Carioca, Mancuello, Rafael Vaz e Muralha.

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

KLEBER
LEITE
: . Começo pelo tema levantado
pelo querido companheiro HENRIQUE. Como sempre, com belo e objetivo texto, o
nosso Henrique detona o Campeonato Carioca, que considera ele ultrapassado e,
consequentemente, de importância relativa. Viajando mais um pouco no raciocínio
do Henrique, fica claro que, para ele, o importante é ganhar nesta quarta-feira
e, domingo, o que vier de resultado não vai alterar muita coisa.

Neste
caso, há a dúvida e, o tema é polêmico. Henrique, pela foto, é jovem, e talvez
isto tenha um peso significativo na análise feita por ele, dando pouca
importância ao Campeonato Carioca e supervalorizando a Copa Libertadores. Com
certeza, para os mais velhos, que tantas emoções já viveram proporcionadas por
espetaculares campeonatos estaduais, a distância em importância não é tão
grande, embora, obviamente, não há como negar que a Libertadores seja o sonho
máximo de consumo de qualquer torcedor, rubro-negro ou não.
Entendo
que haja um ponto de equilíbrio para definir o tema da melhor forma possível.
E, que melhor prova posso dar, do que convidando os amigos a darem uma
olhadinha em um post anterior (ler aqui), quando afirmo que, se treinador
fosse, colocaria contra o Fluminense, no primeiro jogo da decisão, todos os
jogadores que estivessem 100%. Qualquer um, com um mínimo de problema,
pouparia. Inclusive, afirmei que Éverton, pela importância que tem para o time,
deveria ser poupado, pois voltava de contusão preocupante. Portanto, penso
igual, só que de forma não tão radical, até porque, tenho no coração marcas
profundas, mais felizes do que tristes, de campeonatos estaduais inesquecíveis,
onde a rivalidade é inigualável. Ainda bem que temos este doce problema. Sinal
de que estamos vivos nas duas competições. Como dizem os argentinos, “¿Me
explico?”
. Como saboreio todos os
comentários, viajo e aprendo com eles, achei algo muito interessante. Metade
dos companheiros consegue ver qualidade em Mancuello, enquanto que a outra
metade, abomina o argentino. Como hoje estou, mais do que nunca, com o espírito
conciliador, vou ficar entre as duas metades e, explico. Quem abomina
Mancuello, com afirmativas de que é um jogador frio, que não suporta um jogo
inteiro, já que tem fragilidade física, talvez pense assim pelo fato de ter
esperado mais do que o jogador pode oferecer. Quando contratado, o argentino
chegou como solução para a nossa deficiência de criação e, realmente, se foi
contratado com esta intenção, compramos gato por lebre…
Vencido
o trauma de não ser ele um talento capaz de desequilibrar, ante as
circunstâncias, como ocorreu no domingo passado, até que deu para o gasto e, se
o raciocínio for o de começar a ver Mancuello como um jogador para compor o
elenco, aí convenhamos, ele não é tão feio assim.  “¿Me explico?”
. E o Rafael Vaz, hein? Já
imaginaram se no Fla-Flu de domingo a pixotada do tricolor Renato Chaves, que
redundou no nosso gol da vitória, tivesse sido cometida pelo Rafael Vaz? Aí
está o exemplo claro da importância e, de como é diferente jogar pelo Flamengo.
Se o erro bisonho tivesse sido cometido pelo zagueiro rubro-negro, não poderia
ele sair de casa, no mínimo, durante um ano…
A
verdade é que o nosso nível de exigência é realmente muito maior, o que implica
para o jogador em uma responsabilidade infinitamente superior. Não parece
incrível que sequer seja comentado pelo torcedor tricolor a furada grosseira do
zagueiro? Lá, não é como aqui, onde a banda toca de maneira completamente
diferente.
Comento
o fato desta forma, relembrando o episódio de domingo, para dizer que descobri
uma nova qualidade em Rafael Vaz. Personalidade! Mesmo sabedor de que não é uma
unanimidade entre os torcedores rubro-negros, num jogo dificílimo, jogou como
um verdadeiro príncipe, sendo perfeito por baixo, no jogo aéreo e nas saídas de
bola. Pode ser que eu esteja errado, até porque, como ser humano, sou falível,
mas como gosto de arriscar e não sou de ficar em cima do muro, me passa a
sensação de que neste Fla-Flu que passou ganhamos definitivamente um muito bom
zagueiro.
. E o Muralha, hein? Repararam
como é inteligente e sensível o treinador da Seleção Brasileira? Tite, ao final
do jogo, ao elogiar Muralha, de certa forma livrou a sua própria pele, pois já
houve quem o tivesse criticado pelo fato de ter convocado o nosso goleiro.
Muralha, que também não é unanimidade no mundo vermelho e preto, tem um defeito
grave, que é sair mal do gol – e carrega o estigma de que não pega. No mais,
nada deve a quase todos os goleiros em atividade no Brasil.
Esta é
minha fotografia do nosso goleiro. Se vai se firmar ou não, vai depender
diretamente do que vai acontecer nos próximos jogos. De qualquer forma, seja
para ser o camisa 1, ou o camisa 12, o Flamengo precisa, com urgência, contratar
um goleiro. Muito em breve, não tenho nenhuma dúvida, o número da camisa estará
definido para a futura próxima contratação, pois nestes próximos jogos, Muralha
irá sinalizar, através de suas atuações, que tipo de goleiro os dirigentes
devem contratar.

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