Odebrecht moldou edital para ganhar licitação do Maracanã.

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REUTERS/Nacho Doce

UOL: Amparada
por um total de R$ 120 milhões em propinas ao ex-governador Sérgio Cabral e a
campanha de Luiz Fernando Pezão, a Odebrecht se considerou autorizada a exigir
mudanças no edital de licitação da reforma do Maracanã. A empreiteira tinha
razão em se sentir tão poderosa e o governo do Rio de Janeiro atendeu o pedido
publicando um edital sob medida para a empresa.

A
revelação das exigências foi feita pelo delator Marcos Vidigal do Amaral,
executivo da Odebrecht. Ele comunicou a Hudson Braga, que já foi secretário de
Obras do Rio de Janeiro, como o texto deveria ficar para favorecer a
empreiteira.
“O
edital foi publicado e antes de ser publicado eu apresentei algumas exigências
no papel para Hudson Braga, que essas exigências fizessem parte do edital. E
ele se comprometeu a dar segmento e, de fato, isto ocorreu”.
O
artigo 9.3 do edital foi redigido sob encomenda da Odebrecht. Este item
estipulava que a empreiteira vencedora deveria ter construído um complexo
esportivo com pelo menos 30 mil lugares, instalado 20 mil assentos e ter
experiência em obras de acesso a estádios. Como era antes da Copa do Mundo,
nenhum concorrente atendia os requisitos, somente a Odebrecht.
“Eram
restrições próprias para quem tinha executado um estádio e nós tínhamos no
acervo recente a conclusão do Engenhão e estávamos garantidos”.
O
executivo da empreiteira falou que o valor da propina era um percentual sobre o
total dos contratos. No começo a empresa não concordava com este sistema, mas
aceitou com receio de comprometer a relação com o governo do Rio de Janeiro. O
ex-governador Sérgio Cabral recebeu R$ 5 milhões em repasses ilícitos referente
a reforma do Maracanã, conforme o Blog do Rodrigo Mattos.
Marcos
Vidigal disse o comum era dividir os pagamentos em quatro parcelas, mas no caso
do Maracanã foi numa tacada só. O delator também contou que não houve propina
referente ao aumento de preço nas obras do Maracanã. A estimativa era custar R$
700 milhões, mas saiu R$ 1,05 bilhão. Ele justificou o acréscimo afirmando que
foi preciso refazer a cobertura do estádio.
TCE cobrou sua parte
No
momento de escolher qual empresa iria administrar o Maracanã depois da reforma,
a Odebrecht precisou desembolsar mais dinheiro ilícito. João Borba Filho,
executivo da empreiteira, recebeu um recado no primeiro semestre de 2013
dizendo que “precisava entrar em contato com o Tribunal de Contas do
Estado para acertar”.
A
tarefa coube a Leandro Andrade Azevedo, diretor da empresa que também se tornou
delator. Ele contou que ficou combinado o pagamento de R$ 4 milhões aos
conselheiros, divididos em quatro parcelas. A propina foi combinada com Jonas
Lopes, então presidente do tribunal.
O
primeiro pagamento foi realizado em 17 de março de 2014, revelou Leandro. O
apelido dado ao TCE foi Casa de Doido e a senha para a entrega do dinheiro foi
morango. Toda semana o departamento de propina da Odebrecht gerava uma planilha
com codinomes de quem receberia recursos e as senhas que usariam. Naquela
ocasião, foram usados vários nomes de frutas e comidas como senha.

Durante
a delação, o funcionário da Odebrecht disse que o presidente do TCE demandava
muito e era chamado todas as semanas ao escritório dele. As visitas incluíram
os dias que precederam o Natal de 2014. Leandro afirmou que o tribunal estava
em recesso e o Jonas Lopes sentado em sua mesa assinado cartões de Natal.
Ele
reclamou com o funcionário da Odebrecht que a segunda parcela da propina
deveria ser paga naquele mês. Leandro argumentou que a Operação Lava Jato
estava em curso e apontou a capa do jornal O Globo, que tinha manchetes sobre a
prisão de executivos da OAS.
O
delator contou que o presidente do TCE do Rio de Janeiro ficou sem graça e
justificou que os outros conselheiros estavam reclamando. Leandro declarou que
as outras parcelas não foram quitadas. Em março, cinco dos sete conselheiros do
tribunal foram presos pela Polícia Federal.

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