No Flamengo, Olivinha celebra sua melhor temporada.

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Foto: SANDRO PEREIRA/CÓDIGO19/ESTADÃO

GLOBO
ESPORTE
: Pares de tênis, produtos de higiene pessoal, chinelos… Nesta
quinta-feira, Olivinha prepara mais uma vez a sua mala e ruma para o aeroporto.
Tetracampeão do NBB pelo Flamengo, o pivô começa na sexta-feira, em São Paulo,
a briga por outro título com o playoff de quartas de final diante do Pinheiros.
E se na arrumação para a viagem acontecer dele esquecer alguns dos itens
citados acima, tudo bem, desde que não deixe para trás o principal: seu
videogame. Viciado em futebol virtual, ele é o “rei” do Rubro-Negro
quando o assunto é o game Fifa. Organizado e sob um pseudônimo, disputa
partidas online, gere um time que ainda tenta engrenar na temporada e carrega
consigo, além do console, uma maleta com uma tela de 16 polegadas para não
largar o vício nem mesmo entre um voo e outro. Fissura, inclusive,
compartilhada com o elenco.


Sempre gostei de videogame, desde criança. Quem me apresentou o videogame foi
meu irmão (Olívia, ex-jogador de basquete). Tinha um Atari lá em casa. Comecei
a jogar e fiquei maluco. Todo Natal era um videogame, uma fita. Era o meu
pedido para o Papai Noel e meu pai fazia o esforço para me presentear. Sempre
que estou em casa fico na minha hora de lazer jogando. Até levo bronca da
patroa porque perco muito tempo. Lá no nosso time eu sou o rei, não tem para
ninguém. No Fifa eu mando. Ganho de todo mundo lá dentro. Meus patinhos são os
juvenis. Acham que os novinhos, que a molecada está sempre jogando videogame,
mas quando chega lá, sempre tomam. Marcelinho também gosta de jogar, é um
pouquinho mais duro, mas tenho uma vantagem sobre ele também – brinca Olivinha.
Pinheiros
x Flamengo: o SporTV 3 transmite o jogo 1 da série ao vivo, a partir das 21h, e
o GloboEsporte.com acompanha tudo em tempo real com vídeos.
Quando
não encara um companheiro de equipe, Olivinha joga online contra outros gamers
espalhados pelo Brasil e também de fora do país. Seu retrospecto, porém, não
pode se comparar ao que fez o Flamengo na temporada regular do NBB. Se o
Rubro-Negro venceu 21 jogos e perdeu sete, ficando em primeiro, no Fifa o
jogador mais perdeu do que ganhou no histórico de partidas do seu time. O
importante, contudo, é se divertir e passar o tempo dentro do hotel e dos
aeroportos entre uma conexão e outra. Foi por isso que quando o Flamengo viajou
para os EUA ele encontrou tempo para investir na tal maleta.

Quando você está dentro de um hotel, não tem muito o que fazer. Acabo levando o
videogame e por eu gostar, comprei uma mala quando fomos nos EUA jogar contra
as equipes da NBA. Levo para tudo quanto é lugar, principalmente nos
aeroportos, com o Marcelinho. Sentamos no chão, procuramos uma tomada. Quando
atrasa um voo, quando ficamos muito tempo no aeroporto, brincamos e passamos o
tempo. Quem gosta mais disso são os juvenis. Eles carregam a mala. É tranquilo,
estão calejados. Toda a viagem, a primeira coisa que fazem é me dar um bom dia
e pegar a mala da minha mão. Já estão bem treinados – dá risada ele, que está
na terceira de dez divisões do Fifa, em busca da afirmação como gamer.
“É a minha melhor temporada em
quadra”

Se a
patroa reclama de vez em quando do tempo perdido no videogame, o torcedor e o
técnico do Flamengo podem “agradecer” ao futebol virtual. O NBB
2016/17 marca talvez a melhor temporada da carreira de Olivinha. Ele é o líder
de eficiência no ano entre todas as equipes, com 20,1 e também lidera em
rebotes, com média de 10,1 por jogo. A média de pontos de 13,6 é a maior desde
que voltou ao clube, em 2012. O bom momento, ele garante, é resultado do
trabalho e do entendimento da importância que teria neste elenco formado.
– Essa
temporada está sendo a que tenho melhores números. Um bom número de eficiência,
rebotes, pontos, são meus melhores números. Estou me sentindo muito bem, desde
que a equipe foi montada senti que tinha uma responsabilidade maior, não
tínhamos os quatro pivôs no começo. Até agora está dando tudo certo, estou
dando conta do recado e que continue assim.
Tetracampeão
com o Flamengo, Olivinha sabe que a cada ano fica mais difícil repetir a dose.
Nesta sexta-feira, às 21h, com transmissão do SporTV, o time inicia os duelos
de quartas de final contra o Pinheiros, que derrubou o Vasco nas oitavas. O
pivô lembra que, apesar da boa campanha, o Flamengo perdeu sete jogos na
temporada regular. O número é o maior em 28 jogos desde 2012/13, quando começou
a escalada de títulos seguidos.

Somos a equipe a ser batida. Nos últimos quatro anos foram quatro títulos. Todo
mundo que joga contra o Flamengo quer fazer o jogo da vida. Sabem que tem uma
visibilidade maior quando ganha do time tetracampeão. Sabemos da nossa
responsabilidade, que a cada ano fica mais difícil. Esse ano foi a temporada
mais complicada, mais equilibrada. Tivemos sete derrotas no campeonato todo.
Temos que fazer um trabalho cada vez mais forte, pois nosso time foi montado
para brigar pelo título em todas as competições que disputamos – frisa o
jogador.
Diante
do Pinheiros, Olivinha quer ver o Flamengo ligado na velocidade da jovem equipe
rival e também no jogo de garrafão, ponto forte dos paulistas. Depois da
partida em São Paulo, o Rubro-Negro faz os jogos 2 e 3 no Tijuca, na segunda e
quarta-feira, 24 e 26 de abril.
– Eles
chegam motivados. Tiveram uma reta final boa na primeira fase. Venceram o
Vasco, que fez bom torneio na volta. É um time jovem, que corre bastante, que
gosta do contra-ataque e faz boa defesa. O ponto forte deles é o Bennett, que
fez uma excelente temporada. E eles têm um jogo interno bom com Ansaloni e
Teichmann, são jogadores que podem nos causar problemas.

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