Nossa histórica fábrica (ameaçada) de grandes laterais.

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Foto: Divulgação

PERÓN
NA ARQUIBANCADA
: Quando se trata da posição de lateral o futebol brasileiro
sempre apareceu como referência. Hoje, além de Daniel Alves e Marcelo, que nos
últimos anos estiveram em todos as seleções ideais da temporada, temos nomes
como Filipe Luís, Alex Sandro, Danilo, Mariano, Bruno Peres, Emerson, Fabinho
(que está jogando mais de volante), Jorge e Maxwell – com certeza devo ter
esquecido algum nome e conto com a ajuda de vocês -, que atuam com em grandes
times da Europa.

A
forma de atuar de um lateral mudou muito e os brasileiros sempre  se adaptaram muito bem as mudanças, alguns
até foram protagonistas na evolução da posição. Nomes como Djalma Santos,
Nilton Santos e Carlos Alberto Torres provaram que aos jogadores da posição não
precisavam apenas marcar os pontas e poderiam também aparecer no ataque, já nos
anos 1950 e 60. Na década de 1970, quando laterais começaram a ter cada vez
mais espaço para apoiar, Nelinho, no Cruzeiro, e Marinho Chagas (Botafogo), já
se transformavam em opções ofensivas de seus times.
Na
esteira deles surgiram nomes como Leandro e Júnior (Flamengo), que eram peças
importantes no time que conquistou tudo no início dos anos 1980. Aliás, desde
lá – e vale até hoje -, passou a ser fundamental que os grandes times e
seleções tivessem laterais efetivos e assim foram também surgindo nomes como
Branco, Jorginho, Mazinho, Cafu, Leonardo, Roberto Carlos, Zé Roberto,
Serginho, Zé Maria, Maicon, Júnior (ex-Palmeiras e São Paulo), alguns tão bons
tecnicamente que se transformaram em volantes e/ou meia, posições que também
tiveram sucesso.
Defender
e atacar com eficiência. Esses sempre foram os grandes diferenciais dos nossos
laterais. Na Europa, por exemplo, por muito tempo eram necessários dois
jogadores para fazer o que um bom lateral brasileiro conseguia fazer com
sucesso. Nossos laterais, desde as categorias de base, sabem que precisam
atacar, buscando a linha de fundo ou entrando na diagonal na defesa contrária,
além de voltar e cercar o ataque do adversário e são preparados fisicamente
para executar todas essas funções durante os 90 minutos.
Por
outro lado, na Europa, os laterais sempre foram muito mais zagueiros do que
apoiadores, tanto que para ter força pelos lados do campo, nos anos 1980, eles
passaram a atuar jogadores de meio, como alas, e três zagueiros, o que foi o
3-5-2. Atualmente há a adaptação de atacantes rápidos atuando pelas beiradas,
na tentativa que eles tenham destaque na parte ofensiva e também ajudem na
marcação.
E é
isso me deixa preocupado. Como a maioria dos nossos times agora atua com homens
abertos pelos lados, os nossos laterais não encontram mais espaço para apoiar.
Em muitos casos, eles trombam com os pontas, principalmente se nenhum meia
chegar para acontecer uma triangulação. Assim, temo que em pouco tempo passemos
por retrocesso e que nossos laterais voltem a ter a função exclusiva de marcar
pontas. Que isso nunca aconteça, pois na posição os brasileiros sempre
estiveram na vanguarda e sempre serviram de modelo para o futebol mundial.
Mais
pitacos: @humbertoperon

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