Abel e Zé Ricardo duelam por título com efeito distinto na carreira.

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Foto: Divulgação

O
GLOBO:
Duas carreiras em momentos distintos, dois significados muito diferentes
de um mesmo título. No duelo entre o experiente Abel Braga e Zé Ricardo,
representante da nova geração de treinadores, ficar com a taça do Estadual
poderá significar uma espécie de confirmação para um treinador que reaparece no
cenário nacional ou uma chancela para um novo nome que tenta se inserir numa
elite. A decisão entre Flamengo e Fluminense acontece neste domingo, às 16h.

A
exigência de atualização e de implantação de novos conceitos por parte dos
treinadores brasileiros, diante de resultados ruins da seleção nos últimos
anos, ameaçou rotular de ultrapassada toda uma geração de técnicos
experimentados. Aos 64 anos, treinador mais velho entre os que hoje dirigem
times da Série A do Brasileiro, Abel tenta seu terceiro título estadual pelo
Fluminense. Nas Laranjeiras, também foi campeão brasileiro, em 2012.
Após
duas temporadas nos Emirados Árabes, retornar ao futebol brasileiro com um
título diante de um técnico promissor teria certo impacto num país sedento por
medir técnicos exclusivamente por resultados. Confirmaria a presença de Abel
numa elite nacional.
Acima
dos resultados, o fato é que, em campo, seu time iniciou o ano com um futebol
atraente. Marcou 55 gols em 26 partidas.

Cheguei como ultrapassado — disse Abel, recentemente. — Não prometi ganhar
nada, mas todos os objetivos, até agora, foram alcançados. Se eu não sonhar,
não serei campeão carioca.
RESPEITO PELO RIVAL

Ricardo, por sua vez, vive uma situação comum à nova fornada de treinadores
jovens que se lançam no mercado: a necessidade de resultados para poder se
firmar. Interino durante 11 rodadas no último Campeonato Brasileiro, após a
queda de Muricy Ramalho, o ex-treinador da base rubro-negra só conquistou espaço
para ser efetivado graças aos resultados do time, que perdeu a chance de
disputar o título brasileiro apenas nas rodadas finais. Agora, enfrenta
desafios maiores, como iniciar a temporada com a responsabilidade de fazer o
time evoluir, além da disputa da Libertadores. Mesmo assim, uma vitória na
final de hoje aliviaria boa parte da pressão que sempre cerca um treinador de
currículo menos extenso.
— É
uma semana muito especial para nós — admitiu o técnico do Flamengo.
Antes
do primeiro jogo da decisão, ele falou do respeito pelo técnico rival, Abel
Braga.
— Ele
é um grande espelho para mim. Há pouco tempo, eu estava trabalhando no sub-20 e
agora posso enfrentar técnicos como ele. Acho que é sua 24ª ou 25ª final. Se
deixar um título para mim, não vai ter problema — brincou.

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