Após Profut, clubes controlam gastos com futebol e reduzem dívida.

13
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

RODRIGO
MATTOS
: Após a implantação do Profut, os grandes clubes brasileiros controlaram
gastos com futebol e conseguiram uma redução da sua dívida total em 2016. É o
que mostra um levantamento da BDO Sports Management. Mas só se poderá ter
certeza sobre os efeitos do Profut sobre os times a longo prazo porque houve um
crescimento anormal de dinheiro com televisão por luvas neste ano.

As
receitas dos 23 clubes de maiores receitas saltaram para R$ 4,462 bilhões em
2016, um aumento de 29%, bem acima da inflação. Pelo padrão do futebol
brasileiro, isso representaria uma explosão de gastos no futebol para
aproveitar o dinheiro extra. Mas não foi o que ocorreu dessa vez.
Houve,
sim, um crescimento de gastos com o futebol de 9,4%, pouco acima da inflação, o
que elevou o valor a R$ 2,888 bilhões. Isso significa que as despesas com
futebol ficaram em 58% das receitas do total. ”Com o forte crescimento da
receita e com a nova lei que vigora no segmento (PROFUT), o indicador Custo do
Futebol/Receita Total atingiu seu menor valor no período analisado”, aponta o
relatório da BDO.
Para
completar, os clubes nacionais apresentaram um superávit de R$ 423,7 milhões.
”Apenas 6 dos 23 clubes apresentaram déficit em seus balanços em 2016”,
contou a BDO. Esses times que apresentaram déficits foram: Sport, Avaí,
Botafogo, Coritiba, Internacional e Cruzeiro. Lembre-se que as regras do Profut
estabelecem que os clubes têm de reduzir seus déficits até zerá-los.
Como
consequência, houve uma redução discreta do endividamento líquido dos grandes
clubes nacionais. Esse caiu para R$ 6,390 bilhões, R$ 63 milhões a menos do que
em 2015. Em dois anos, houve 5% de queda no débito dos times. Lembre-se que,
considerada a inflação, essa queda foi maior. A redução foi maior em relação a
empréstimos: ficou em R$ 1,6 bilhão (queda de 7%).
Mas
isso não significa que todos os clubes conseguiram reduzir suas dívidas.
Líderes do ranking dos devedores, Botafogo, Atlético-MG e Fluminense tiveram
aumentos em seus débitos, além de Cruzeiro e Internacional. O São Paulo até
teve um aumento de dívida, mas esse valor já caiu em 2017 com o pagamento de
empréstimos e direitos de atletas. ”16 dos 23 clubes apresentaram redução em
seu endividamento com empréstimos”, apontou o relatório da BDO.
Lembre-se
que a dívida não é um índice absoluto para saber a situação financeira de um
clube. Tem que se levar em conta sua receita em relação ao débito, a natureza
dos passivos e os gastos do clube. O Botafogo é o maior devedor na lista, mas é
preciso lembrar que o Corinthians não incluiu o débito do estádio em seu
balanço. Veja abaixo a listas da maiores dívidas de clubes brasileiros:
1o
Botafogo – R$ 753,1 milhões
2o
Atlético-MG – R$ 518,7 milhões
3o
Fluminense – R$ 502 milhões
4o
Flamengo ** – R$ 460,6 milhões
5o
Vasco – R$ 456,8 milhões
6o
Corinthians *- R$ 424,9 milhões
7o
Grémio – R$ 397,4 milhões
8o
Palmeiras – R$ 394,8 milhões
9o São
Paulo – R$ 385,3 milhões
10o
Cruzeiro – R$ 363 milhões
110
Santos – R$ 356,6 milhões
12o
Internacional – R$ 311,6 milhões
13o
Atlético-PR – R$ 264,5 milhões
14o
Coritiba – R$ 187,1 milhões
15o
Bahia – R$ 166,4 milhões
16º
* O débito do Corinthians em relação a sua
arena gira em torno de R$ 1,4 bilhão, mas uma parte desse valor deverá ser
abatido por CIDs e ainda está em negociação.
**O Flamengo alega ter uma dívida de R$
390 milhões porque não considera como débitos adiantamaentos de receitas, ao
contrário da BDO.

COMENTÁRIOS: