As razões para o “encolhimento” do Maracanã.

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Foto: Divulgação

BLOG TEORIA DOS JOGOS: De norte a sul, o domingo foi de festa por conta do esperado
desfecho dos campeonatos estaduais. Especialmente no Rio, onde um esvaziado
campeonato se arrastou por quase três meses, a final nos reservou uma epopeia
que apenas um Fla x Flu é capaz de proporcionar. Seguindo roteiro diferente do
último embate entre as duas equipes, 22 anos antes, o Flamengo sagrou-se
campeão carioca invicto pela sexta vez em sua história.

Em
meio a tudo, festa nas arquibancadas: foram 58.399 pagantes, 68.165 presentes e
uma renda de R$ 3.242.130,00. Ótimos números para a realidade do futebol atual,
uma vez que tivemos o maior público do ano no Brasil. Mas insuficientes para
estancar questionamentos que tomam de assalto a cabeça dos torcedores. Se o
estádio nunca mais atingirá os 194.063 aficionados do Fla-Flu de 1963, ou mesmo
os 120.418 presentes ao clássico do gol de barriga em 1995, por que então o
Maracanã não pode alcançar sua capacidade máxima estabelecida, de 78.838
pessoas? Numa final de Copa do Mundo com 74.738 torcedores, onde estariam estes
supostos quatro mil lugares?
Decerto,
pouco saberemos responder acerca da caixa preta chamada Copa do Mundo. Nada
além do fato de, em grandes eventos, posicionamentos de câmera e modificações
cerimoniais eliminarem lugares, reduzindo a plenitude de sua capacidade. Mas
quanto ao Maracanã do dia-a-dia, tão presente em nosso cotidiano, torna-se
quase um dever explicar a razão de tamanhas discrepâncias.
Segundo
apurações do Blog Teoria dos Jogos, a verdadeira capacidade do Jornalista Mário
Filho em 2017 é de 72.285 lugares – eis o que consta no Certificado de
Registro, documento emitido pelo Corpo de Bombeiros para autorizar seu
funcionamento. Tratam-se de 6.553 lugares a menos do que capacidade máxima. E a
razão vem da quantidade de cadeiras quebradas e sem reposição.
Estamos
falando de um problema que existe desde o começo das operações da
Concessionária Maracanã SA, em 2013. Algo que se intensificou após o Comitê
Organizador das Olimpíadas assumir o estádio, devolvendo-o em estado de
penúria. Historicamente, o ritmo de cadeiras quebradas foi de 25 por partida,
gerando um esvaziamento progressivo ao longo do tempo. Para piorar, a
fornecedora dos assentos foi à falência e não existe mais. Por estas e outras,
o fato é que em quatro anos, novas cadeiras nunca foram compradas, sendo
realizada apenas a manutenção e o remanejamento das que tinham salvação.
Explicado
o déficit de lugares, temos um outro problema: as cadeiras cativas. Acreditem
ou não, elas foram adquiridas em caráter vitalício à época da construção do
Maracanã, em 1950. Atualmente, passam de 5.000, mas por problemas que remetem a
heranças, espólios e congêneres, aproximadamente 2.300 se encontram fora de uso
e descadastradas pela Suderj (que ainda existe). Em razão das perpétuas
inoperantes, chegamos ao número mágico de 69.790 ingressos disponibilizados
para o Fla x Flu, segundo seu borderô. Com 1.625 devoluções de cortesias,
cativas e gratuidades, atingimos o público presente de 68.165 torcedores ontem.
Diante
deste quadro, não podemos dizer que o Maracanã é sequer o maior estádio do
Brasil, uma vez que o Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha) possui
capacidade oficial superior: 72.788 pessoas. Seu maior público, na prática, foi
de 69.389 durante os Jogos Olímpicos 2016 – equivalente ao máximo comportado em
solo carioca. Além disso, tanto Morumbi quanto Castelão e Mineirão possuem
dimensões semelhantes, muitas vezes superando o Mário Filho sob a ótica dos
públicos pagantes:
-67.052
é a capacidade total de público do Morumbi desde 2013. Seu recorde recente,
66.369 presentes (58.446 pagantes), se deu em um São Paulo x Cruzeiro válido
pela Libertadores 2015;
-63.999
pagantes, o recorde da Arena Castelão, durante a partida Fortaleza x Juventude,
pela Série C 2016;
-56.854
pagantes (58.893 presentes) foram ao Mineirão assistir à peleja envolvendo
Cruzeiro e Grêmio, pelo Brasileirão 2013.
Nuas e
cruas, estas são as verdades sobre as atuais condições do estádio do Maracanã.
Um
grande abraço e saudações!
E-mail
da coluna: teoriadosjogos@globo.com
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