Os goleiros e a espera pelos pênaltis.

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Alex Muralha, goleiro do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

PERON
NA ARQUIBANCADA
: Com a chegada dos jogos decisivos dos Campeonatos Estaduais, a
possibilidade de uma vaga – ou título – ser decidida em tiros livros desde a
marca do pênalti (prefiro mesmo disputa por pênaltis) é muito grande. Na
semana, o herói neste tipo de desempate foi o goleiro Aranha, da Ponte Preta,
que defendendo o chute do zagueiro David Braz (Santos) colocou o time de
Campinas nas semifinais do Paulista.

É bom
dizer que todo goleiro adora estar em uma disputa por penalidades. É neste tipo
de decisão o arqueiro tem tudo para se consagrar. Mesmo se cometeu algum erro
durante a partida, se pegar uma, ou duas penalidades, o arqueiro já será o
tratado como herói.
O caso
do Aranha ilustra bem o exemplo. Na disputa contra o Santos, o fato que sempre
será marcante é que o goleiro defendeu, muito bem por sinal, o chute de David
Braz, e poucos se lembrarão que os jogadores da Ponte Preta foram perfeitos nos
chutes e não deram chances para o santista Vanderlei, goleiro conhecido por
defender pênaltis.
Para
ter sucesso nas decisões por pênaltis é preciso preparo. As defesas que os
arqueiros praticam nas penalidades não acontecem por um simples golpe de sorte.
Para evitar o gol é preciso ter elasticidade e um tempo de reação perfeito para
fazer o salto momento certo e desviar a pelota. Também ajuda muito saber qual
era a característica dos batedores e ficar muito atento na movimentação do
batedor quando ele corre para fazer o chute, até a posição dos braços pode
indicar qual será a direção do chute.
Não gosto
do artifício, mas com algumas informações, o goleiro consegue “adivinhar” o
canto do chute e salta antes da cobrança. No caso, se o batedor observar o
arqueiro durante a corrida antes da cobrança não vai ter nenhuma dificuldade e
chutará uma penalidade praticamente com o gol livre. Prefiro quando o arqueiro
espera, até o último momento e espere o chute, para fazer o salto, o que não é
tão simples. Acho que as possibilidades de defesa aumentam muito.
Catimbar
e encarar o batedor também podem ajudar, mas ficar se mexendo muito antes da
cobrança não recomendo, pois evita que o goleiro preste atenção nos sinais que
o cobrador pode passar antes da cobrança.
Além
de esperar – ou não – o atacante chutar para saltar, lembro de uma tática bem
clara utilizada por um goleiro em decisões de penalidades – ela também pode ser
adotada quando não se conhece os batedores adversários – o que hoje é difícil
no futebol profissional, mas você pode usar nas peladas.
Nas
primeiras cobranças tente saltar o mesmo canto, algumas vezes de maneira bem
exagerada, até antes do chute. No último chute troque de lado, pois o atacante
percebendo os saltos para um lado apenas vai chutar no canto que você não
saltou nas primeiras cobranças. A defesa é garantida. Se os seus companheiros
acertaram as cobranças é só correr para os abraços e virar o herói do dia.
A
estratégia descrita no parágrafo anterior foi utilizada por Schumacher, goleiro
alemão nas Copas de 1982 e 1986, e ele se deu bem. Com ele a Alemanha ganhou
nos pênaltis da Franca, em 1982, – primeira decisão por pênaltis na história
dos Mundiais, e do México, quatro anos depois.
Dar a
vitória para o seu time em decisões por pênaltis faz a carreira de qualquer
goleiro dar um salto. É só a gente se lembrar do que aconteceu com Gatito
Fernandez, que se firmou no gol do Botafogo após defender três penalidades
contra o Olímpia, em uma partida que ele começou no banco – e garantiu o time
carioca na fase de grupos da Copa Libertadores.
E o goleiro do seu time? Você confia nele em uma decisão por pênaltis?
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pitacos: @humbertoperon

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