3 volantes: A comprovação da não-Diegodependência no Flamengo.

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PAPO
DA NAÇÃO
: 12 de abril de 2017. O Maracanã estava em festa, Flamengo ganhando
por 2×0, com boa exibição no primeiro tempo, especialmente de Diego, o maestro
do time.  Num lance de azar, Diego fica
no chão, e a euforia da vitória foi substituída pela preocupação. O meia sai
machucado, e pergunta fica no ar: Como substituir o melhor jogador em atividade
do Brasil?
Na
partida seguinte, contra o Botafogo, válida pela semifinal do Campeonato
Carioca, foi mostrada a solução para a ausência de Diego: o sistema com “3
volantes”. Logo de início, foi muito contestado. Alguns torcedores e
jornalistas esportivos consideraram a escolha como uma opção simplesmente
“defensiva”, visando não perder. Porém, o que se viu em campo foi um time muito
bem equilibrado, controlando o jogo, com muita movimentação e triangulações
ofensivas, além de ser consistente defensivamente.

Ricardo optou por um sistema híbrido entre 4-3-3/4-1-4-1. Por que usar esse
sistema? Para simular a participação de Diego. Diego enquanto meia armador
participa em todos os lugares do campo, não fica preso à zona costumeira de um
meia armador. É quase impossível achar um outro jogador que dê essa dinâmica ao
time, o que se aproxima mais é o Conca, que ainda está em processo de
recuperação, então, dividindo essa responsabilidade para dois jogadores do meio
de campo, mais os laterais e Guerrero, o time consegue manter o ritmo de
criação jogadas, além de se manter consistente defensivamente.
Um
tema importante a ser definido sobre essa escalação é que não são 3 volantes.
De fato, Márcio Araújo fica preso como um 1º volante, ele é responsável pela
cobertura defensiva dos laterais, que tem muito mais liberdade para aparecer a
frente, não com simples ultrapassagens, mas participando da construção, fazendo
tabelas ou triangulações. 

As triangulações deixam mais fácil a criação de jogadas de perigo, pois a movimentação quebra a defesa adversária. Nesse caso, com a participação do Guerrero, bagunçou ainda mais, veja o espaço que Arão e Everton tem.

No outro lado também acontece, sempre com a presença de um ponta e um dos meio campistas.


Arão e Rômulo funcionam como meio campistas, tem funções híbridas, e muito
espaço para movimentação, tanto indo mais a frente para infiltrar-se na defesa
adversária, tanto para recuar e participar da saída de bola com os zagueiros. É
justamente essa movimentação (principalmente do Arão) que é o grande trunfo do
sistema de Zé Ricardo, pois permite ao time estar sempre com maior número de
jogadores no espaço da jogada, tanto no momento ofensivo quanto no momento
defensivo. Providencia o que chamamos de superioridade numérica.

O Fator Guerrero:
Algo
que catalisou a adaptação rápida do Flamengo para um sistema sem um meia
armador fixo foi Guerrero. Ele começou a participar bastante da criação das
jogadas, e também a funcionar como desafogo nos momentos em que a equipe está
sendo pressionada. Ele tem inteligência para achar espaços onde é mais fácil
para que o companheiro que está sendo pressionado lance a bola, desafogando a
equipe. Além disso, tem uma técnica absurda para dominar os lançamentos e
chutões, transformando jogadas que seriam perdidos em lances de perigo. A
participação dele em campo é de “Camisa 9,5”, um misto entre um 10 e um 9.

para manter um sistema parecido quando Diego voltar?


sim. Diego teve experiência no 4-1-4-1 com Tite, na seleção Brasileira. Ele
pode jogar por dentro, ao lado de Arão, ou pelo lado do campo, como um
ponta-construtor. De qualquer forma, ele teria uma carga defensiva maior do que
a atual (Que fique claro, Diego contribui bastante no momento defensivo no
sistema atual). O ponto a ser mais ajustado é alinhar a movimentação dele com a
do Arão, a flutuação tem que ser bem ajustada, para o time permanecer compacto
e conexo entre os setores.
O que
temos que reconhecer é que Zé Ricardo foi muito feliz ao identificar a solução
de um problema enorme. Manteve sua ideia, mesmo contestada, e conseguiu
equilibrar o time mesmo sem a sua principal estrela, e ganhou o título do
Campeonato Carioca. Além disso, mostrou poder de variação no sistema e estilo
de jogo, algo que foi muito cobrado na temporada passada. Com os retornos de
Diego, Ederson e Conca, o Flamengo deve ter muito mais qualidade para executar
essa ideia de jogo que vem dando certo. Nos resta torcer e esperar pelo
desempenho no Brasileirão, no resto da Libertadores e na Copa do Brasil.
Entramos como favoritos em todas as competições pelo jogo consistente feito
pela nossa equipe.
Por Marcos
Pereira

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