Sem torcida, Vasco e Botafogo farão final no Engenhão.

20
Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo

RODRIGO
MATTOS
: O regulamento do Estadual do Rio prevê que todos os clássicos,
semifinais e finais sejam disputados no Maracanã. É uma tentativa de dar uma
grandiosidade e relevância ao campeonato que este não tem mais. Basta verificar
os públicos durante a competição. Só se justificaria jogar as finais ali, e uma
ou outra partida.

Não é
à toa que Botafogo e Vasco já cogitam jogar no Engenhão a final da Taça Rio,
esse jogo inútil sob qualquer ponto de vista para o campeonato. E deveria se
procurar alternativas para quase todos.
Nas
semifinais, o time da Estrela Solitária e o Fluminense levaram apenas 7.309
pessoas ao Engenhão, no domingo, enquanto rubro-negros e vascaínos tiveram
21.895 pagantes no seu jogo. Em média, as duas partidas não atingiram nem 15
mil.
O
Maracanã é um estádio caro. Em condições normais, só se justifica abri-lo pelo
seu custo com públicos entre 30 mil e 40 mil pelo menos. Ou seja, valeria a
pena para os jogos de Botafogo e Flamengo na Libertadores, ou do Fluminense na
Sul-Americana, que têm apresentado público acima deste patamar porque são
competições importantes.
Nenhum
clássico do Estadual até agora ultrapassou a marca de 30 mil, sendo o melhor
deles o Fla-Flu da final da Taça Guanabara, com 29.905, no Engenhão. É provável
que no Maracanã o público fosse um pouco melhor.
Se em
condições normais o Maracanã já é muito caro, os preços cobrados pela Odebrecht
neste período de transição do estádio tornam ainda mais inviável utiliza-lo.
Foram aluguéis nos patamares de 400 mil a R$ 500 mil, fora os custos. Ainda não
está disponível o borderô de Vasco e Flamengo, mas, se houver lucro, será bem
pequeno.
Sob
esse ponto de vista, só as finais do Estadual do Rio justificariam de fato a
abertura do estádio. É possível que uma semifinal atinja este público, mas não
há certeza.
Ao impor
o Maracanã, a Ferj tenta, mais uma vez, maquiar a realidade como faz com os
borderôs dos jogos em que coloca a cota de televisão para disfarçar prejuízos
seguidos em bilheterias dos jogos. É possível fazer isso em um papel no
regulamento, mas a arquibancada não mente.

PS:
Não comentarei aqui a classificação de Botafogo e Vasco à final da Taça pela
inutilidade deste turno. A única observação é que a arbitragem do Estadual
cometeu mais um erro bizarro com a validação do gol do botafoguense Dudu em um
impedimento tão acintoso que até uma criança seria capaz de marcar.

COMENTÁRIOS: