Despesas do Maracanã dobram e lucro cai pela metade.

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

CHUTE
CRUZAD
O: Por Pedro Henrique Torre

O
futuro quanto à administração do Maracanã ainda é uma incógnita, mas o clube
que manda um jogo no estádio atualmente recebe o borderô com uma certeza: o
modelo de gestão está longe do ideal. A fome do gigante é grande no campo das
finanças e os protagonistas do jogo acabam com uma parcela muito pequena do
montante arrecadado. Um choque ainda maior se comparado ao antigo Maracanã,
antes da reforma para a Copa do Mundo. Houve uma inversão. As despesas
dobraram. O lucro foi reduzido à metade de outrora.
A
constatação é fácil. Basta abrir os borderôs das últimas finais de Campeonato
Carioca antes do início da reforma do Maracanã, em meados de 2010, e comparar
com o último demonstrativo financeiro disponível do estádio, no caso o do
Fla-Flu decisivo do último domingo. A renda bruta chegou a R$ 3,2 milhões, mas
as despesas atingiram o patamar de R$ 2,16 milhões, ou seja, 66,6%. Aos
finalistas o valor restante chegou a pouco mais de R$ 1 milhão, cerca de 32% do
total. Justamente o oposto de sete anos atrás.
Pouco
mais de 50 mil pessoas encheram o Maracanã para acompanhar a final da Taça Rio
entre Botafogo e Flamengo, em abril de 2010. Campeão da Taça Guanabara, o
Alvinegro faturou também o segundo turno e acabou campeão carioca. Uma partida,
obviamente, decisiva. Da renda de R$ 1,6 milhão, pouco mais de R$ 1 milhão foi
dividido entre os finalistas, Botafogo e Flamengo. Uma parcela de 61,8%. Já as
despesas chegaram a R$ 602 mil, 35% do total. O valor dos gastos no estádio
corrigido pela inflação chegaria a R$ 954 mil. Bem longe dos poucos mais de R$
2 milhões do domingo.
A
proporção se repetiu nos jogos decisivos das finais do Carioca de 2008 e 2009,
que receberam público pagante acima dos 70 mil torcedores. O lucro dos clubes
atingia cerca de 60% da renda bruta, enquanto as despesas giravam ao redor de
30%. O percentual imutável mesmo de uma década depois é a Taxa Ferj, de 10% da
renda bruta tanto em 2008, 2009 e 2010 quanto em 2017.
Antes
da reforma do Maracanã, a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de
Janeiro, a Suderj, era a responsável por administrar o estádio. Em 2010, por
exemplo, o órgão recebeu R$ 61.798 da renda de R$ 1,6 milhão. Apenas 3,6% do
total. A despesa operacional foi de dez mil. Bem diferente do último Fla-Flu.
Atualmente, o Maracanã está sob administração da Odebrecht. No borderô constam
inúmeros valores, como aluguel do estádio (R$ 627 mil), custo operacional (R$
452 mil), custo de infraestrutura (R$ 95 mil) e “contas de consumo” (R$ 160
mil).
2017
Renda:
R$ 3.242.130,00
Pagantes:
58.399
Despesas:
R$ 2.160.226,85 (66,6%)
Renda
líquida: R$ 1.044.036,54 (32,2%)
2010
Renda:
R$ 1.677.565,00
Pagantes:
50.303
Despesas:
R$ 602.169,20 (35,8%)
Receita
líquida: R$ 1.037.756,95 (61,8%)
2009
Renda:
R$ 1.989.415,00
Pagantes:
78.393
Despesas:
R$ 643.307,49 (32,3%)
Receita
líquida: R$ 1.298.993,75 (65,2%)
2008
Renda:
R$ 1.715.135,00
Pagantes:
78.716
Despesas:
R$ 566.582,60 (33%)
Receita
líquida: R$ 1.108.353,07 (64,6%)

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