Atletas protestam durante o Brasileiro contra reformas trabalhistas.

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Pedro Martins/Mowa Press

UOL: Os
protestos contra reformas trabalhistas chegaram aos gramados. Neste sábado,
durante o início do Campeonato Brasileiro, jogadores de Flamengo e Atlético-MG
se manifestaram contra alterações que consideram prejudiciais em termos da Lei
Pelé – que regula os vínculos entre jogadores e clubes.

Em
movimento organizado pela Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais
de Futebol), os atletas foram a campo com uma faixa preta no braço. Jogadores
de outros clubes também devem aderir à manifestação. O time do Corinthians, por
exemplo, entrará com a faixa preto no braço contra a Chapecoense. 
Entre
as mudanças que tramitam no Congresso e que podem alterar a Lei Pelé está a
alteração no repasse aos jogadores do chamado “direito de arena”, que
remunera os atletas que têm jogos transmitidos na TV. O sindicato acredita que
a alteração seria prejudicial aos profissionais.
“Estão
propondo uma alteração na lei Pelé que é absurda, inaceitável. Protestamos
contra essa iniciativa e lutaremos para que ela fracasse. Nós, que temos a
chance de jogar nos principais clubes do futebol brasileiro, defenderemos até o
fim os direitos dos jogadores que não tem voz, principais prejudicados nessa
história”, disse a Fenapaf, em nota.
Nas
contas da entidade, as mudanças prejudicam cerca de 30 mil profissionais.
Outras mudanças em discussão entre deputados e senadores são a possibilidade de
parcelar as férias dos jogadores e permitir que elas não coincidam com o
recesso do calendário, no fim e no começo de cada ano. Os projetos de lei
também podem mudar as regras para o descanso semanal remunerado a que os
jogadores têm direito – hoje, de um dia inteiro; com a mudança, ele poderia ser
dividido em dois períodos de doze horas.
De
acordo com a federação as alterações causariam “insegurança
contratual” aos atletas e causaram “revolta na categoria”,
segundo disse em nota.
Pé-de-obra barato
De
acordo com um levantamento feito pela CBF no ano passado, dos 28.203 jogadores
de futebol profissionais do país, apenas 1.106 ganham mais de R$ 5 mil por mês.
A maioria, 82%, recebe até mil reais mensais, pouco mais de um salário mínimo,
que está em R$ 880.
Somente
226 atletas, quase todos das divisões de elite do Brasileiro, ganham mais de R$
50 mil por mês. Esse número representa apenas 0,8% do universo dos boleiros
brasileiros.

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