Receita recorde coloca Flamengo entre os mais ricos do mundo!

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Gávea, Sede do Flamengo (Wallpaper) – Foto: Gilvan de Souza

OLHAR
CRÔNICO ESPORTIVO
: Por Emerson Gonçalves

Ao
apresentar o balanço do Flamengo referente ao ano de 2016, ontem, o presidente
Eduardo Bandeira de Mello comemorou a redução de 13% no valor da dívida do
clube e sua queda para R$ 390 milhões.
Uma
mais do que justa comemoração.
Esse
resultado já era previsto quando o balancete do terceiro trimestre foi
divulgado e a expectativa dos dirigentes, comentada neste OCE, foi
concretizada:
“A
receita bruta deverá fechar entre R$ 410 e R$ 420 milhões, ao passo que a
dívida fechará com valor entre R$ 380 a R$ 400 milhões.” (aqui)
O
valor da receita acabou sendo bem superior ao que estava previsto, o que
aconteceu graças às luvas por um novo contrato de direito de transmissão
assinado pelo clube próximo ao final do ano.
O
clube também terminou 2016 com um grande superávit – R$ 153,4 milhões – 18%
maior que o registrado em 2015. No fechamento do balancete, contudo, a previsão
era um superávit excelente, porém mais modesto, abaixo de 60 milhões. Esse
valor apresentava uma queda em relação a 2014, quando o superávit foi turbinado
pela assinatura do PROFUT, que deu ao clube uma redução de 91 milhões em sua
dívida tributária.
Vamos
falar da receita, agora, pois é com ela que se paga dívida. E, com a dívida
paga e a casa em ordem a receita cresce – essa é a tendência.
Receita
de 2016 põe Flamengo no Top 30 mundial
R$
510,1 Milhões…

149,1 Milhões…
29º do
Mundo…
Esses
são os números em reais e euros da Receita Bruta do Flamengo em 2016, incluindo
a contabilização de R$ 100,4 Milhões em receita de direitos de transmissão, o
Broadcasting (esse valor será explicado mais adiante), recebidos como luvas por
cona da assinatura de novo contrato de direitos de transmissão. Com esse
resultado e considerando o cambio de 31 de dezembro de 2016, o Flamengo
entraria na lista Top 30 da Football Money League, estudo anual da divisão
britânica da consultoria mundial Deloitte, que os leitores regulares deste OCE
vêm acompanhando há anos.
Observação
importante e necessária: se, a exemplo dos times europeus, considerarmos
somente a receita operacional do futebol e não a receita total como considerei
nessa abertura do post, a posição do Flamengo ficaria bem abaixo da 30ª, com um
total € 125,5 Milhões.
O FANTÁSTICO CRESCIMENTO RUBRO-NEGRO E
NOVA QUEDA NA DÍVIDA 
Como é
sabido e é praxe, o OCE acompanha a estrutura de contas do antigo G 14 e da
Deloitte e sua Football Money League, que consideram como receitas operacionais
aquelas que são recorrentes e, portanto, menos sujeitas aos acasos e às
intempéries, sejam da economia, sejam da bola rolada nos gramados. Não são
consideradas as receitas com transferências de atletas, assim como receitas
provenientes de áreas sociais ou amadoras e outras receitas, como as
imobiliárias, por exemplo.
As
receitas operacionais do futebol são aquelas com as quais um clube pode e deve
contar para sua manutenção e crescimento.
É
importante frisar, igualmente, que toda a filosofia da UEFA voltada à
sustentabilidade dos clubes e ao fair play financeiro está fortemente
alicerçada nesse conjunto de contas.
Numa
postura moderna e coerente com o desenvolvimento do futebol, o Flamengo vem
trabalhando suas receitas dentro dessa praxe, buscando que cada um dos três grandes
grupos de faturamento se aproxime de um terço do total. O clube, inclusive,
adotou a mesma nomenclatura europeia, com pequena variação na referente à
bilheteria. Aliás, este OCE também optou por mudar a nomenclatura de
‘’bilheteria’’ para Jogos/ST.
EVOLUÇÃO CONSISTENTE DAS RECEITAS
No
final do texto o leitor encontrará uma sequência de gráficos mostrando as
receitas brutas e operacionais, inclusive com a divisão por contas, no decorrer
dos últimos 10 anos, ou seja, desde 2007.
No
primeiro ano mostrado, 2007 a Receita Operacional do Flamengo foi pouco
inferior a 60 milhões de reais, equivalentes, então, a 23,1 milhões de euros.
Em
2016, 10 anos depois, ela foi de 429 milhões de reais ou 125,4 milhões de
euros, cinco vezes e meia maior. Em reais, ela foi, simplesmente, sete vezes
maior!
Entre
1º de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2016, a inflação brasileira acumulada
foi de 76,5%. Com isso, temos que a receita do futebol rubro-negro foi mais de
seis vezes maior que a inflação do período.
Os
gráficos mostram também que o desempenho da segunda metade desses 10 anos foi o
que fez a grande diferença. A atual gestão iniciou seu trabalho em janeiro de
2013, a rigor, já que foi eleita em dezembro do ano anterior. O clube já havia
apresentado dois anos razoáveis em termos de receitas operacionais e passou a
ter, desde então, um crescimento contínuo e, repito, pois é importante,
consistente, apesar da brutal depressão sofrida pela economia brasileira em
2015 e 2016, com quedas seguidas no PIB e, fato gravíssimo, uma explosão
inflacionária cujos efeitos são ainda fortes.
A GRANDE RECEITA DE 2016
As
previsões apontavam para uma excelente receita no ano passado, o que de fato
aconteceu, mas houve um fator que turbinou fortemente os números da receita, como
disse no início: a assinatura do novo contrato de direitos de transmissão,
válido para 2019 a 2024, que gerou luvas no valor de R$ 120 Milhões.
Esse
bônus por assinatura de direito irrestrito, ou seja, que será recebido pelo
clube independentemente do que vier a acontecer, como, por exemplo, uma queda
de divisão, foi contabilizado em 2016 pelo valor presente de R$ 100,4 Milhões.
O que
significa isso?
Do
valor total, o Flamengo recebeu R$ 70 Milhões em 2016. Os outros 50 milhões
serão pagos, com valores corrigidos, em 2019 e 2021, em parcelas de 30 milhões
em 2019 e 20 milhões em 2021.
Ao
lançar essas luvas no balanço de 2016, o Flamengo trouxe-as para o ‘’valor
presente’’, ou seja, descontando os recebimentos futuros.
Muitos
especialistas da área contábil não consideram as luvas por assinatura de
contratos futuros como receita recorrente e, portanto, como receita
operacional. Ou, ainda, acreditam outros que esses valores devem ser
contabilizados durante o período do contrato. Pessoalmente, concordo com a corrente que tem a visão desses valores
como parte das receitas operacionais, pois é isso que elas realmente são, ainda
que não se repitam anualmente, e devem ser consideradas. E, por extensão
lógica, fazem sua contabilização no exercício da assinatura e do pagamento
correspondente.
O
impacto desse pagamento foi grande sobre a receita do ano passado, como mostram
claramente os gráficos, um deles mostrando a evolução da receita
Broadcasting  SEM a contabilização dessas
luvas.
O
efeito combinado da recessão econômica e um desempenho esportivo um pouco
abaixo do esperado pelos torcedores, apesar da excelente colocação no
Brasileiro e a classificação para a Copa Libertadores 2017, gerou uma queda de
R$ 26,7 Milhões – equivalentes a 16,8% – na receita combinada de Marketing e
Jogos/ST em 2016, quando comparamos com o desempenho de 2015.

Assim
mesmo, o crescimento da receita Broadcasting, mesmo sem as luvas, compensou
amplamente essa perda.
Vivemos
um período em que consolidar o que existe e buscar sustentabilidade para
enfrentar novos tempos e novos desafios são fundamentais para países, empresas,
para nós mesmos, ‘’enquanto pessoas físicas’’ e, naturalmente, para os clubes
de futebol.
Acredito
que a gestão do Flamengo tem realizado isso de forma exemplar. Na verdade,
muito mais que isso, pois ela conseguiu recuperar o clube e dar a ele uma nova
perspectiva, só imaginada pelos torcedores mais otimistas ou mais sonhadores.
E os
títulos?
Virão.
No tempo devido e da melhor forma possível – virão como decorrência de boas
gestões, virão como decorrência de um clube saudável econômica e
financeiramente.
Há que
ter paciência, pois o resultado compensará.
Para
os demais clubes brasileiros, quase a totalidade, no mínimo, fica o exemplo,
fica a lição do trabalho desenvolvido no Flamengo.
Agora,
divirtam-se com os gráficos.

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