Jornalista diz que Flamengo não precisa de legitimação da CBF.

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Foto: Divulgação

ANDRÉ
ROCHA
: O Flamengo fez tudo certo em 1987. Foi campeão da Copa União, principal
torneio do futebol brasileiro daquele ano. Competição organizada e viável
financeiramente, mostrando que quando os clubes se unem são capazes de fazer
muito.

Time
com Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto que seriam campeões mundiais em 1994
pela seleção; com Leandro, Andrade e Zico do maior time que o clube já teve. Do
goleiro Zé Carlos, terceiro goleiro na Copa de 1990. Do Edinho de três Copas do
Mundo (1978, 1982 e 1986). De Renato Gaúcho, destaque maior do time comandado
por Carlinhos, um dos grandes treinadores da história do Flamengo. Também
selecionável. Mais Aílton, multicampeão pelo próprio Fla, mais Flu, Grêmio,
Botafogo…
Depois
enfrentou o status quo, não roeu a corda. Se a CBF admitiu que não tinha
competência para organizar o campeonato brasileiro e os clubes assumiram a
bronca, não fazia sentido devolver à entidade o bom produto que criaram. Muito
menos se submeter às mudanças impostas no regulamento – antes da bola rolar,
diga-se.
Grande
também foi o Internacional, vice-campeão que poderia ter visto no cruzamento
dos módulos uma chance de título e disputa da Libertadores, mas não recuou na
fidelidade ao Clube dos Treze. Porque era a chance de tomar para si as decisões
e minar as forças da estrutura federativa do nosso futebol.
Os
clubes falharam. O Flamengo pecou ao se rebaixar com um comportamento de
cordeirinho, suplicando e se humilhando diante da CBF para obter uma
equiparação. Ou dividir o título nacional com o Sport, que ao longo do tempo
passou a tratar a disputa legítima por seu direito conquistado como questão de
honra, uma guerra regional contra o ”eixo do mal”.
A Copa
União foi uma das conquistas mais simbólicas do Flamengo. De virtualmente
eliminado a campeão superando a equipe de melhor campanha, o Atlético Mineiro
de Telê Santana, primeiro tirando a invencibilidade no Maracanã e depois
vencendo no Mineirão em uma das maiores partidas já disputadas num estádio do
país cinco vezes campeão do mundo. Um título com a marca do ”Deixou chegar…”
A taça
não precisa mudar de nome para ganhar valor. Pode continuar sendo Copa União
para carregar suas lembranças. Não depende de uma das muitas canetadas que
reescrevem a história de acordo com a conveniência de seus caciques.
O
Flamengo apelou. Desceu ao nível dos dirigentes que ainda circulam por aí e na
época garantiram unidade e o título do rubro-negro carioca, mas depois, por
clubismo, bairrismo ou outros interesses, como uma ridícula Taça de Bolinhas,
rasgaram os próprios princípios.
Não
precisava. Que pena, Flamengo! Não por 1987, mas pela humilhação desde então.
Até hoje, no  recurso derradeiro atrás de
um título que já é seu. Que seja o último, para não ficar ainda mais feio.
Porque há trinta anos foi tudo lindo.

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