Existe Flamengo inteligente sem ele?

16
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Chelsea e Atlético de Madrid talvez sejam os dois times do futebol
atual que mais se destacam pela aplicação tática e o apego à marcação. Pois nem
eles conseguem jogar noventa minutos como o Flamengo jogou os primeiros vinte e
cinco contra o Atlético Paranaense. Mesmo com a impressionante evolução da
preparação física e transformando dedicação em sacrifício, ainda assim é
impossível.

Há um
jogo importante na história recente do clube – oitavas de final da Libertadores
de 2010, contra o Corinthians no Pacaembu – em que isso ficou claro. Havíamos
vencido a primeira partida, no Maracanã, por um a zero, e no jogo de volta os
corintianos vieram pra dentro. Sufocando o Flamengo com marcação implacável e
uma correria de cansar até quem estava em casa, foram para o intervalo ganhando
por dois a zero. Entretanto, para tamanha correria, dois a zero era pouco.
Vágner Love fez o gol rubro-negro logo aos quatro minutos do segundo tempo e,
arrastando-se em campo, o Corinthians não teve como chegar à diferença de que
precisava. Passamos para a fase seguinte, eles morreram ali.

Ricardo mandou muito bem na última quarta-feira. (Repito o que já escrevi
algumas vezes no RP&A: errou, a gente critica; acertou, a gente elogia. Não
tem mistério.) Apesar de Thiago Heleno ser um zagueiro pesadão e da conhecida
morosidade de Paulo André, a defesa do Atlético Paranaense foi a menos vazada
do Campeonato Brasileiro no ano passado, e apostar tudo na pressão inicial foi
um risco bem calculado. Como tudo no futebol, tanto poderia dar certo quanto
dar errado, corroborando o que costuma dizer Vanderlei Luxemburgo: quando dá
certo, o treinador é gênio; quando dá errado, é uma besta. Bônus e ônus,
futebol é assim.
Lembrando
esse jogo com o Corinthians, em que nos demos bem, e a partida contra o Santos
no Brasileiro de 2015, em que nos estrepamos – viramos o primeiro tempo
vencendo por dois a zero, mas pusemos a língua para fora e permitimos o empate
–, comecei a ver o segundo tempo do jogo de quarta-feira com preocupação,
receoso de que o placar de dois a zero fosse insuficiente para o tanto que
tínhamos corrido. Só que, ao contrário dos meus temores e mesmo com a inevitável
diminuição do ritmo, mantivemos o jogo sob controle. O problema é que manter
jogos sob controle é sempre um procedimento de alto risco: vai que um cabeçudo
acerta um chute qualquer lá da intermediária, um abraço.
Muito
mais do que o gol de Nikão, aos treze minutos, o grande problema aconteceu aos
vinte. O choque com Douglas Coutinho não doeu somente no joelho de Diego, mas
nos joelhos de toda a nação rubro-negra. Ninguém jogou mal na quarta-feira, mas
quem muda o nosso jeito de jogar e faz do Flamengo um dos times mais fortes do
futebol brasileiro é Diego. Daí, a pergunta: e agora?
Falta
intensidade a Lucas Paquetá, confiança a Matheus Sávio, regularidade a
Mancuello, tirocínio a Éverton, saúde a Ederson e capacidade de definição a
Gabriel. Enquanto Conca não vem, não temos como armar o time sem Diego e manter
o equilíbrio.
Por
outro lado, ano passado conseguimos fazer boas partidas e alcançar convincentes
vitórias antes mesmo de Diego estrear. Um a zero no Inter, um a zero no
Atlético Paranaense, dois a zero no Atlético Mineiro, dois a zero no Coritiba
(lá em Curitiba), dois a um na Ponte Preta (em Campinas), um a zero no Cruzeiro
(em Belo Horizonte). Ou seja: possível, é. Mas Zé Ricardo terá de sacar da
cartola coelho semelhante ao da escalação de Trauco adiantado, e os jogadores
precisarão entender a importância da concentração absoluta e do erro zero –
viu, Sr. Renê?
Respondendo
ao título do post: infelizmente, parece que não. Porém, com empenho, espírito
coletivo, consciência tática e noventa minutos de seriedade, dá para sair da
Arena da Baixada com a classificação encaminhada. E o melhor: entrar na fase de
mata-mata com a presença de Conca, a volta de Diego e, aí sim, um time de
respeito e com boas chances de chegar longe.
SRN e
boa Páscoa a todos.
JORGE
MURTINHO

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here