Dívida de clubes com governo sobe no segundo ano de ProFut.

57
Foto: Divulgação

RODRIGO
MATTOS
: Depois da implantação do Profut, em 2015, houve uma redução na dívida
dos clubes com o governo federal por conta de descontos de multas após a
adesão. Mas, no ano passado, esse débito voltou a subir porque os times estão
pagando parcelas reduzidas no início, aponta um estudo da BDO Sports
Management. A expectativa é que o passivo só passe a cair em dois anos quando
houver pagamento de parcelas maiores.

Explica-se:
pelas regras do Profut, os clubes pagam 50% da parcela devida nos dois
primeiros anos. Em seguida, a parcela passa para 75% por mais dois anos.
Depois, atinge um patamar de 90% por mais dois anos. E só atinge 100% após esse
período. Quem aderiu no final de 2015 vai ter o primeiro reajuste no final de
2017. A exceção é a dívida de FGTS que tem parcelas fixas.
Enquanto
isso, o débito é reajustado pela taxa Selic, que atualmente está em 12,15%. Ou
seja, os pagamentos feitos pelos clubes são inferiores ao crescimento do débito
tributário consolidado na Receita.
Em
2016, a dívida dos 23 maiores clubes brasileiros com o governo aumentou 9% ou
R$ 230 milhões, atingindo o valor de R$ 2,6 bilhões, apontou o relatório da
BDO. O estudo da consultoria fala em estagnação do débito fiscal, levando-se em
conta os dois anos de Profut e a inflação. Em 2015, o débito fiscal teve queda
de R$ 100 milhões.
O
reajuste ocorreu no débito fiscal de quase todos os 23 clubes. O maior devedor
é o Botafogo, seguido de Atlético-MG, Flamengo e Corinthians (veja valores
abaixo). O blog apurou que, quando a parcela representar 75% do total, a
tendência é a dívida estagnar e se manter estável. Só passaria a haver queda
real do débito fiscal dos clubes a partir de 2020 quando os clubes então
pagarem 90% da parcela.
Maior
devedor, o Botafogo mostra em seu site a previsão de seus pagamentos dentro do
Profut. Em 2016, o clube estimou pagar R$ 5,150 milhões. Esse valor saltaria
para R$ 8,6 milhões em 2021 como pagamento integral. Só que esse valor será
maior porque a dívida será reajustada pela Selic nos próximos quatro anos.
Será
portanto a partir de 2020 que os clubes passarão a ter um real peso de dívidas
fiscais sobre seus orçamentos, e assim poderão começar a reduzir o montante que
acumularam de débitos durante anos com o governo. Veja quanto cada um deve:

Botafogo – R$ 292,7 milhões

Atlético-MG – R$ 284,3 milhões

Flamengo – R$ 282,3 milhões

Corinthians – R$ 232,2 milhões

Vasco – R$ 194 milhões

Fluminense – R$ 193,4 milhões

Cruzeiro – R$ 188,7 milhões

Santos – R$ 155,2 milhões

Bahia – R$ 111,5 milhões
10º
Internacional – R$ 109,4 milhões
11º
São Paulo – R$ 104,5 milhões
12º
Coritiba – R$ 100,2 milhões
13º
Grêmio – R$ 96,1 milhões
14º
Palmeiras – R$ 79,1 milhões
15º
Sport – R$ 64,6 milhões

COMENTÁRIOS: