15 minutos após o fim do mundo.

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Foto: Divulgação

PAPO DA NAÇÃO: Por Matheus Ferreira

Foi
intenso. Foi catártico. Foi, como diria o outro, teste pra cardíaco. O Fla-Flu
dessa tarde de domingo remeteu aos mais intensos e disputados dias do clássico.
Que digam que não vale nada, porque é mentira, Fla-Flu sempre vale alguma
coisa. Até porque é, afinal, um Fla-Flu.
O gol
de Dourado deu o primeiro toque de preocupação nos corações flamenguistas, a
equipe de Zé Ricardo pouco se achava e pouco jogava. Guerrero, coitado, jogava
sozinho num mar de camisas tricolores. O Fluminense bloqueava as jogadas na
entrada da área, e quando o Flamengo passava, esbarrava na própria
incompetência errando passes, chutando errado ou tomando decisões erradas. Tudo
estava errado. A começar pelos jogadores.
Pará e
Berrio pareciam estar se deixando levar pelo clima cardíaco do clássico e fraquejavam
em algumas jogadas. Cruzamentos ao nada e jogadas desperdiçadas, na cabeça dos
mais pessimistas a derrota parecia próxima: “Não é possível que a gente
errando todas, o Flu vai perdoar”. Na cabeça dos mais otimistas uma
decisão nos pênaltis não parecia mau negócio: “Dessa vez, Muralha irá
pegar todas!”, diziam eles. O jogo estava numa incerteza geral. Um
verdadeiro ninguém é de ninguém.
Mas
eis que aos 39′, as incertezas acabaram: Gabriel cobrou escanteio e Réver com a
força de mil cavalos cabeceou pro gol atropelando tudo e todos; Cavalieri,
confirmando a tese de que todo goleiro contra o Flamengo emula Gianluigi
Buffon, defendeu. No micro-segundo entre o rebote do goleiro tricolor e a
chegada de Guerrero, os mais diversos pensamentos percorreram a mente
flamenguista. Será que ele perde? Será que o zagueiro vai chegar? O peruano
precisava de um marco como um gol na final para conquistar de vez toda a massa
rubro-negra, e correspondeu: 1×1 no placar, gol dele.Sem mais dúvidas. Sem mais
incertezas. Sem mais “caô”.
Mas
ainda faltava mais uma pitada de loucura nesse intenso Fla-Flu: Rodinei avançou
em contra-ataque e estava de frente para Cavalieri, fora da área. Ou era gol ou
era expulsão. O goleiro tricolor preferiu escolher a segunda opção. Flu com um
a menos e Orejuela de guarda-metas.
O
Fluminense mesmo com um a menos conseguiu um escanteio aos 48 do segundo tempo,
quem tinha problema de coração e não sofreu um AVC nessa hora pode se
considerar completamente curado. Um milagre dominical agraciado num grande
clássico. O escanteio foi batido. A zaga flamenguista afastou; Rodinei puxou
contra-ataque e Orejuela, tal como um moleque travesso fugindo do chinelo da
mãe, saiu correndo de volta à meta do Fluminense. Mas de nada adiantou. Rodinei
chutou cruzado e Orejuela, sem cacoete e nem braço de goleiro, aceitou para a
“festa na favela” ser completa.
Mesmo
enfrentando um calendário inchado, regulamentos ridiculamente esdrúxulos e
arbitragens pra lá de duvidosas, Flamengo e Fluminense fizeram uma final digna
de um clássico carioca. Fizeram dar sobrevida a um campeonato que suas finais
já a algum tempo não mobilizava metade do que essa mobilizou. O Fla-Flu melhora
tudo. É de fato o maior clássico do Rio.
Se
para Nelson Rodrigues, o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada, essa final
nos deu toda certeza que ele terminará 15 minutos após o fim de tudo que existe
e conhecemos. Mais do que um clássico. Mais do que eterno.
*Primeiro
título do blog, que seja o primeiro desse ano e de muitos outros. #SRN

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