Camisas de futebol tomam arquibancada de League of Legends.

23
Foto: Chandy Teixeira

GLOBO
ESPORTE
: Repare bem nesta foto. É um indício de mudança e equilíbrio possível.
Nela está o cearense Rafael Fernandes, de 21 anos, vestido com o casaco do São
Paulo sobre uma camiseta da Pain Gaming, um dos mais tradicionais times de
esportes eletrônicos do Brasil. A imagem é deste domingo, fim de semana do
início do Campeonato Brasileiro. Mas Rafael não está no Mineirão para assistir
à estreia do Tricolor diante do Atlético-MG. Ele é mais um entre os milhares de
jovens que compareceram à Arena da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para
acompanhar o show dos asiáticos no Mid-Season Invitational (MSI), segundo maior
torneio do mundo de League of Legends.

– O
São Paulo está perdendo, né? Mas vim assistir ao MSI mesmo assim. É difícil
explicar como funciona. Eu torço a mesma coisa para os dois, é muita emoção.
Sempre grito muito quando estou na torcida. Eu diria que a minha torcida pela
Pain e São Paulo é igual. Até penso em colocar no nome do meu filho algum
personagem do LoL – diz o Rafael Fernandes, sacando o celular do bolso para
saber que o Tricolor havia perdido para o Cruzeiro.
Além
de Rafael, outras pessoas também não esconderam o amor pelo futebol nas
arquibancadas do League of Legends. Era fácil avistar camisas de Flamengo,
Fluminense, Corinthians, Botafogo e até de times estrangeiros. Houve também
quem se vestiu de “futebol” para compor um cosplay – fantasias com
personagens do game. Foi o caso da carioca Joana Konder, de 21 anos, vestida de
Katarina Red Card, versão juíza de futebol da campeã. A cortesia foi um amigo
alvinegro que emprestou o manto e fez uma promessa para pagar a “dívida de
ausência” com o Glorioso.
– Ela
queria uma camisa preta e branca, eu sou botafoguense e emprestei. Eu fiquei
dividido. Não fui ao jogo contra o Grêmio (estreia do Botafogo no Brasileirão),
mas vou ao jogo da Libertadores na quinta. E a camisa está em boas mãos, vai
dar boa sorte. E se for bola dividida, eu fico com o Botafogo. Libertadores é
Libertadores. Mas tem espaço para todo mundo – 
disse Alan Menezes, de 19 anos.

também quem seja fã das duas modalidades, mas aponta o esporte eletrônico como
favorito. Torcedor do Flamengo, Lucas Tadeu, de 17 anos, até diz que cada setor
ocupa “um espacinho”, mas que a Red Canids – campeã da 1ª Etapa do
Campeonato Brasileiro de LoL – tem prioridade na escolha.
– Aqui
a torcida é para a TSM (equipe americana participante do MSI), mas sou
Flamengo. Cada um ocupa um espacinho, cada um fica no lugar. No Brasil, sou Red
Canids. E desde sempre, desde o início. Entre um jogo entre Flamengo e Red Canids,
eu fico com o jogo da Red Canids.
Diante
disso, cabe uma reflexão: será mesmo que o domingo é só do futebol?

COMENTÁRIOS: