“Eu comparo o Flamengo à Seleção”, diz Marcelinho Machado.

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Foto: Divulgação

GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: Por Rafael Rezende

O
escolhido para encerrar o especial foi o homenageado. Não tinha como ser de
outra forma, afinal, todas as matérias tiveram ele como foco principal. Marcelo
Magalhães Machado, ou MarceZico para a Nação Rubro-Negra, faz 42 anos neste 12
de abril de 2017. Dias antes, o GRN foi à Gávea e conversou com o ala por
alguns minutos. A entrevista completa, e emocionante, você confere na íntegra a
seguir.
A
primeira pergunta foi logo sobre sua fase atual, e a resposta, claro, trouxe à
tona a experiência de um cara consagrado no mundo da bola laranja.

Estou me sentindo bem. A cada ano que passa, fico na expectativa de estar um
pouco pior, pois é o que todo mundo diz que acontece quando se fica mais velho
(risos). Mas eu acredito que quando você tem a cabeça forte, o corpo responde.
É lógico que vai chegar uma hora que não vai ser assim, mas até então, está
tudo tranquilo. Devo ao meu biotipo. Sou magro, tive poucas lesões, e isso
ajudou a ganhar um lastro físico. Me dediquei à essa parte, e tenho um lado competidor.
E estar no Flamengo, que é uma equipe de ponta, ajuda. Costumo conversar isso
com esposa e amigos. Se eu não tivesse num lugar que tem essas pretensões e
tantos jogadores de alto nível, acho que já teria parado. A cobrança diária
pela vitória me motiva demais e empurra. A torcida não quer saber da idade.
Botou a camisa e entrou em quadra, será exigido. É assim que tem que ser –
disse, no maior alto astral.
Dentro
do cenário nacional, Marcelinho é tido como um ícone. E sabe disso. Nunca fugiu
de suas responsabilidades e sempre apresentou conduta exemplar e digna de
aplausos.
– É um
motivo de orgulho. Quando comecei a jogar, com dez anos, eu sonhava muita
coisa. E uma delas era ter a representatividade que as referências da época
tinham pra mim. Me preocupo bastante em dar bons exemplos, não só para os meus
companheiros, que vivenciam o dia a dia comigo, mas, também, para quem me
acompanha de longe. Tem crianças que gostam de basquete, e eu tento passar o
que o esporte me ensinou, como a força de vontade sendo recompensada. E, que,
quando você trabalha em conjunto, tem retorno e o resultado é melhor. Não abro
mão de mostrar esses valores que aprendi – afirmou.
Citada
por todos os entrevistados (Rodrigo, Olivinha, Fred, Ricardo, Duda e
adversários), a liderança faz parte da vida do atleta há tempos e caminha, lado
a lado, com o pensamento coletivo.
– Isso
é uma coisa natural minha. Tenho esse traço de personalidade desde a época que
estava no pré-mirim. É lógico que eu aprendi a ser um líder melhor, mas não é
uma posição fácil. Você fica em uma colocação em que as pessoas te olham
diferente e querem fazer igual. É característico, porque vivi várias situações
de quadra com meu pai e meu irmão. Isso, talvez, tenha me dado uma bagagem. De
fato, fui melhorando através de exemplos – comentou.
Falar
do que envolve um sentimento gigante, é complicado. Ao escutar o nome do
Flamengo, deu para perceber um largo sorriso e a gratidão a cada palavra dita
com afeição singular.
– Eu
comparo o Flamengo à Seleção. Quando comecei, sempre tive o sonho de atuar, e
nunca escondi de ninguém que é o meu clube do coração. Estou aqui há dez anos,
e sigo escrevendo meu nome na história. É especial e tem uma contribuição na
minha formação como atleta. Eu lembro como se fosse hoje o dia que estava
saindo para jogar uma final por uma portaria que não existe mais. O diretor da
época chamou todo mundo e disse que o Flamengo não entra para competir e, sim,
para ganhar. Esse fato ajudou a traçar a carreira vitoriosa que construí e
trago comigo. Eu sempre busco fazer o máximo pelas vitórias. E poder ajudar a
manter uma biografia de conquistas é algo que, realmente, vou guardar com
carinho eternamente – definiu.
O
questionamento trivial surgiu: quais são seus melhores momentos com a camisa do
Fla? Nessa hora, uma pausa até a definição: Liga Sul-Americana de 2009 e a
convivência com Duda e Ricardo na Gávea.
– Eu
poderia ir para o óbvio e falar do Mundial na Arena, mas vou destacar o título
Sul-Americano que a gente ganhou na Argentina por algumas razões. Estávamos com
quatro meses de salários atrasados e tivemos um espírito vencedor. Foi a
primeira conquista internacional da passagem, então, escolho. Se eu fosse
escrever a trajetória da forma que achasse melhor, eu escreveria sempre estar
ao lado dos meus irmãos. E pude vivenciar isso. Poucos tiveram esse prazer, e
foi uma experiência incrível. Acho difícil acontecer de novo (os três juntos),
porém, guardamos as memórias. O Duda era meu companheiro de quarto, e temos
muitas histórias que ficam para a vida – esmiuçou, com sabedoria.
A
torcida o apelidou com ligação ao ídolo supremo. Por trás desse contexto, existem
várias conjunturas que requer amplitude e mérito.

Sempre achei MarceZico exagerado, porque o Zico é um cara que está acima de
qualquer coisa, e não tem como comparar. É o nosso ídolo e sempre vai ser.
Contudo, entendo o que o torcedor rubro-negro quer. Torcemos pelos craques, mas
queremos dedicação, entrega e raça. Eu, quando ia ao Maracanã, era assim
também. Eles me veem dessa forma e entenderam que ao vestir essa camisa, vou
dar o máximo para vencer. É um reconhecimento fundamental – agradeceu.
No
questionamento final, o mesmo foi informado que o espaço era livre e
complementou em alto nível.

Primeiramente, quero agradecer esse carinho que todos estão tendo comigo. Como
Olivinha falou, em todo lugar que vou, sinto isso. E preciso dizer que minha
maior meta é ganhar o próximo jogo. Já disse que, quando menor, tinha vários
sonhos. Hoje, realizei muitos e minha carreira está acabando. Tenho que pensar
diariamente e essa determinação me move – arrematou.

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