Jogador do Leverkusen revela inspiração em Diego, do Flamengo.

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Julian Brandt e Renato Augusto durante Brasil x Alemanha pelas Olimpíadas 2016 – Foto: Clive Mason/Getty Images

BLOG
DO RAFAEL REIS
: Julian Brandt tem 20 anos, joga profissionalmente no Bayer
Leverkusen desde fevereiro de 2014, está prestes a completar 100 partidas na
Bundesliga, fez parte da equipe medalhista de prata nos Jogos Olímpicos do
Rio-2016, defende há um ano a seleção principal da Alemanha e vale 30 milhões
de euros (R$ 100 milhões).

É esse
o valor que, de acordo com a imprensa alemã, o Bayern de Munique pagará ao
Leverkusen na próxima janela de transferências para contar com o jovem
meia-atacante a partir da temporada 2017/18.
Isso
se Liverpool, Borussia Dortmund ou qualquer outro dos vários clubes que já
manifestaram interesse em contratá-lo não intervirem.
Em
entrevista ao “Blog do Rafael Reis”, Brandy fala sobre o desafio de não se
deixar levar pela fama, relembra a derrota para o Brasil na final dos Jogos
Olímpicos e revela que seu ídolo de infância é um brasileiro, o meia Diego,
atualmente no Flamengo.
Confira
a íntegra da entrevista com Julian Brandt:
Julian, você é uma das grandes promessas
do futebol europeu. O quão difícil é, para um garoto de 20 anos, manter a
cabeça no lugar sabendo que alguns dos mais importantes clubes do mundo desejam
contratá-lo?
Não é
tão complicado assim. Meu pai toma conta de todas as questões de mercado para
mim. E, como confio 100% nele, posso me concentrar nas partidas, no meu time e
no meu desempenho dentro de campo. Meu contrato com o Leverkusen vai até 2019 e
temos um acordo: no final da temporada, vamos sentar para conversar com a
diretoria sobre o que passou neste ano e os planos para o futuro.
Qual é o lado bom e o lado ruim de ser
famoso tão jovem?
Sou um
privilegiado. Não apenas por ter assinado um belo contrato ou porque as pessoas
me reconhecem e pedem um autógrafo ou uma foto quando estou sentado em um café.
Sou um privilegiado porque posso jogar futebol quase todo dia. Trabalho com
aquilo que realmente gosto. O futebol é um grande jogo.
Você veio ao Brasil no último verão. Do
que mais gostou por aqui?
Da
hospitalidade do povo brasileiro. E, claro, do clima agradável. Um dia de sol
na praia é algo que realmente toca seu coração. Ah, não posso esquecer: quase
todo mundo no Brasil parece ser louco por futebol e entende muito do esporte.
Bem, vamos falar sobre os Jogos Olímpicos.
Aqui no Brasil, a final olímpica do futebol foi considerada por muitos como uma
espécie de ”revanche do 7 a 1”. Você sentiu esse clima no Maracanã?
Senti
isso em todo canto. A derrota na Copa do Mundo de 2014 é algo que ainda dói no
coração do brasileiro. Foi uma tragédia nacional. Mas não acho que a medalha
olímpica de ouro e a vitória sobre nós mudou isso. Era um competição diferente,
com times diferentes, exceto Neymar [o brasileiro não participou do 7 a 1
devido a uma contusão]. Então, eu não chamaria de revanche.
Ainda sobre Olimpíada, você achou uma
certa apelação do Brasil usar um jogador já estabelecido internacionalmente,
como Neymar, em uma competição destinada a jovens?
Toda
seleção teve o direito de convocar três jogadores acima de 23 anos. Meu
companheiro de time Lars Bender, por exemplo, tem 27 anos e também é um jogador
estabelecido. Fiquei muito feliz por ter participado dos Jogos do Rio.
Quem é o seu maior ídolo no futebol? Por
quê?
Hoje
em dia, não tenho mais nenhum ídolo. Mas, quando eu era mais jovens e ia
assistir às partidas da Bundesliga na minha cidade natal, Bremen, costumava
admirar o Diego (no Werder). Ele era alguém especial, muito habilidoso, com uma
técnica quase perfeita e jogava de forma muito elegante. Fico realmente feliz
por ele ter voltado a jogar pela seleção.
Agora, para terminar, qual é a melhor
escola de futebol do planeta: a alemã ou a brasileira?
É
complicado para mim comparar essas duas filosofias. Elas são completamente
diferentes. A alemã é baseada em uma grande força mental e tem a determinação e
a disciplina como pontos muito importantes. Além disso, melhoramos muito nossa
educação futebolística nos últimos 15 anos. Já o futebol brasileiro é bem
diferente. Nele, a técnica é essencial. Todo movimento que eles fazem parece
fácil e eles são cheios de truques. Para nós, alemães, futebol é uma paixão. Só
que para os brasileiros, o futebol faz parte da vida, da identidade nacional.
Mas há algo que liga essas duas filosofias: ambas são muito vencedoras.

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