Covardia sabotou o Flamengo. Zé Ricardo foi o responsável.

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Zé Ricardo, treinador do Flamengo – Foto: Staff Images

COSME
RIMOLI
: “Cheirinho no ar”.

A
frase invadiu os potentes alto-falantes da arena do Palmeiras, logo após a
vitória diante do Internacional. Deveria ser irônica. A maioria dos 32 mil
torcedores presentes no estádio sabia a que se referia. À eliminação precoce do
Flamengo da Libertadores.
A
ironia, na verdade, era respeito. Na avaliação feita pela Comissão Técnica
palmeirense, os flamenguistas tinham tudo para serem os rivais mais poderosos
na Libertadores. Pela qualidade do elenco; a torcida mais vibrante do Brasil,
capaz de fazer tremer o Maracanã; o revigorado poder financeiro, a força nos
bastidores, com o eterno apoio da TV Globo.
Mas
para alívio de Cuca e Mauricio Galiotte, pela terceira vez consecutiva, o
Flamengo caiu. Não estará no sorteio das oitavas-de-final. Parou no início da
Libertadores, ainda na fase de grupo.
Não
será apenas o Palmeiras que se alegrou com a queda do time da Gávea. Eduardo
Bandeira de Mello, depois de conseguir tornar o clube viável economicamente. O
clube ainda deve muito. R$ 390 milhões. Mas a conta já batia nos R$ 750
milhões, em 2013. Fora o fato de não ter sequer um Centro de Treinamento
decente. Nem sonhar em administrar o Maracanã. Ou reformar o estádio da
Portuguesa, na Ilha do Governador, para usar como seu, em partidas menores.
Tudo
isso foi feito, mas o time caiu na Libertadores.
“Não
haverá caça às bruxas”, bradava nesta madrugada, Bandeira de Mello. O
recado do dirigente não poderia ser mais transparente. Não demitirá Zé Ricardo,
apesar das substituições equivocadas. Nem vai buscar novo goleiro, depois das
falhas de Muralha nas saídas do gol. O dirigente acredita na manutenção da
base, do trabalho, no futebol.
“Se
pensam que cabeças rolarão, podem tirar o cavalo da chuva”, avisava o
presidente. Ele sabe que enfrenta oposição no Flamengo. E esta eliminação
deverá ser aproveitada por grupos que tentam voltar ao clube.
É uma
postura equilibrada.
Sensata.
Mas
artificial.
É
lógico que o Flamengo sentirá o golpe. Não montou uma equipe milionária à toa,
com jogadores caros como Guerrero, Diego, Berrio, Trauco, Juan. E Conca que,
contundido, sequer estreou. Estava sendo preparado para as fases agudas da
Libertadores.
O
sonho era a reconquista da competição, depois de 1981.
E a
disputa do Mundial de Clubes, nos Emirados Árabes.
Só que
tudo acabou ontem à noite.
Restam
Brasileiro, Sul-Americana e Copa do Brasil.
Mas a
sensação é que, embora em maio, 2017 já acabou.
A
reação dos torcedores foi ainda na madrugada.
Inúmeros
deles usaram as redes sociais não só para protestar contra o time, contra o
treinador, contra os dirigentes. Mas reclamar de algo inacreditável. Estavam
tentando se desligar do plano de sócios-torcedores. Mas só que, de forma muito
estranha, o site estava fora do ar. Flamenguistas acusavam ser algo proposital.
Evitar a debandada por impulso, raiva.
Torcedores
alegavam estar desempregados e mantinham por amor ao Flamengo e pela fé na
Libertadores, o pagamento. Com a eliminação, desejavam parar de pagar. Depois
de horas fora do ar, o site já estava restabelecido nesta manhã, pronto para
quem desejasse fazer o cancelamento. De qualquer maneira, é uma situação digna
de verificação por parte do Procon.
É
evidente que a situação na Gávea não ficará tranquila.
Quem
de direito será cobrado, apesar de Bandeira de Mello.
O nome
inicial será Zé Ricardo.
O
treinador fracassou na primeira Libertadores que disputou na vida. Assim como
acontecia com Eduardo Baptista, no Palmeiras, ele disputava a competição com uma
cobrança enorme. A pressão para vencer era transparente.
Os
três maiores públicos de 2017 no Brasil foram no Maracanã. Nos três jogos que o
Flamengo fez na primeira fase da Libertadores. Flamengo 3 x 1 Universidad
Católica, 54.555 pagantes; Flamengo 4 x 0 San Lorenzo, 54.052 pagantes; 3º
Flamengo 2 x 1 Atlético Paranaense, 53.389 pagantes.
Foram
arrecadados R$ 10,5 milhões nestes jogos.
Nas
oitavas de final, os ingressos seriam aumentados.
A
previsão era que a arrecadação deveria subir muito.
Chegar
a pelo menos R$ 5 milhões por jogo no Maracanã.
Fora
as premiações milionárias da Conmebol.
Quem
chegar ao título embolsará R$ 16,6 milhões.
O que
mais irrita os torcedores e imprensa carioca é a campanha do Flamengo. O time,
montado para ganhar a Libertadores, teve um comportamento bipolar. Inadmissível
para quem deseja conquista.
Foram
três vitórias em casa.
E três
derrotas fora.
No
Maracanã, o time de Zé Ricardo se comportou com toda coragem, vibração,
firmeza. Equipe convicta de sua força, acreditando que estava na competição
para ser campeã.
Fora
do Rio de Janeiro, o Flamengo caiu na fácil tentação de se acovardar. Virou uma
equipe acanhada, medrosa. Dando toda a iniciativa do jogo para o Atlético
Paranaense, para a Universidad Católica e ao San Lorenzo. Pagou pelo medo.
O
desfalque do grande jogador de Diego tem sim de ser levado em consideração. É
um dos únicos talentos a atuar neste país. Mas só a sua ausência não serva como
escudo, como desculpa para Zé Ricardo.
Assim
como Eduardo Baptista fazia com o Palmeiras, o jovem treinador flamenguista se
deixou levar pela tensão, pela tentação dos contragolpes, pela preguiça tática.
Instalou insegurança, tensão e falta de confiança em um elenco ainda em
formação.
A
eliminação precoce do Flamengo é algo pesado demais.
O
restante do ano terá como missão apenas voltar para a competição em 2018. Se
vierem os títulos do Brasileiro, da Sul-Americana e da Copa do Brasil, todos
juntos, não compensarão a desclassificação de ontem.
O
Flamengo, ao lado do Palmeiras e do Atlético Mineiro, tem um dos melhores e
mais caros elencos da América Latina. Conseguiu um milagre financeiro. Se
modernizou como clube. Passou a se respeitar.
Mas o
planejamento para conquistas importantes como a Libertadores está falho. Como o
Palmeiras estava fazendo, treinador que nunca disputou uma Libertadores e, tem
a obrigação de ganhá-la, é algo pesado demais. Aconteceu. Até na própria
história do Flamengo.
Com
Paulo César Carpegiani em 1991.
Só que
seu time era Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Adílio, Andrade, Lico e
Zico, Tita e Nunes. Essa equipe não precisava nem de treinador.
O que
não é o caso do Flamengo de 2017.

Ricardo teve um começo brilhante.
Mas
falhou na competição que realmente importava.
A
eliminação precoce causou enorme prejuízo na Gávea.
E
alívio para os rivais Palmeiras e Atlético Mineiro…

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