É hora de chamar Zé Ricardo para conversar.

12
Foto: Gazeta Press

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Sempre
tive muita simpatia pelo Zé Ricardo como treinador do Flamengo, pelas mais
variadas razões. Existe a mística rubro-negra óbvia do interino identificado
com o clube que chega pra botar ordem na casa após o técnico famoso falhar,
como já fizeram Jayme, Andrade, entre outros. Existe também a vantagem prática
de ter um técnico promissor de baixo custo num mercado em que, se você não tem
Tite ou Cuca, vai ter que escolher entre um treinador que vive de passado
(Luxemburgo, Abel Braga) ou um treinador que nem passado direito teve (Ney
Franco, Cristóvão Borges).
Mas o
que eu sempre mais gostei no Zé é o fato de que ele tinha uma visão do que ele
queria pro time. Mais do que um treinador que distribui colete e berra palavrão
na beira do campo pra dar trabalho pro técnico de som da Globo, o técnico do
Flamengo sempre pareceu ter uma ideia de time que era ofensiva, corajosa e que
ele estava trabalhando pra implementar. Ou seja, Zé sempre me passou a
impressão de ser um homem com ideias firmes, que sabia o que queria. E isso
sempre me pareceu uma qualidade. Até que se tornou um defeito, claro.
Porque
cada vez mais fica óbvio que esse apego do Zé com as próprias ideias tende a
ser um dos piores inimigos não apenas dele, como do próprio Flamengo. Primeiro
pela dificuldade para adaptar o estilo de jogo da equipe quando o 4-3-3 não
funciona, como aconteceu várias vezes não apenas na reta final do Brasileirão
2016 como também esse ano. Ainda que seja o esquema para o qual ele montou o
elenco e aquele que ajudou a tirar a equipe da bagunça que ela parecia ser na
era Muricy, é preciso aceitar que nem sempre essa tática vai se encaixar, ainda
mais agora que todos sabem que é assim que o Flamengo joga e que, mesmo se
todos os pontas do mundo morrerem de forma misteriosa, o Zé vai preferir
improvisar o Juan aberto no ataque a mudar o esquema tático.
E não
só a tática, mas a insistência de Zé nas escalações também. Sei que não vemos
os treinos, sei que não acompanhamos o dia a dia da equipe, mas o que precisa
estar acontecendo para que a melhor opção de dupla para Réver ainda seja Rafael
Vaz? Léo Duarte é um holograma? Juan é um viajante do tempo vindo do passado e
não pode alterar os eventos do presente porque isso destruiria o futuro?
Donatti na verdade é apenas Wallace usando uma máscara e fingindo um sotaque
portenho porque a vida é um imenso pesadelo? Poucas situações justificariam a
permanência de um zagueiro que não apenas erra na defesa, como parece cada vez
mais motivado a dar assistências para os atacantes adversários na saída de
bola.
Confio
muito no Zé Ricardo e acredito que ele, sem dúvidas, ainda é a melhor opção
atual para treinar o Flamengo, mas parte do trabalho do treinador é manter o
time em constante evolução, substituindo as peças que não funcionam, procurando
novas maneiras de jogar, aproveitando a melhor peça e a melhor formação no
melhor momento. Zé tem planos, como todos nós temos, mas para atingir o plano
maior, que é vencer, talvez ele precise mudar alguns dos planos menores, entre
eles esses que envolvem manter o reflexo de sua teimosia em campo.

COMENTÁRIOS: