Associação promete entrar na Justiça contra Estádio do Flamengo.

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Foto: André Coelho

O
GLOBO
: O estádio do Flamengo na Gávea será acústico, mas o debate sobre a sua
construção fará barulho até que saia do papel. Nesta sexta-feira, foi assinado
o protocolo de intenção entre clube e prefeitura. Imediatamente, a Associação
de Moradores e Amigos do Leblon (AmaLeblon) manteve posição contrária e
prometeu ir à Justiça. Desta vez, no entanto, o rubro-negro conta com um aliado
político.

Até as
assinaturas do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e a do
prefeito Marcelo Crivella estarem lado a lado no protocolo de intenção, muita
negociação foi feita nos bastidores. Durante a campanha, em 2016, Crivella,
assim como o seu rival na corrida eleitoral, Marcelo Freixo (PSOL), visitou
Bandeira. O assunto foi tratado, e houve sinalização positiva, concretizada
nesta sexta.
O
protocolo é um sinal verde da prefeitura ao desenvolvimento do projeto de
estádio para 25 mil pessoas, que terá que ser aprovado e ainda está em
desenvolvimento. O documento teria o poder de acelerar a concessão das
licenças, entre elas, as de meio ambiente, trânsito, e do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Enquanto
isso, Crivella experimenta a popularidade junto aos torcedores do Flamengo, e
entende a movimentação como parte do jogo.

Qualquer político deveria fazer isso (se aproximar do clube). Afinal, o
Flamengo tem mais de 50% dos torcedores do Rio — disse Bandeira, que mantém a
vontade de administrar o Maracanã e usá-lo em jogos para público maior. — O
mais importante é a intenção política do prefeito, que assumiu o compromisso.
CONTRAPARTIDA RUBRO-NEGRA
Se na
sexta-feira eles estavam sentados lado a lado no auditório da prefeitura,
Crivella e Bandeira podem estar juntos no Maracanã neste sábado. A estreia no
Brasileiro, contra o Atlético-MG, foi planejada para ser um megaevento, com
ingressos populares e renda destinada à compra de 350 toneladas de alimentos,
que irão compor mais de 200 mil refeições, distribuídas na reabertura dos
restaurantes populares da prefeitura. O clube, que estará hoje isento da taxa
de 5% da Federação e de pagar o aluguel à Maracanã S.A, bancará os alimentos,
mesmo que a renda não seja suficiente.
A
subsecretária municipal de Esportes, Patrícia Amorim, ex-presidente do
Flamengo, foi diplomática ao frear ideias dos demais secretários e
colaboradores de Crivella para o jogo. Entre as sugestões estavam a entrada em
campo de centenas de crianças, entrega de parte dos alimentos dentro do
Maracanã e a assinatura do protocolo de intenção antes do jogo.
— Foi
bem complicado. A Clarissa (Garotinho, secretária de Desenvolvimento, Emprego e
Inovação) tinha um entendimento; o Índio (da Costa, secretário de Urbanismo,
Infraestrutura e Habitação) tinha outro… — contou Patrícia.
DISCUSSÃO SOBRE IMPACTO
Sobre
o estádio, ainda não há previsão de custo nem prazo para o início das obras. O
certo é que será para até 25 mil pessoas e, quando for aprovado o projeto,
ficará pronto em três anos a partir do começo da construção. Mas é um “chute”,
como admitiu Bandeira. Não haverá estacionamento, mas há a opção do metrô. A
Arena da Baixada, em Curitiba, é o modelo.

Antes não existia a tecnologia para a acústica, para evitar barulho. Não havia
o metrô. O trânsito sempre foi obstáculo. É possível ter estádio sem incomodar
— acredita Crivella.
Presidente
da AmaLeblon, Evelyn Rosenzweig diz que já contratou advogado e garante que irá
à Justiça para evitar o impacto do projeto na região.

Vamos lutar muito contra isso. Temos esse direito para vigiar a qualidade de
vida da nossa vizinhança, que sequer foi consultada. Há a questão urbanística,
o adensamento, a Lagoa, o barulho… Um estádio demanda infraestrutura,
logística, segurança pública, o que não é simples em um bairro sobrecarregado
que estão querendo degradar. Não precisamos disso. O movimento é contrário.
Queremos resgatar a qualidade de vida — afirmou Rosenzweig.

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