Luis Fabiano é punido e não “deve” enfrentar o Flamengo.

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Foto: Gazeta Press

ESPN: O
atacante Luis Fabiano, do Vasco da Gama foi suspenso por quatro jogos por ter
peitado o árbitro Luiz Antonio Silva Santos no clássico contra o Flamengo, em
Brasília, em 26 de março, pelo Campeonato Carioca. A decisão foi tomada de
forma unanimê na noite desta segunda-feira no TJD-RJ (Tribunal de Justiça
Desportiva do Rio de Janeiro). Assim, ficará fora do confronto com o próprio
time rubro-negro, no próximo sábado, na semifinal da Taça Rio, o segundo turno
do campeonato estadual.

A
expulsão ocorreu aos 8 minutos do segundo tempo, quando o placar apontava 1 a 0
para o Vasco. Luis Fabiano recebeu primeiramente o cartão amarelo ao derrubar o
volante Márcio Araújo numa tentativa de carrinho. Revoltado, ele afirmou: ‘Você
vai me dar cartão?”, e acabou peitando o árbitro, que chegou a se
desequilibrar, mas não caiu. Na sequência, Silva Santos expulsou o vascaíno,
que reagiu com dois dedos em riste.
Luis
Fabiano foi denunciado pela procuradoria do TJD-RJ em três artigos do Código
Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): 250 (ato hostil), 258 (conduta
contrária à ética desportiva) e 243-F (ofender a honra do árbitro). As penas
poderiam chegar a 15 jogos de suspensão, se fossem somadas, além de multa entre
R$ 100 e R$ 100 mil.
Luis
Fabiano foi punido com dois jogos no artigo 250 e mais dois jogos pelo artigo
258. Mas escapou de punição no artigo 243-F. O relator absolveu o jogador e
disse que não viu ofensa ao árbitro no lance. Também foi absolvido pelas
supostas palmas que bateu ao sair de campo, dizendo não haver provas de que ele
foi irônico.
Advogado
do Vasco, Paulo Rubens Máximo, chegou a falar em cena “hilária”,
atuação “mambembe” e “espalhafatosa” do árbitro, afirmando
que ele simulou a agressão. Um dos relatores do TJD-RJ rebateu. Falou em
“espírito de macheza”, atitude inaceitável de Luis Fabiano, mas
criticou o árbitro pela suposta simulação. Disse que o ato de Silva Santos fez
o futebol carioca “ter virado motivo de chacota no país”.
Vale
lembrar que Luis Fabiano já cumpriu um jogo no Campeonato Carioca. Portanto,
faltam três partidas para ele pagar a pena.
“A
decisão judicial ou a gente concorda ou desconcorda. Creio que o Vasco da Gama
vai descordar”, disse Rubens Máximo, admitindo que buscará recurso.
Defesa de Luis Fabiano
Após
toda a apresentação do caso, Luis Fabiano foi o primeiro a ser chamado para
depor. Acompanhado do advogado do Vasco, Paulo Rubens Máximo, ele disse que foi
abordado várias vezes de forma ofensiva por Silva Santos duante o jogo. Também
afirmou que isso ocorreu com outros jogadores, que passaram a sofrer com
ameaças do juiz.
“Estava
me buscando, falando coisas agressivas e me ameaçando. Dizia que ia me pegar e
ia me expulsar”, disse Luis Fabiano durante seu depoimento.
“Em
nenhum momento quis agredir o árbitro ou ofender ele. Quando tomei o amarelo me
dirigi a ele e disse: ‘Você vai fazer isso comigo?'”, acrescentou.
“Depois
que recebi o cartão vermelho, fiquei indignado e falei: ‘Isso é molecagem’. Não
como está na súmula que o chamei de moleque, que é diferente”, disse.
Após
se explicar, Luis Fabiano foi questionado pelos procuradores. Chegou a ter o
histórico de expulsões relembrando, mas disse que jamais foi expulso por
agredir árbitros.
Depois
voltou a se explicar sobre o lance ocorrido, com novos questionamentos dos
procuradores do TJD-RJ sobre o ocorrido em Brasília.
“Primeiro
que no lance do cartão amarelo eu escorreguei e não quis agredir o adversário
[deu um carrinho em Márcio Araújo]. Depois, com a encenação toda e com o cartão
vermelho, acabei me exaltando. Em nenhum momento agredi ou quis
agredi-lo”.
“Me
senti perseguido. Se tentasse falar com ele, ele me respondia de maneira
diferente daquela que usava com outros atletas. E falava com agressividade
comigo. Isso é antidesportivo. Não podia ter dialógo com ele, ele não
permitia”, acrescentou.
Sobre
a peitada, ao ser questionado se encostou no árbitro, respondeu:
“Tive
um leve contato sim, mas parei para não agredi-lo. Futebol é contato. No pênalti
contra o Flamengo todo mundo do Flamengo encostou no árbitro. Se é assim, o
critério tem de ser o mesmo para todos”, disse Luis Fabiano.
O
atacante insistiu que o árbitro encenou a agressão. Encerrou o depoimento
dizendo que bateu palmas para torcida ao deixar o campo e não para ironizar o
árbitro.
Justificativa do árbitro
Luiz
Antonio Silva Santos falou logo depois de Luis Fabiano. Logo de cara foi
questionado se teria ofendido Luis Fabiano ao longo do jogo contra o Flamengo.
“Quais
seriam essas palavras que eu teria dito [a ele] e o ofendido?”, rebateu o
árbitro. Ao ser avisado que deveria responder “sim” ou
“não”, disse: “Não”.
“O
que foi relatado na súmula foi o que houve. Ele me chamou de moleque, mal
intencionado”, repetiu o árbitro ao ser perguntado sobre o que ele
registrou na súmula. “Me senti ofendido moralmente”, concluiu sobre o
episódio.
Questionado
se Luis Fabiano encostou nele, disse: “Sim”. Em seguida, perguntado
se isso o desequilibrou no gramado, afirmou: “Sim”.
“Eu
chamo os jogadores pelo nome, quando eu sei o nome, senão eu chamo pelo apelido
que eles usam. Ou até mesmo [os chamo de] ‘Meu filho'”, disse Silva Santos,
negando ter ofendido Luis Fabiano durante o jogo.
Em
seguida, foi questionado se chegou a ameaçar o atacante de expulsão.
“Sim.
Existem formas de controlar o jogo. São estratégias da arbitragem. Se [o
jogador] fizer falta, se persistir [nesses lances], ele é advertido e ouve que
vai ser colocado para fora”, explicou o árbitro, negando ter ameaçado Luis
Fabiano.
Santos
Silva disse que redigiu a súmula no hotel, após a partida, ou seja, já ciente
de que estava suspenso pela Ferj por conta da polêmica no clássico (marcou um
pênalti inexistente para o Vasco, após a bola bater na barriga de um jogador do
Flamengo).
“Redigi
no hotel tendo em vista que o delegado da partida não estava mais no estádio.
Redigi a súmula mediante a fatos acontecidos no campo de jogo”, disse,
admitindo ter visto as imagens do jogo na TV antes de fazer a súmula. E também
afirmou que entregou o documento no outro dia para a Federação do Rio de
Janeiro.
O
árbitro disse que já sabia que estava suspenso pela Ferj ao redigir a súmula. Segundo
ele, tomou ciência da punição por 30 dias no vestiário do Mané Garrincha, após
a partida, mediante mensagem remetido ao celular do assistente Diego Barcelos.
Mas fez questão de dizer que a suspensão ocorreu pelo erro no pênalti, mas não
pela expulção.
Silva
Santos também afirmou que jamais fora afrontado com tamanha ira por um atleta.
Também disse que o meia vascaíno Nenê falou: “Ele errou, mas dá uma
segurada [na expulsão]”, tentando defender Luis Fabiano clássico.
Testemunhas
O meia
Andrezinho, do Vasco, e o diretor de competições da Ferj, Marcelo Vianna, foram
as testemunhas da defesa de Luis Fabiano.
O
primeiro disse que Luis Fabiano usou a palavra “molecagem” e não
“moleque” ao questionar o árbitro. Também disse que havia vários
jogadores ao redor de Silva Santos, todos falando e gesticulando ao mesmo
tempo, dificultando a identificação deles.
O
segundo, que exerceu o papel de delegado da partida em Brasília, e disse que
90% das vezes as súmulas são feitas no vestiário dos estádios, mas lembrou que
os árbitros têm até 72 horas após a conclusão do jogo para apresentar à
federação a súmula.
Também
disse que foi embora juntamente com o árbitro e não antes.
A confusão
Foram
utilizadas como base a súmula do árbitro Luiz Antonio Silva Santos, o Índio,
vídeos e reportagens do jogo. No documento, Silva Santos escreveu que Luis
Fabiano “partiu para cima” dele, o “afrontando”, enquanto
ele lhe mostrava cartão amarelo por falta em Márcio Araújo, no empate de 2 a 2
entre Vasco e Flamengo, em Brasília.
“No
susto, com sua atitude, ainda tentei dar um passo para trás, a fim de evitar
contato, mas ainda assim o jogador vem para cima, tocando o seu peito no meu,
me levando ao desequilíbrio. Ainda tive que usar os braços para evitar ir ao
chão. Após essa atitude desrespeitosa e agressiva, apliquei cartão vermelho
direto”, escreveu Índio na súmula.
Na
súmula, o árbitro também diz ter sido ofendido por Luis Fabiano. “Após me
recompor, fui cercado por alguns jogadores do Vasco, que tentavam a todo custo
que mudasse a minha decisão. O jogador expulso, continuou afrontando, colocando
os dois dedos junto ao meu rosto, intimidando e dizendo: ‘Você é moleque,
safado, mal intencionado'”.
“O
jogador do Vasco, Andrezinho, insistentemente segurava seu companheiro,
tentando afastá-lo, mas ele ainda vinha por trás, pela frente, dava voltas até
se afastar, e no momento da saída do campo batendo palmas ainda foi segurado
pelo técnico que tentava contê-lo e acalmá-lo”, relatou o árbitro Luiz
Antonio Silva Santos.

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