Com essa “cara de Flamengo”, podemos ir além.

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Jogadores do Flamengo comemorando título Carioca 2017 – Foto: André Fabiano

ESPN
FC
: Por Marcos Almeida


pouco mais de ano, José Ricardo Mannarino era campeão. Conquistara um torneio
de base, aquele que preenche o vazio do “futebol futebol” entre o fim de uma
temporada e o início de outra. Olhava para cima, via Muricy Ramalho; olhava
para frente e não poderia imaginar o futuro que o aguardava. Hoje, Zé Ricardo é
campeão de novo. Campeão invicto, em um Maracanã lotado, na primeira decisão
Fla-Flu em 22 anos.
Insistente,
o técnico chegou e chega a irritar o torcedor. Não abre mão do 4-3-3 e suas
variações, acredita no futebol de Gabriel, na inteligência de Berrío; confia no
passado de Leandro Damião. Esse Zé teimoso é o mesmo que pegou um time arrasado
e levou à Libertadores, e que transformou Guerrero de decepção em uma das
principais peças do conjunto. É o Zé sereno, que não se descontrola e mantém o
tom de voz. Não perde o equilíbrio na hora do gol, na tristeza da derrota ou no
choro do primeiro título profissional. É o Zé quietinho, que veio da base, de
dentro do clube, como muitos de nossos mais emblemáticos e vitoriosos
treinadores. Do seu jeito, com suas tipicidades, José Ricardo Mannarino é o Zé
Flamengo.
É
Flamengo como tem sido Paolo Guerrero. Acabou o caô, a desconfiança. O atacante
dos R$12 milhões em luvas e 300 mil cartões amarelos hoje é o artilheiro do
Mengão. Brigador, raçudo; centroavante. Que agora faz gol em clássico, que
agora é a esperança da Nação. Tinha de ser dele o gol do título. A prova de que
o Flamengo de hoje é melhor, mais forte; de que o time mudou e tem gana de ir
além.
O
Flamengo de hoje é o que faz a multidão bradar em uníssono, logo após a
conquista: “Márcio Araújo, Márcio Araújo!” Não é malandragem, tampouco
sarcasmo. É a pura verdade. Márcio Araújo é mais um de nossos campeões que tem
a cara do Flamengo. Alguém que sempre deixou clara a honra que é vestir o Manto
Sagrado. E se o futebol de outrora enfurecia, o de agora enche de orgulho. Um
legítimo rubro-negro, que se desdobra, sua até secar para estar em todos os
lugares do gramado. Dotado de uma seriedade que contrasta com a descontração
“do cara” dessa última semana.
Rodinei
é Flamengo demais. É símbolo de esforço, raça, determinação, superação. Sempre
com um sorriso maior que o rosto. Irreverente, descontraído, brincalhão. Como
um geraldino em campo, é nosso melhor ponta-direita, e fez por merecer decretar
o 34° título estadual do clube. Com aquele mar de dentes, caiu nos braços da
massa. Voltou sem a camisa, essa ficou com o povo. Flamengo é tudo isso, e não
só.
Flamengo
também é Éverton, emocionado ao lembrar do passado e sonhar com outras alegrias
que poderá ter vestindo essas cores; é Renê, entrando no lugar do conterrâneo e
companheiro de concentração Rômulo, afirmando que jogara por ele. Flamengo é
Diego – o Camisa 10 da Gávea –, fora, por lesão, e cheio de vontade de voltar e
ajudar a dar passos maiores em nossa caminhada; é Jayme de Almeida,
protagonista ou coadjuvante, apenas Flamengo.
A bem
da verdade, no futebol atual, deixar de perder uma final de estadual vale quase
tanto quanto ganhar. Mais que o título, o que agarra nossas mentes e corações
agora é esse Flamengo com cara de Flamengo. A equipe do ano passado, que tinha
dificuldade de vencer time grande, que ia mal em clássicos, não existe mais.
Temos jogadores que hoje entendem a imensidão de ser rubro-negro, uma torcida
que não se contentará com a pecha de “melhor do Rio”, e um treinador
determinado a devolver ao Flamengo o que o Flamengo tem lhe dado.
Não
podemos parar. Campeões cariocas com time ruim já fomos várias vezes; com time
bom temos de ir mais longe. Derrubar o tabu das vexatórias eliminações na
Libertadores; provar que 2009 não foi sorte.
Sejamos
Flamengo todos. Do goleiro ao paraense, do massagista ao gaúcho. Que o brilho
nos olhos do rubro-negro que viveu 1981 possa ser o nosso ao falar de 2017.

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