Lelê celebra boa fase no Flamengo: “Agarrei a oportunidade.”

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: Por Rafael Rezende
Nem
mesmo a desconfiança, vinda por parte da torcida, fez Lelê desanimar na chegada
ao Flamengo. Pelo contrário, deu força e motivação para o que vinha pela frente
na época, em julho de 2016. O tempo passou e o jovem, com tempo de quadra,
conseguiu mostrar seu repertório, superar as dúvidas e conquistar seu espaço
dentro do pentacampeão nacional.
Se
fora do ambiente esportivo, o jeito reservado é marca da personalidade, dentro,
o panorama é outro. Ciente de que só depende de si para vencer no basquete, o
jovem reconheceu que evoluiu durante a temporada regular e demonstrou foco.
– Eu
avalio meu crescimento através dos treinos, que possuem um nível altíssimo.
Dividir a quadra com o Marquinhos, que é meu ídolo e o melhor da posição, é
fantástico. Antes, ficava me perguntando: será que vou conseguir? Será que
tenho capacidade? E arrisquei. Quando cheguei, estava meio acuado, mas com
passar do tempo, fui pegando o jeito e encaixando no elenco. O trabalho da
comissão técnica é excepcional. Nos treinos, me enturmei devagar e saí da minha
zona de conforto. Com os diversos problemas de lesões, tive a chance de mostrar
meu estilo. Agarrei a oportunidade para não soltar mais e apresentei opções
diferentes de jogo para o grupo – reiterou.
De
forma lúcida, o ala analisou o desempenho na primeira fase, destacou o ponto
crucial e não hesitou ao falar de título.

Nossa campanha foi boa, mas com altos e baixos. Em nenhum momento tivemos a
equipe completa como hoje, apesar de estar faltando o Humberto, que é uma peça
importante. Chegamos a ter uma sequência de derrotas em casa, porém, demos a
volta por cima e recuperamos a liderança. Agora, o time está com uma cara que
ninguém conhecia antes. Alcançamos o planejamento inicial, só que não tem nada
definido. Campeonato de playoff se decide em playoff. Seguimos fortes, unidos,
e só vamos descansar quando ganharmos o NBB – afirmou, em tom determinado.
A
montagem do plantel foi citada pelo jogador, que elogiou bastante.
Posteriormente, o assunto rodou até a hora de escolher o ápice desses meses na
Gávea.
– Acho
que essa mescla está dando certo, porque os experientes precisam de descanso em
algumas horas e os novos entram para dar uma mudada. Neto e Rodrigo sempre
falam sobre isso com a gente, e tem gerado frutos. Escolher um jogo que deixa
isso claro é complicado, mas, para mim, foi Flamengo x Bauru no Tijuca. Apesar
da derrota, eu fui o cestinha. Imediatamente, lembrei de quando assistia pela
televisão e falava para os meus pais que queria jogar no clube. Essa partida me
marcou, não é todo dia que você consegue ser o maior pontuador no adulto.
Liguei para a casa, e falei que, ali, tinha encontrado a certeza de que estava
defendendo o manto com todas as forças – ressaltou e valorizou.
Logo
assim que desembarcou em terras cariocas para se apresentar, o camisa 9 treinou
com o Sub-22 e foi disputar a LDB. O troféu não veio, mas dois aspectos
importantes ganharam ‘corpo’: desenvolvimento e maturidade. Ambos ajudaram na
mudança da base para o profissional com auxílio de pessoas especiais.
– A
importância é grande, pois o Rodrigo fez um trabalho muito bom com a gente. Ele
apresentou situações que usaríamos no adulto e fomos melhorando nossos
fundamentos. Trabalhamos dribles e treinamos para atingir um nível melhor.
Isso, com certeza, ajudou na transição. Sem contar que é um cara que tem muita
relevância na minha carreira, porque me conhece desde pequeno, jogou com meu
pai. Eu o considero demais. E não posso esquecer do Fernandinho. Não o
conhecia, mas com o passar do tempo, percebi o quanto era fundamental. Se trata
de um treinador que cobra e passa as coisas mastigadas. Os dois têm
participação efetiva em todo processo – elogiou.
Apontado
por especialistas como possível revelação da nona edição do NBB, Lelê perdeu a
voz. Pela primeira vez na conversa, não soube o que dizer, se impressionou, e
encerrou com a maestria de um veterano.
– Fico
lisonjeado por saber algo assim, não sei muito o que falar, mas a sensação é de
felicidade. Eu quero ser a revelação, procurei trabalhar duro para isso. O que
vier, é consequência, mas minha cabeça está tranquila. Muita coisa mudou de um
ano para cá. Quer um exemplo? Nunca tinha dado entrevista, tive que aprender
(risos). É tudo novo, uma responsabilidade enorme, e estou administrando bem.
Para fechar o ciclo com chave de ouro, só falta ser campeão – concluiu
sorridente.

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