Pezão cede à pressão e prepara entrega do Maraca ao Flamengo.

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Torcida do Flamengo no antigo Maracanã – Foto: Divulgação

O TRICOLOR: A pressão feita nos bastidores e na mídia funcionou
mais uma vez. A Lagardère fechou negócio para compra da concessão do Maracanã à
Odebrecht, processo apoiado desde o início pelo governo do Rio de Janeiro, e já
iniciava a ocupação do Maracanã, mas desde o início desta quinta-feira a
Flapress já anunciava a reviravolta. Pezão, governador do estado, voltou atrás,
pressionado por procuradores do estado, e decidiu abrir nova licitação,
anulando a atual concessão.

A
decisão tem um grande prejudicado e um grande beneficiado. O prejudicado é o
Fluminense, que, com a decisão, perderá, a partir da nova concorrência, o
contrato que tem com o Consórcio Maracanã. O grande beneficiado é o Flamengo,
que deseja tomar para si o estádio em uma nova licitação, que seria aberta aos
clubes. Na verdade, quando se diz aos clubes, se está, na verdade, falando do
Flamengo, único em condições financeiras de participar efetivamente de uma
sociedade para a gestão do complexo esportivo, uma vez que tem o apoio
financeiro das Organizações Globo, através da distribuição das receitas da
televisão.
Caberá
ao Fluminense buscar um parceiro para participar da licitação, que pode ser a
própria Lagardère, mas o clima nos bastidores sinaliza que dificilmente o
interesse rubro-negro não será fator prioritário para a escolha do novo
concessionário. Tanto que o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello,
já comemora a posse do estádio.
– Nós,
do Flamengo, já esperávamos que o governo do RJ tomasse a decisão de promover
uma nova licitação do Maracanã por entendermos que essa é a solução que garante
mais transparência no processo, mais segurança jurídica aos potenciais
interessados e a que atende aos legítimos interesses do contribuinte, que, em última
análise, é o verdadeiro dono do estádio – afirmou Bandeira ao O Globo.
Audiência pública no próximo dia 27 de
abril
A
justificativa para a decisão é a segurança jurídica do processo, em razão das
delações de executivos da Odebrecht por conta da Operação Calicute, que envolve
a empresa em pagamento de propinas, superfaturamento e participação em processo
viciado de licitação, no qual a prejudicada foi exatamente a Lagardère, que era
a única concorrente, sendo que os vícios na licitação eram conhecidos desde
2013, sem que causasse qualquer comoção na grande mídia, apesar das tentativas
do deputado Marcelo Freixo de tentar melar o processo. Freixo, na ocasião
atentava para o fato de um dos consórcios envolvidos na concorrência, ter sido
também o responsável pelo estudo de viabilidade econômica.
Em
resumo, o Flamengo deu dois grandes passos para se tornar força hegemônica no
futebol carioca. O primeiro foi enfraquecer o Fluminense economicamente, já que
o clube perde um contrato extremamente vantajoso. O segundo foi abrir caminho
para ganhar uma nova licitação e se estabelecer como concessionário do estádio,
o que enfraquece ainda mais o principal e mais temido rival, que, pelos planos
rubro-negros, ficará alijado do uso do estádio, pelo qual teria que pagar o
aluguel determinado pelo Urubu caso lá deseje mandar suas partidas.
O
Fluminense deve entrar, a partir de agora, em uma batalha feroz para evitar que
o pior aconteça. No próximo dia 27 de abril, às 13h, ocorrerá uma audiência
pública para debater o futuro do Maracanã, que ocorrerá no anexo da ALERJ. O
presidente do Flamengo estará presente. O do Fluminense, Pedro Abad, também
comfirmou presença.

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