Globo envia à CBF proposta de árbitro de vídeo para a Série A.

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Foto: Divulgação

MARCEL RIZZO: A
Globo já enviou à CBF propostas sobre árbitro de vídeo para atender a demanda e
produzir os 380 jogos da Série A, a partir de 2018, informou a emissora ao
blog.

A
Confederação Brasileira de Futebol entende como fundamental o uso das imagens
da retransmissora oficial das partidas, no caso as fornecidas pelo Grupo Globo,
para evitar contradição quando o árbitro de vídeo analisar as cenas que
necessitarem de revisão.
“Imagine
se temos câmeras nossas, com imagens só nossas, e há as câmeras da transmissão
oficial, com as imagens que vão para o mundo todo. Num lance polêmico, as
nossas câmeras não conseguem dar uma conclusão, mas as das TV, sim. O erro
poderia não ser corrigido, mas o mundo todo saberia da falha pelas imagens da
TV”, explicou Sérgio Correa, responsável na CBF por implementar o árbitro de
vídeo no Brasil.
A
Globo, num primeiro momento, informou à CBF que não gostaria de participar da
parte operacional do processo, ou seja, trabalhar diretamente na edição das
imagens que serão analisadas para que se chegue a uma conclusão em jogadas
polêmicas. Isso para não misturar as transmissões com qualquer decisão que seja
tomada pelos árbitros, estes de responsabilidade da CBF.
A CBF
trabalha com um mínimo de sete câmeras, e máximo de 16, para se consiga ter
funcionalidade na análise de imagens. Testes estão sendo realizados,
inicialmente em jogos amistosos de seleções de base na Granja Comary, o centro
de treinamento da CBF em Teresópolis (RJ). Haverá, ainda no primeiro semestre
de 2017, mais testes em partidas oficiais sub-20 e femininas organizadas pela
entidade.
Duas
empresas já foram testadas – uma delas indicada pela Globo. Uma terceira deve
participar dos próximos testes e outras duas manifestaram interesse no processo
de escolha, que envolverá capacidade técnica e, claro, preço.
Se a
imagem a ser usada for a oficial da TV, essas empresas cuidarão da parte
operacional do processo de edição para os árbitros de vídeo trabalharem. Caso
não seja usada a imagem oficial, as contratadas teriam que instalar suas
câmeras, o que aumentaria o custo.
Polêmicas
O
árbitro de vídeo vai aparecer na Série A do Brasileiro somente em 2018, apesar
de constar no regulamento de 2017, porque a CBF só poderia começar oficialmente
a utilizá-lo no segundo semestre, o que faria parte do campeonato não ter o
recurso. Isso, provavelmente, geraria reclamação daqueles clubes prejudicados
em partidas nas rodadas iniciais.
Mas há
outra questão, mais decisiva inclusive, que é a financeira, como relatado pelo
blog do Rodrigo Mattos, no UOL Esporte. A entidade não estaria disposta a
aplicar o árbitro de vídeo imediatamente pelo alto custo envolvido, algo em
torno de R$ 15 milhões.
O uso
das imagens para tirar dúvida de lances polêmicos foi aprovado em março de 2016
pela International Board (Ifab), órgão que define as regras do futebol. A CBF
foi uma das confederações, como a Holanda, que apresentou projeto e que teve
autorização da Fifa para realizar testes.
A Fifa
já usou o recurso das imagens no Mundial de Clubes, em dezembro de 2016, mas
houve problemas – como o árbitro de vídeo comunicando ao árbitro principal um
lance de pênalti não notado incialmente, mas ignorando que o jogador estava em
posição de impedimento – na vitória do Kashima Antlers-JAP sobre o Atlético Nacional-COL,
3 a 0, na semifinal.
Também
houve confusão porque o lance seguiu por alguns minutos até a arbitragem parar
para conferir em vídeo, e depois levar a bola até a marca do pênalti. Esta é
uma das preocupações da CBF, que avalia que, para agilizar o processo, o
árbitro de campo não deveria ter acesso às câmeras, apenas o do vídeo, em uma
sala isolada do estádio.
Veja a nota que o Grupo Globo enviou ao
blog sobre o assunto:
Estamos
conversando com a CBF desde o início de 2016 sobre de que maneiras o Esporte do
Grupo Globo pode cooperar com a confederação para a implementação do Árbitro de
Vídeo (AV) no Campeonato Brasileiro. Avaliamos alternativas e soluções e
fizemos testes na prática. A partir destes resultados, apresentamos propostas
para atender a demanda de produzir todos os 380 jogos do Brasileirão, que levam
em conta as regras da FIFA e a IFAB e as premissas da CBF. Estas propostas
estão sendo avaliadas para uma possível implementação em 2018.

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