Tropeço que liberta.

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Gabriel em Flamengo x Vasco – Foto: Gilvan de Souza

BOTECO
DO FLA
: Acabou. Toda a parte que não leva a lugar nenhum do Carioqueta ficou
pra trás. Tanto a parte que “vale”, onde se fica sofrendo prejuízos
financeiros, morais e desportivos contra os Clubes de Menor Investimento,
quanto a recente Taça Rio Morta-Viva, que a gente até queria ganhar (sem cuspir
no prato que queria comer), mais por poder jogar/dar volta olímpica no próximo
domingo no Maracanã do que pelo 1 milhão de reais. Esse até deve fazer falta
pra muito time “grande” do Rio de Janeiro. Para o Flamengo, felizmente, seria
apenas mais um enfeite na bonita Planilha Excel Ostentadora que possuímos.

E olha
que se o Flamengo tivesse jogado, como reza a cartilha, dois tempos de futebol,
poderia facilmente ter saído com a vitória. Mas sabe como é… A carne é fraca
e a consciência é forte. Na primeira etapa o time ficou ali pela relva verde
apenas filosofando enquanto ambas as equipes submetiam a bola a uma tortura
infindável. “Vale a pena ganhar esse treco?”; “Pra que serve essa partida?”;
“Será que a gente consegue ganhar o jogo na quarta?”; “Terá o Vaz uma nova
oportunidade em breve?”. Lédio Carmona definiu bem em uma palavra o ocorrido
nos primeiros quarenta e cinco minutos: “Devastador”.
Sei lá
se foi o Zé Ricardo, o provável tédio de ter que repetir todos os
não-acontecimentos por mais quase uma hora, ou remorso por tratar tão
pessimamente uma bola que será merecedora de todos os caprichos possíveis
quando entrarmos em campo contra o Atlético Paranaense. O fato é que o Flamengo
voltou com um pouco de vontade de jogar bola e partiu pra cima do Vasco. Em um
primeiro momento a equipe de São Januário até topou a brincadeira e decidiu
jogar também. Ficou até parecendo que ia ter futebol enfim.
Mas
daí, lá pela altura da parada técnica, o povo do Tio Eurico percebeu que não ia
dar pé e meteu o galho dentro. Postura inclusive admitida pelo capitão moral da
equipe, o Rodrigo: “Fizemos a cera que tínhamos que fazer”. E daí, (não)
jogando com o regulamento embaixo do braço, foi paralisação atrás de
paralisação, “lesão” atrás de “lesão”, e em uma lastimável demonstração de
falta de técnica na hora de elaborar o roteiro para a classificação, até o
goleiro teve cãibra, fato um tanto quanto inovador no Planeta Bola.
Donatti
deu conta, apesar de não ter sido lá exatamente uma partida que exigiu muito.
Como principal mérito, e que faz tanto falta ao Vaz em alguns momentos, deu
volta e meia aquela tradicional bicuda para onde o nariz aponta. Ato de
humildade necessária para todo zagueiro-zagueiro que se preze. Teve bastante
erro de passe no time? Teve. Eu nem consultei, mas a Fla-Twitter deve ter dado
um jeito de parecer que todos eles saíram dos pés do Márcio Araújo que
inclusive, para falar em carioquês fluente, roubou bola pacarái na meiúca e até
algumas lá na cozinha pra ajudar a zaga.
De
forma resumida, praticamente só teve meio tempo de jogo. Do início do segundo
até o Vasco decidir, ali por volta dos 25 do mesmo, que já estava de bom
tamanho. O lado de lá zoando a nossa eliminação que não significa muito? Faz
parte do contexto e, sem falsidade, estaríamos fazendo também se a situação
fosse inversa. Agora é focar no que realmente importa. Em um primeiro momento a
Libertadores e em 15 dias o verdadeiro início do Campeonato Estadual. Esse,
devido a um regulamento que só consegue piorar a cada ano que passa, só começa
mesmo no fim. Uma pena.
PETISCOS
. PEQUENO – A
postura tática do Vasco, muito utilizada também pelos Clubes de Menor
Investimento, me fez lembrar um texto que escrevi em 2011, quando ainda estava
no Site Oficial do clube. “Queremos Lex Luthor de volta”.
http://www.flamengo.com.br/site/blog/artigo/342/queremos-lex-luthor-de-volta
. PEQUENO 2. Pode
até sem impressão minha, mas relendo o texto de 2011, parece que eu era bem
pior nisso de escrever 6 anos atrás. Bem que o Arthur Muhlenberg comentou
comigo certa vez. “Escrever funciona que nem exercício físico. Com a prática
acaba melhorando”.
. DECADÊNCIA. Só não
dá pra ficar mais triste com os pouco mais de 24 mil presentes em um Clássico
no Maracanã, porque o público de hoje e o de domingo que vem devem ser até
menores.
. MILTON MENDES. Gostei
muito da coletiva do cara. Tinha lido uns trecos na imprensa que até jogavam
contra, mas achei bem centrado e coerente em suas colocações.
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