Aquilo na Argentina não é Flamengo.

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Foto: AFP

GLOBO
ESPORTE
: Setembro de 1990. Aos 13 anos, lá estava eu no Maracanã, o Maraca de
verdade, para mais um Flamengo x Vasco. O Cruz-Maltino tinha um time bem
melhor, mas o Rubro-Negro venceu por 1 a 0. E venceu na raça. Raça que sobrava
ao meia Nélio (autor do gol daquela vitória). Raça que é motivo de orgulho da
torcida ao longo de uma história mais do que centenária. Raça que o Fla não
levou a campo contra o San Lorenzo – e sua ausência foi decisiva para a
derrota. Raça que sobrou a um pequeno atleta do time argentino, que saiu do
banco para mudar a partida e dar um exemplo de perseverança aos comandados de
Zé Ricardo.

Barrios
mede 1,56m e entrou em campo aos 25 do segundo tempo. Àquela altura, sua equipe
perdia por 1 a 0. Matheus Sávio foi a campo pouco depois. E aos 29 minutos veio
o lance emblemático da partida, que teve ambos como protagonistas. O jogador do
San Lorenzo foi desarmado pelo rubro-negro, deu um carrinho, recuperou a bola e
cruzou para o gol de empate. Vale destacar que, cerca de 20 segundos antes da
rede de Muralha balançar, o Flamengo perdeu dividida em sua intermediária
defensiva. Nos acréscimos, Matheus tentou afastar o perigo e o chute foi
bloqueado por Barrios – na sequência da jogada saiu o gol da virada.
No
geral, San Lorenzo e Fla tiveram atuações ruins. Dessa forma, não vejo exagero
em afirmar que, assim como no clássico de 1990 que citei, a vitória do Ciclón
foi conquistada na raça, na marra, na base da vontade. E os lances dos gols
foram emblemáticos nesse sentido. Mas tais jogadas não foram isoladas: o
Rubro-Negro perdeu muitas divididas, sobretudo na etapa final. Até a manchete
do site oficial do clube argentino após o jogo indicava como o triunfo foi
obtido: “nas oitavas, com a alma e o coração”. O Flamengo não teve
alma. Não teve coração. Não teve raça. Foi um Flamengo na contramão de sua história.
O
presidente do Fla mostrou, após a eliminação, preocupação com comentários nas
redes sociais. A meu ver, ele deve se preocupar em avaliar se os investimentos
no futebol estão sendo bem feitos. A quantia gasta na contratação de Berrío,
por exemplo, até agora não se justifica (nesta quarta-feira o jogador teve mais
uma atuação fraca). Também enxergo como necessária a avaliação da necessidade
de contratações, principalmente de um goleiro, pois Muralha tem se mostrado
inseguro em 2017.
Mas eu
insisto: o Rubro-Negro não foi eliminado por causa de Berrío, Muralha, Matheus
Sávio ou Zé Ricardo. Foi eliminado porque faltou raça. Faltou alma. Faltou
coração. Aquilo lá (na Argentina) não é Flamengo.

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