnico causado por
viagens, como em 2016. A direção está disposta a colocar o elenco novamente sob
tais condições, mesmo com o risco de queda em seu rendimento, para manter a
decisão de sequer dialogar com a Lagardère?
O fato
de hoje contarmos com o estádio da Ilha muda o cenário e entendemos que a
comparação com 2016 não faz sentido. E se a CBF voltar atrás na decisão sobre a
venda de mando de campo, vamos avaliar os aspectos citados na resposta anterior
para decidir se vamos ou não atuar fora da Ilha do Governador.
Em 2016 o Flamengo fez 33 dos seus 38
jogos na Série A fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Isso teve
indiscutível impacto técnico no desempenho. Ainda assim o time brigou pelo
título em ótima campanha. Evidentemente com a Ilha o time não viajará tanto.
Observando o aspecto técnico, quantos jogos com mando do Flamengo o clube
admite realizar fora do Estado, dos 19 com mando que terá no Campeonato
Brasileiro de 2017?
Ainda
é preciso ter certeza sobre a possibilidade de venda de mando campo no
Campeonato Brasileiro para responder. De acordo com algumas informações que
circularam recentemente na imprensa, a CBF poderia voltar atrás em relação à
proibição.
Em nota, o Flamengo justificou sua postura
alegando que “não fará nenhum tipo de negociação com a Lagardère e seus
parceiros comerciais. Nossa experiência com eles evidencia uma total
incompatibilidade com os princípios e valores do Flamengo”. Poderia
detalhar que valores seriam esses que o clube preserva e a Lagardère não?

respondido em pergunta anterior
A Odebrecht está envolvida em problemas
que inundam o noticiário, é a atual gestora do Maracanã e com ela o Flamengo já
fez vários acordos, inclusive para recuperar o estádio antes de enfrentar o San
Lorenzo. Qual a diferença em negociar com a Lagardère e com a Odebrecht?
É
importante dizer que o Consórcio Maracanã S.A nunca mentiu para o Flamengo e
sempre manteve uma postura ética nas negociações conosco. O mesmo vale para as
instâncias governamentais com as quais temos tido contato para discutir a
questão do Maracanã e de outros assuntos relativos ao Flamengo.
Mas o fato de o consórcio nunca ter
mentido para o Flamengo não é menor num contexto em que a empresa que o
encabeça, a Odebrecht, está envolvida justamente nos escândalos que fazem com
que o Flamengo defenda veementemente uma nova licitação? Não é contraditório?
Entendemos
que já respondemos sobre esse assunto.
Na partida com o San Lorenzo os torcedores
deixaram renda bruta de R$ 3.688.482,50, o Flamengo ficou com 20,35%, ou seja,
R$ 750.660,16. No “mundo ideal” qual seria o percentual factível que
o clube gostaria de ter em situações assim, considerando que 10% ficam com a
Federação de Futebol do Rio de Janeiro, há aluguel de estádio, impostos e
despesas? Seriam 60%? 70%? 80%?
É
difícil estimar o “mundo ideal” porque o resultado financeiro após um
jogo depende de algumas variáveis e pode ser diferente de acordo com o estádio.
Por exemplo: se for cobrado um aluguel líquido na locação do estádio, se o
consórcio em questão fornecer serviços… Números do Maracanã, do Engenhão, ou
do Estádio Mané Garrincha, por exemplo, podem ser bastante diferentes.
Diante do Grêmio, em 2015, peleja de
estreia do Guerrero no Rio de Janeiro, o consórcio mordeu gorda fatia da renda,
e o Flamengo levou 44,2% do bruto. Dirigentes, com motivos, à época reclamavam
muito das taxas do Consórcio Maracanã. Pela Libertadores, diante do Atlético
Paranaense, alugando o estádio junto à Odebrecht e fazendo a operação do jogo,
o Flamengo ficou com 31,87% da renda bruta. Isso dá R$ 1,060 milhão dos quase
R$ 3,4 milhões que a torcida deixou nas bilheterias. Como os senhores definem
essa quota? Boa? Ótima? Péssima? Satisfatória?
Mauro,
não abrimos os números/percentuais porque consideramos que essas são
informações estratégicas. Porém, entendemos que o modelo sem intermediários é o
ideal. Com ele, podemos conseguir um percentual adequado e mais justo.
Se a Lagardère controlar o Maracanã e
aceitar que o Flamengo fique com um percentual desejado, porque o clube que,
repito, negocia com a Odebrecht, ainda assim insistiria em sequer conversar com
a empresa francesa?

respondemos a essa questão. O que nos tem causado mais estranheza é que parte
da imprensa parece fazer lobby por uma empresa que também está nas manchetes
policiais de vários jornais. Entendemos, assim como a maior parte da opinião
pública, autoridades idôneas, especialistas no tema e a sociedade civil que o
ideal e o mais correto é uma nova licitação.
Mas a Odebrecht está nas páginas policiais
e o Flamengo com ela negocia. E fica com uma participação inferior a um terço
da renda do Maracanã, quota pior do que a dos tempos do consórcio em
funcionamento. É legítimo o clube defender nova licitação. Sim, talvez exista
parte da imprensa parecendo fazer lobby pela empresa francesa. Mas o ponto aqui
é outro: caso tal companhia compre a concessão, uma possibilidade real, o que
impede o clube de colocar sobre a mesa uma pedida que seja economicamente
satisfatória para mandar alguns jogos no Maracanã, saindo da Ilha quando lhe
convier? Os interesses técnicos e até financeiros, não são fortes o bastante
para tal?
Entendemos
que já respondemos sobre isso.
Quanto o Flamengo investiu no estádio da
Ilha do Governador? Essa quantia será recuperada? Como e quando?
Temos
um contrato de três anos, renováveis por mais três com a Portuguesa da Ilha.
Estão sendo investidos cerca de R$ 15 milhões no local e a importância
estratégica do estádio é óbvia, considerando as incertezas relacionadas à
situação do Maracanã. Como em todo projeto que desenvolve, o Flamengo faz
projeções para recuperar os valores investidos, mas não revela sua estratégia.
Estádios têm custos de manutenção
variáveis. Reconstruído para a Copa do Mundo, seguindo exigências da Fifa, o do
Maracanã é dos mais altos, estimado em R$ 30 milhões a R$ 40 milhões por ano,
ou R$ 2,5 milhões a R$ 3,3 milhões mensais. Como bancar essa despesa e ainda
obter lucro? Detalhe: dos 12 meses do ano há pelo menos dois sem chances de
jogos que o lotem, entre as férias e a pré-temporada dos atletas.
A
viabilidade econômica do Maracanã passa antes de mais nada num redesenho do
modelo e condições financeiras da concessão dada a mudança do escopo inicial
que considerava a exploração de uma área muito maior do que apenas o Maracanã e
Maracanãzinho. Tal redesenho completo só seria possível com uma nova licitação
em novas bases. Com condições adequadas de compromissos financeiros e de
investimentos com o poder concedente será fundamental uma programação de jogos
de grande apelo, preservando o estádio de partidas deficitárias, e com isso
possibilitando a geração de valor com patrocínios, receitas de A&B e
camarotes em função do futebol.
O
Flamengo, por números históricos, é indiscutivelmente o maior propulsor em
potencial da geração destas receitas, sem o Flamengo e sua torcida o Maracanã é
inviável financeiramente. Em paralelo, mas de forma complementar, é importante
o desenvolvimento de outros centros de resultado além do futebol como eventos,
shows, tour e outras atividades. A equação financeira do Maracanã é de fato
muito apertada, não cabendo a figura do intermediário como no desenho
licitatório atual.
Estádios de futebol só se transformam em
negócios lucrativos, ou que não dão prejuízo, se muito bem geridos. O Flamengo
pensa em erguer um. Contudo, além de exigir capacidade específica para uma boa
gestão dessa possível “arena”, a obra levaria anos, e devoraria boa
parte das receitas, colocando em risco a possibilidade de formação de boas
equipes de futebol. Como o clube pretende sair dessa situação, considerando que
a Lagardère ainda pode receber as chaves do Maracanã, comprando a concessão da
Odebrecht ou vencendo uma nova concorrência?
O
Flamengo saberá administrar essa situação com a mesma competência e
transparência com que vem gerindo o clube. E não acreditamos que o Maracanã
será entregue a Lagardère.
É verdade que o Flamengo vai lançar em seu
balanço de 2016 como receita a verba de televisão que corresponde aos anos
seguintes? Seriam R$ 70 milhões recebidos em 2016, além de R$ 50 milhões a
receber entre 2020 e 2021. Se a resposta for sim, por quê? Seria correto do
ponto de vista contábil?
Sim,
Mauro. Esta foi a alternativa recomendada pelos auditores independentes que
analisam o balanço do Flamengo e também pela Apfut (Nota do blog: sigla para
Autoridade Pública de Governança do Futebol).
O futebol do Flamengo ainda mantém outras
modalidades, as ditas olímpicas?
Mauro,
se sua pergunta está relacionada ao futebol feminino, sim. O time feminino do
Flamengo é o resultado de uma parceria com a Marinha do Brasil que vem
alcançando resultados satisfatórios.
Refiro-me a outras modalidades, basquete,
vôlei, remo… Elas são mantidas com dinheiro oriundo do futebol, como no
passado, ou isso mudou?
As
modalidades olímpicas do Flamengo se tornaram autossuficientes em 2015 e essa
política permanece, com a busca constante pela renovação dos patrocínios
atuais.
O que falta para Vinícius Júnior renovar
contrato? Os senhores garantem que ele jogara profissionalmente pelo Flamengo?
O
Flamengo tem por estratégia não comentar questões relacionadas ao contrato de
Vinícius Júnior ou ao de qualquer outro atleta. Mas vale ressaltar que o clube
está cuidando do assunto com a atenção que ele merece. Nossos jovens talentos
hoje estão integrados no projeto “Pratas do Ninho”, que possui
metodologia de trabalho interdisciplinar, em que são trabalhados aspectos
físico, psicológicos e nutricionais, visando minimizar o impacto da chegada dos
atletas ao futebol profissional. O que o Flamengo quer com isso é desenvolver e
reter ao máximo seus talentos.
O Flamengo teve seu ex-vice-presidente de
futebol, Flávio Godinho, detido em janeiro na “Operação Eficiência”,
parte da “Lava Jato”. Em abril o jornal Valor Econômico publicou que
o “vice-presidente de gabinete da presidência do Flamengo, Plinio Serpa
Pinto, teria recebido pagamento de valores ‘sem qualquer registro contábil’ da
Odebrecht”. Evidentemente toda pessoa acusada de algo tem o direito a
provar que é inocente. Sabemos que o resultado dessas investigações não tem
relação com o clube, mas são pessoas que em algum momento ocuparam postos
relevantes na atual gestão. Não acham desconfortável para o Flamengo,
contraditório talvez, vermos tal noticiário e ler em meio a isso tudo uma nota
oficial do clube sobre “princípios e valores do Flamengo”? Esses
dirigentes se encaixam em tais princípios e valores?
Mauro,
a pergunta já traz boa parte da resposta. Eles tiveram problemas antes e fora
da atual gestão e têm direito à defesa. Quanto a uma possível contradição sobre
os princípios e valores do clube, consideramos essa uma insinuação maldosa…
Tanto Flavio Godinho como Plinio Serpa
Pinto foram eleitos na atual gestão para importantes postos como
vice-presidentes, respectivamente de futebol e do gabinete da presidência. Como
assim “insinuação maldosa”? Trata-se de uma pergunta, afinal, foi o
Flamengo que emitiu nota falando em “princípios e valores”. Cabe ao
jornalista perguntar, o clube prefere mesmo não responder?
Entendemos
que já respondemos sobre esse assunto quando da primeira pergunta.
O português Nelio Lucas é CEO do grupo
Doyen, que colocou no Flamengo Marcelo Cirino e no Santos Leandro Damião, hoje
emprestado justamente ao clube rubro-negro. No início do ano ele surgiu como o
homem que trouxe a Carabao ao Brasil, anunciada nova patrocinadora do clube. Os
negócios se cruzam ou são independentes? Em Portugal, por sinal, há um
imbróglio envolvendo a Doyen e o Sporting de Lisboa. Como os senhores veem Nélio Lucas/Doyen, parceiros? Aliados?
Mauro,
não vamos comentar sobre um parceiro comercial.

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