Orlando Berrío foi um erro do Flamengo.

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

ANDRÉ
ROCHA
: Trinta
e quatro minutos do segundo tempo de um Fla-Flu em Cariacica que não valia
muita coisa para a sequência da Taça Rio de um esvaziado Campeonato Carioca.
Poucos segundos depois da expulsão de Pará que deixou o rubro-negro com dez
homens.

Orlando
Berrío, considerado o mais veloz do mundo depois de Gareth Bale, arranca desde
a intermediária, deixa todos para trás com facilidade. Mas na hora de definir o
lance à frente de Diego Cavalieri adianta de forma grotesca e praticamente
atrasa para o goleiro tricolor. O jogo estava 0 a 0. No apito final, 1 a 1 com
o Fla buscando o empate no minuto derradeiro com Willian Arão.
O
Flamengo terminou 2016 com o consenso de que precisava buscar um atacante
diferente dos pontas velocistas que dispunha no elenco. Já que o técnico Zé
Ricardo tem a ideia de propor o jogo, ocupar o campo de ataque e ficar com a
bola para criar espaços, a necessidade era de um ponteiro driblador e criativo.
Também bom finalizador, para ajudar uma equipe que precisa de muitas chances
para ir às redes.
O nome
era Marinho, que até deu preferência ao Fla no caso de ficar no Brasil. Parou
na China. Veio Berrío, credenciado pelo título da Libertadores conquistado pelo
Atlético Nacional. Em 12 jogos no torneio continental, marcou quatro gols e
serviu três assistências. Na Copa Sul-Americana, em oito jogos com
classificação para a final com a Chapecoense que não aconteceu foi às redes
apenas uma vez e entregou também um passe para gol.
Mas
neste caso os números não eram tão relevantes. Berrío é forte e muito veloz. Se
for preciso faz todo o corredor pela direita, indo e voltando. Mas nas
características principais não difere muito dos jogadores que o clube já
utilizava – Gabriel, Everton e Marcelo Cirino, que acabou não saindo para o
Internacional.
A
personalidade e a entrega em campo até cativaram o torcedor. O gol na estreia
contra os reservas do Grêmio na Primeira Liga ajudou, embora a tola expulsão na
única derrota da temporada para a Universidad de Chile pela Libertadores tenha
esfriado a empolgação da massa.
Mas
efetivamente Berrío contribui bem pouco no que o Flamengo mais precisa:
criatividade para abrir a defesa. O time que se propõe a atacar o tempo todo só
tem pelos lados atletas que precisam de espaço para acelerar. Não têm a técnica
e a habilidade como principais virtudes.
Ou
seja, Berrío chegou para ser mais um. Este que escreve confessa que percebeu a
incoerência da contratação desde o início, mas concedeu o benefício da dúvida e
esperou para ver se por um desses acasos do futebol o encaixe funcionaria ou
aconteceria um ”milagre”, ainda que com prazo de validade – como Paulinho,
ponteiro que brilhou na Copa do Brasil 2013 para depois sumir aos poucos até
deixar o clube.
Até
aqui as perspectivas não são as melhores. Berrío luta, tem fibra. Mas na técnica
entrega bem pouco, mesmo em um contragolpe com muito espaço para correr. Como
no Fla-Flu em Cariacica.
A
torcida anda impaciente com Rafael Vaz e Márcio Araújo. Mas estes foram peças
importantes na boa campanha no Brasileiro de 2016 e a manutenção no elenco para
este ano tinha sua lógica, ainda que com a titularidade questionável.


Berrío pode até fazer gol de título. Mesmo assim continuará sendo um erro de
avaliação da comissão técnica e da diretoria. O ponta que o Flamengo continua
precisando não é o colombiano.

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