Flamengo e um dilema chamado Marcelo Cirino.

12
Foto: Gazeta Press

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Contratado
com toda a pompa de um grande reforço, até mesmo disputado com outros grandes
clubes, como o Corinthians, Marcelo Cirino chegou em janeiro de 2015 cercado
por imensa expectativa. Atacante rápido, destaque no Atlético-PR, revelação do
Brasileirão 2013, Cirino veio numa operação milionária que envolveu não apenas
os dois clubes, como também o Grupo Doyen, que intermediou a negociação em
termos semelhantes aos da contração de Leandro Damião quando chegou ao Santos.
O
esquema seria o seguinte: os investidores pagariam por 50% dos direitos do
jogador, que ficaria emprestado ao Flamengo até o final de 2017, com o
rubro-negro pagando 2 milhões de reais por ano ao Atlético-PR pelo empréstimo.
Se até o fim desse período o Flamengo vendesse Cirino para outro clube, teria
que pagar 3,5 milhões de euros para o grupo Doyen, mas poderia ficar com
qualquer valor que recebesse acima disso.
A
ideia na época parecia boa, é claro. Flamengo montando times competitivos,
Cirino vinha se destacando, esse monte de clube chinês aí atirando maço de
dinheiro em cima de qualquer desocupado que faz sete embaixadinhas, estava na
cara que não apenas o reforço iria se pagar, como talvez até gerasse um bom
lucro para o clube.
Mas,
se você acompanhou o Flamengo nos últimos anos, sabe que não foi exatamente
assim.
Apesar
do bom começo no Carioca de 2015, Cirino se mostrou um atacante de velocidade
que não corre, um jogador técnico que não tem técnica, um atacante que não
apenas não ataca, com parece ter em algum momento apanhado da linha da grande
área, já que prefere nem mesmo se aproximar dela.
Um
atleta que teve tantas chances que até mesmo a namorada mais compreensiva do
mundo diria que o Flamengo passou dos limites. Cirino se envolveu também com
problemas de indisciplina, como o famigerado Bonde da Stella, e seu próprio
empresário admitiu que houve um certo “deslumbre” do jogador com a sua chegada
no Rio.
Duas
temporadas depois, no ano em que termina seu contrato, Cirino deixou de ser uma
solução para o ataque e se tornou um problema para a diretoria. Afinal, se você
tem um atleta que precisa vender até o final do ano, é importante que ele atue,
é importante que ele tenha a oportunidade de chamar a atenção de compradores, é
importante que ele tenha uma vitrine.
Mas,
ao mesmo tempo, num ano em que o Flamengo tem competições importantes pela
frente, é complicado se dar ao luxo de escalar um jogador que não apenas não
vinha atuando bem, como parece ter se tornado a personificação do ato de
quebrar um espelho debaixo de uma escada usando dois gatos pretos, um em cada
mão. A entrada de Cirino, tanto contra o Vasco quanto contra o Volta redonda,
coincidiu com o momento em que vitórias totalmente sob controle se
transformaram em empates irritantes.
Após a
frustrada tentativa de transferência para o Internacional, em que o Atlético-PR
acabou impedindo a sua saída, Cirino hoje é um atleta caro demais para que
consigamos vender e ruim demais para que possa contribuir com a equipe. E a
única esperança do Flamengo é que ao menos uma dessas suas situações mude até
dezembro, já que, caso isso não aconteça, o rubro-negro teria que se colocar
numa situação ainda mais trágica do que a atual: obrigatoriamente comprar os
50% dos direitos do atleta atualmente com os investidores usando recursos
próprios. Sim, o pior cenário, caso Cirino continue se saindo mal, é o Flamengo
ter mais e mais Cirino, por mais tempo.
Que
deus nos proteja.

COMENTÁRIOS: