Amadeu elogia blindagem do Flamengo a Vinicius Júnior.

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Foto: Lucas Figueiredo/CBF

GLOBO
ESPORTE
: Na preparação para o Sul-Americano Sub-17, em fevereiro, o técnico
Carlos Amadeu levou todos os jogadores para o museu da seleção brasileira, na
sede da CBF, no Rio de Janeiro (veja o vídeo). Em meio aos vários troféus,
objetos e itens da rica história da Seleção, uma figura se destacava, em
diferentes períodos narrados. O treinador resolveu fazer o teste com os
garotos.

– Eu
disse, quem é esse senhor aqui? Todos ficaram calados. Ninguém sabia responder.
Eu falei: quem não conhece esse senhor aqui, não tem direito de jogar futebol.
Não tem direito de jogar na seleção brasileira. A gente tem que respeitar. A
gente tem que conhecer a nossa identidade – lembrou Amadeu, durante sua
apresentação em seminário realizado pela CBF.
O
senhor era Mário Jorge Lobo Zagallo, dono de quatro títulos da Copa do Mundo –
dois como jogador, um como técnico e outro como auxiliar. E mais. Os jovens não
sabiam que Ronaldo fez os dois gols da vitória do Brasil sobre a Alemanha na
decisão do Mundial de 2002. Não que os garotos pudessem lembrar, afinal,
nasceram no ano 2000. Mas o fato chamou atenção do técnico, que ressalta: é
preciso cuidado na formação do jogador brasileiro. E ele reforça a sua tese ao
analisar o momento da principal estrela daquele time: Vinicius Júnior.
– A
imprensa tem o seu papel neste momento, que é não exarcebar. Sei que a imprensa
precisa da notícia, explora ao máximo que puder do assunto, é o papel de vocês.
Mas é o meu papel alertar vocês, porque vocês também fazem parte desse processo
do cuidado com o jovem atleta, um patrimônio do nosso futebol. A gente precisa
ter um pouco de cuidado com ele (Vinicius Junior) nessa condução de divulgação.
Assim como no momento da oscilação, a queda de rendimento, e a gente também tem
que compreender os motivos – declarou o técnico, em entrevista após sua palestra.
Carlos
Amadeu concordou com a promoção de Vinicius ao time profissional do Flamengo.
Assim como o Rubro-Negro, o técnico da seleção sub-17 entende que o jovem
atacante, ainda com 16 anos, cumpriu suas etapas. Com isso, o treinador não o
garante para o Mundial da categoria, em outubro, na Índia. Ele reitera a
qualidade do jovem e não se surpreende com a possível ida para o Real Madrid.
“A
gente pensa que só os treinadores são responsáveis pela base. E todos nós somos
responsáveis. A imprensa, os diretores, os jogadores”, Carlos Amadeu
Carlos
Amadeu atualmente acumula o cargo de técnico da seleção sub-20 desde a demissão
de Rogério Micale. Ele não pretende ficar na posição. O treinador também
analisou o atual momento da base na CBF, que não terá um coordenador específico
até 2018.
Confira
os melhores trechos da entrevista e da palestra de Carlos Amadeu:
IDENTIDADE DA SELEÇÃO
Uma
vez, em uma convocação de atletas nascidos em 1998 e uma convocação paralela,
de jogadores de 1999, fizemos um trabalho para tirar os melhores. A gente fez
um fechamento: em vez de fazer jogos e amistosos com outras seleções, a gente
separou em cinco equipes. Cada equipe levou um nome de um time campeão mundial.
Um foi 1958, outro 1962, e assim por diante. E eles tiveram que fazer uma
pesquisa sobre o time que representavam. O jogador de determinada posição tinha
que conhecer o campeão do mundo naquela posição naquela época. Depois fomos
para o torneio jogar. Eles tiveram um orgulho de dizer que era o Dunga, o Cafu,
de ser o Mauro, Gilmar, Bellini. Assim vão querendo conhecer a história dos
nossos ídolos. Eles são vítimas de um processo de falta de informação. Eles não
são culpados. Nós é que somos os responsáveis.
“Precisamos
formar mais jogadores como Rodrigo Caio”, Carlos Amadeu
ASSÉDIO EM VINICIUS JUNIOR
Eu
penso que todos esses jovens que se destacam no nosso futebol têm que ser
olhados com muita atenção e carinho. Caminhar de forma tranquila, tomando as
melhores decisões. Que seja uma decisão para ele, para o clube, para o futebol
brasileiro, porque não podemos desperdiçar talentos. Os clubes estão muito bem
preparados, com profissionais qualificados para tomar essa decisão no tempo
correto (subir para o profissional). Acho que o Flamengo tem profissionais
capacitados para tomar esse tipo de decisão. E o Flamengo tem feito isso de
forma muito inteligente. Como é um jogador com uma grande produção, não só ele,
mas tem outros casos de jogadores que saíram do sub-17, estão jogando já o
sub-20, já aceleraram uma etapa. No caso específico do Vinicius, ele também
cumpriu etapa. Ele cumpriu a sub-17, subiu o sub-20, já disputou quatro
competições com o sub-20. Se está sendo puxado ao profissional, ele vai ser
puxado vencendo etapas. Apenas sendo acelerado. Acho que o Flamengo está
fazendo essa condução de forma muito objetiva.
COMO VINICIUS JUNIOR LIDA COM O ASSÉDIO?
Tenho
dois anos à frente da seleção brasileira, um ano e meio com esse grupo (que
nasceu no ano 2000), e é um grupo que é muito interessante. Tem jogadores mais
introspectivos, outros mais brincalhões. Todas conversas que tive com eles foi
alertando sobre o momento deles. O jovem sai do sub-15, eles ainda não sabem
muito o que é isso ali. Mas quando migram para o sub-17, começam a ter essa
responsabilidade, com a mídia trabalhando em cima, muda o comportamento. A
gente não vai modificar o assédio de empresário e clube, mas temos que aprender
a conviver com isso. Temos um grupo humilde, que usa seus princípios e valores.
Acho que é o fundamental para tomar a decisão. Não só a decisão pela parte
financeira, mas a financeira vem pelo trabalho que está sendo desenvolvido. Se
forem merecedores disso, parabéns.
TRATAMENTO COM OS JOVENS
Às
vezes a gente trata o nosso atleta como burro. Mas eles não são. Como eles se
percebem baseado no que sai na mídia? Que eles não jogam nada, que eles são
ruins. Que eles são mimados. É o que eles ouvem. A gente pensa que só os
treinadores são responsáveis pela base. E todos nós somos responsáveis. A
imprensa, os diretores, os jogadores. Precisamos formar mais jogadores como
Rodrigo Caio
BASE DA CBF SEM COORDENADOR ESPECÍFICO
Tudo
vai ser feito no tempo certo. O nosso papel é manter o equilíbrio. Posso dizer
que tem sido uma experiência legal trabalhar com uma pessoa preparada, que tem
dado assistência, que é o Edu. Tem participado diretamente e isso tem feito que
a gente esteja mais próximo do Tite, mais próximo do time profissional. Eu não
espero nada, tenho que adaptar à situação. Se a situação for trabalhar
diretamente com o Edu, estou preparado para isso

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