Organização x Títulos: um dilema que não existe no Flamengo.

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Gazeta Press

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: Por João Luis Jr.

Seja
qual for a sua opinião sobre a atual gestão do Flamengo, é fato que, desde sua
chegada ao poder, no final de 2012, o clube vem passando por um processo de
reorganização e saneamento financeiro. Salários foram colocados em dia, obras
de infraestrutura, como o CT do Ninho do Urubu, foram realizadas, dívidas do
clube, antes vistas como mais sagradas do que algum dinheiro que Jesus tivesse
perdido numa roda de pôquer na mesa da Santa Ceia, foram pagas.
Ao
mesmo tempo, é fato que, dentro deste mesmo período, o clube não vem exatamente
conquistando muitos títulos. Ganhamos uma Copa do Brasil em 2013, um Campeonato
Carioca em 2014 e foi isso. Em quatro temporadas, dois títulos, sendo um
nacional, um estadual, além de algumas eliminações constrangedoras em
competições como a própria Copa do Brasil e a Sul-Americana – fora várias
derrotas em clássicos que não caíram muito bem com a torcida.
Duas
fases simultâneas e que, na cabeça de alguns torcedores, acabaram se tornando
correlacionadas. “O Flamengo organizado não vence”, “Essa equipe é muito
certinha, bom era o time bandido de 2009”, “Legal era quando tínhamos na gestão
do clube nomes como Patrícia Amorim” são algumas das frases de efeito que
enchem as caixas de comentários sempre que o Flamengo cai em uma competição ou
perde de um rival local cuja qualidade técnica é claramente inferior à do
elenco rubro-negro.
E
ainda que eu acredite que não existe jeito errado de torcer ou opinião inválida
de torcedor, já que todos nós estamos apenas manifestando nosso amor pelo
Flamengo, esse tipo de pensamento é, se você for analisar o clube de maneira
racional, não apenas equivocado, como nocivo para a instituição Flamengo.
Desorganização
e “desonestidade” não constam, de maneira alguma, da lista de características
que definem o Flamengo. Momentos de enorme desorganização institucional do
clube geraram times imensamente vencedores? Sim, realmente. Mas esses times não
venceram por conta da desorganização, e sim apesar dela. Um Flamengo que venceu
com salários atrasados, sem estrutura para treinos, mostrou apenas que é tão
grande que, mesmo quando fora de campo estamos sendo comandados por Walteres
Minhocas das finanças, dentro do campo um Petkovic ainda consegue bilhar.
Da
mesma forma, o Flamengo já teve atletas de conduta questionável? Sim, tivemos.
Mas não apenas nosso maior ídolo histórico é Zico, um homem de moral
inquestionável, como mesmo na equipe campeã brasileira de 2009, que vários
associam com um grupo “desregrado”, o gol do título foi feito por Ronaldo
Angelim, um cidadão tão honesto, tão correto, tão do bem que, se você deixar
seu cartão de crédito na mão dele, com senha e tudo, o maior risco que você
corre é dele usar seus dados pra colocar mais 50 reais na sua conta porque viu
que seu boleto da NET vai vencer e você vai ficar sem a ESPN pro jogo da semana
que vem.
Ser
organizado não é antítese de ser vencedor, assim como não são opções
excludentes. O Barcelona não vence porque perdoa noitada do Messi, o Bayern não
ganha porque deixou as finanças de lado pra montar um super-time. Os vencedores
são vencedores porque sabem balancear competitividade e organização, não porque
escolheram entre uma coisa e outra.
O
Flamengo não vem vencendo da maneira que gostaríamos? Realmente não, e esse vem
sendo o principal ponto fraco dessa gestão, que vem montando times fortes mas não
decisivos. Entretanto, um clube organizado, sério, que paga salários em dia e
contribui de maneira positiva com a sociedade e a comunidade ao seu redor, é
com certeza o terreno mais fértil possível para que esse grupo vencedor possa
ressurgir.

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