Na Taça Rio, a distância entre Vasco e Flamengo encolheu.

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Guerrero durante Vasco x Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

CHUTE
CRUZADO
: Por  Pedro Henrique Torre

Em um
turno, a inversão de caminhos. Um reviu os erros, trocou técnico e melhorou.
Outro se tornou mais previsível e involuiu. Rivais na semifinal da Taça
Guanabara, Flamengo e Vasco voltaram a se enfrentar na semifinal da Taça Rio
neste sábado. Antes estavam em patamares bem diferentes. Agora, mais próximos.
Melhor para o Vasco. Não só por avançar à final da Taça Rio, eliminar o maior
rival, mas por claramente ter um time bem mais sólido do que no início da
temporada. Pior, claro, para o Flamengo, que além de ter parado de evoluir,
caiu de produção. Lições a tirar em um empate sem gols, de futebol pobre e que
nem mesmo o fato de ser no Maracanã salvou.
O
Clássico dos Milhões teve início com as velhas provocações dos últimos tempos.
Guerrero e zagueiros vascaínos não se entendiam, trocavam acusações, recebiam e
davam pancadas sob um clima quente. Na prática, o jogo era igual. Milton Mendes
postou seu Vasco em um 4-4-1-1, com Andrezinho e Pikachu pelas pontas para
prender os lados do Flamengo. Muriqui, à frente de Nenê, mostrava estar fora de
sintonia, lento, sem tempo de bola.
Mas a
marcação vascaína em cima dos zagueiros do Flamengo dificultava muito a saída
de bola do rival. Não foi raro ver Diego sair da intermediária de ataque para
buscar a bola dos pés de Márcio Araújo ou Réver, já que o time, com os lados
trancados, estava sufocado. O 4-2-3-1 de Zé Ricardo indica ter caído no gosto
dos rivais.
Mancuello
aberto na direita se provou, de novo, solução ineficaz. Empurrado para o canto,
o argentino por vezes busca o meio e até o centro da área, ao lado de Guerrero,
causando confusão na marcação e abrindo espaço para os avanços de Nenê, por
exemplo, no setor. Gabriel pela esquerda não mostrou o mesmo fôlego de Everton,
poupado, para o vaivém entre ataque e defesa. Assim, Trauco, arma ofensiva
geralmente com a entrada para o meio, travou.
O jogo
se tornou bem ruim. Mas para o Vasco, com a vantagem do empate debaixo do
braço, estava até confortável. Um cerco que deixava o Flamengo nervoso com a
posse de bola. Sem um drible para desarmar a defesa rival, o time de Zé
Ricardo, de novo, passou a tentar os cruzamentos para a área. Réver até
conseguiu uma boa cabeçada. Mas muito pouco para o material que o técnico
rubro-negro tem em mãos. O Vasco, em contra-ataque, finalizou com Muriqui e
tentava os lançamentos de Douglas para Pikachu. E o primeiro tempo findou.
Na
volta para a segunda etapa, times iguais. E um Flamengo, ao menos, com mais
vontade de tentar a vitória que lhe daria a classificação para a semifinal. O
Vasco, então, esperou. Afinal, o rival se tornou previsível e desempenha abaixo
do normal já há alguns jogos. Arão, em noite sofrível, não ajudava Diego no
meio e tampouco Márcio Araújo, que se desdobrava com correria dentro de suas
limitações, na defesa. Mas o Flamengo tinha mais posse. Cercava, cercava
e…pouco criava, de fato, chances.

Ricardo, enfim, desistiu de Mancuello e lançou Berrío no lado direito. Guerrero
e Rodinei, em chutes de longe, fizeram Martín Silva entrar em ação com boas
defesas. Jogadas trabalhadas ou triangulações eram raras. Diego trocava com
Gabriel, buscava o lado esquerdo. E o Vasco se resguardava. Milton Mendes,
então, viu que o cansaço poderia levar ao perigo. Andrezinho saiu para a
entrada de Kelvin na esquerda. Berrío ficou mais preso.
O
ímpeto do Flamengo diminuiu e o Vasco, de novo, voltou a administrar. Douglas,
no meio, ditava o ritmo com o auxílio de Nenê à frente. À essa altura, Márcio Araújo
já ocupava a lateral direita, já que Rodinei deixou o campo esgotado e Ronaldo
entrou no meio. Zé tentou a última cartada com Leandro Damião na vaga de
Gabriel, formando um 4-4-2. Mas o time ficou desorganizado, espaçado do meio
para frente. Diego, no fim, ainda bateu forte pela esquerda para defesa de
Martín Silva, após passe de Guerrero. Foram 30 cruzamentos do Flamengo na
partida. Em vão. O Vasco, com 47% de posse de bola, avançou à final. Um jogo
que vale volta olímpica e o gosto de vencer. Vale.
Principalmente
a um Flamengo que há três anos não levanta uma taça. Desejar levantá-la e dar a
volta olímpica, seja ela qual for, faz parte da formação de um elenco vencedor.
Candidato a títulos pela qualidade do grupo neste ano, o Flamengo, ainda invicto
no Carioca, deveria se acostumar a isso desde o início de temporada. E Zé
Ricardo, certamente, tem com o que se preocupar. Embora invicto no Carioca, o
time despencou de desempenho. Tem posse, mas não cria chances claras. Voltar a
atuar em bom nível, como indicava no início do ano, não é simples como apertar
um interruptor ao bel-prazer. Como se fosse uma simples escolha. O desafio
diante do Atlético-PR será grande.
Ao
Vasco, claro, também vale a chance de disputar mais uma final. A confiança
cresce ao eliminar o maior rival mais uma vez. Mas, além disso, Milton Mendes
reestruturou o Vasco. Se está longe de ter apresentações de alto nível, o time
mostrou evolução. É mais organizado e seguro. Há uma ideia de jogo em prática,
com o time tentando constantemente repeti-la desde o primeiro jogo do técnico.
Douglas, Pikachu e, óbvio, Nenê têm sido importantes. O Clássico dos Milhões,
em um turno, saiu de Volta Redonda e voltou ao Maracanã. Mas a distância entre
os times, agora, parece ser bem menor.

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