Enquanto Flamengo reduz dívida, Fluminense e Botafogo elevam.

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Jogadores do Flamengo comemorando gol contra o Botafogo – Foto: Cris Dissat / Fim de Jogo

GLOBO
ESPORTE
: A criação do Profut e as cotas de TV ajudou os dirigentes a fechar os
anos de 2015 e 2016 no azul e também a diminuir as dívidas. Porém, é pouco
provável que isso se repita nos balanços de 2017. Com a ajuda financeira nos
últimos anos, só será possível conhecer a real situação financeira dos clubes
em abril de 2018, quando serão divulgados os balanços referentes a este ano.

– Será
bem difícil de se repetir a queda das dívidas em 2017. Essa queda está ligada
um pouco ao Profut. A dívida efetivamente caiu. O dinheiro novo entrou e fez
com que os clubes diminuíssem suas dívidas. (…) Tudo isso foi positivo em
relação ao que se tinha no ano passado. É uma queda pequena. A receita de TV
aumentou muito, mas a dívida não caiu muito. Há um grande aumento de dívida nos
últimos anos. Claramente 2016 foi um ano atípico. O déficit tende a aparecer em
2017. Os dirigentes vão falar que é um ano maravilhoso. Eles estão divulgando
um balanço um pouco falso porque tem o adiantamento da cota de TV. Em 2015 teve
o Profut e ano passado teve esse adiantamento. A gente só vai saber a real
situação financeira em abril de 2018. (…) Teve clube que aumentou empréstimo
mesmo aumentando receita, o que não é bom.

Dívida dos clubes brasileiros 2016 (Clique para ampliar) – Foto: Reprodução

Corinthians e Grêmio sem receita de
bilheteria
Um
gráfico que chama a atenção é o de receita de bilheteria dos 20 times com o
maior faturamento do futebol brasileiro. Enquanto Palmeiras lidera com R$ 30 mi
a mais do que o segundo colocado, Corinthians e Grêmio não apresentam receita.
Para Amir, isso se dá por duas razões distintas. No caso do time paulista, a
bilheteria de sua Arena é revertida para um fundo de pagamento do estádio.
Enquanto para o clube gaúcho, a briga com a construtora OAS impede o repasse do
lucro do estádio, fazendo com que o Tricolor tenha receita menor do que na
época do Olímpico.
– A
questão dos estádios é o grande problema para Corinthians e Grêmio. Para o
Corinthians ser dono da Arena, teve que abrir mão das receitas. Ele fatura
cerca de R$ 70 mi, R$ 80 mi por ano e esse valor fica retido para o fundo (de
pagamento do estádio). É um dinheiro que não aparece no balanço. O caso do
Grêmio é mais grave. Porque ele, em tese, não tem esse problema. Por causa da
briga com a OAS, ela não repassa a bilheteria para o Grêmio. No caso do
Corinthians não é briga, mas um acordo. No caso da OAS é uma briga entre as
partes. Um clube tem que pagar o fundo e o outro tem a briga com a OAS. É uma
briga que acabou fazendo com que o Grêmio faturasse mais com o Olímpico, em
questão de bilheteria. O que é uma coisa rara.
Possível
solução e destaques positivos
Por
mais que alguns clubes consigam chegar em um superávit com a antecipação das
luvas dos contratos de televisão e também com a receita de venda de jogadores,
essas são fontes que os dirigentes não podem confiar a longo prazo. De acordo
com Somoggi, há um caminho para seguir com superávit ao longo dos anos e
parabeniza a forma de gestão de dois clubes.

Enquanto não diversificar as fontes de receita e não trabalhar no
fortalecimento da marca, vai continuar assim. O caminho já foi mostrado pelos
clubes europeus. Aqui é a Era da Pedra Lascada do marketing esportivo. É bom
para o mercado que mais dinheiro venha da TV, mas o problema é a dependência.
Nós temos que mudar o ponto de vista de marketing, como os clubes recebem esse
dinheiro. O que falta é visão de negócio, que é tão forte na Europa e nos
Estados Unidos. Os clubes trabalham com poucas fontes alternativas de receita e
se baseiam muito em cotas de TV e venda de jogadores.
– Tem
um clube que merece muitos elogios, que é a Chapecoense. Eles passaram por uma
tragédia, o que daria um certo direito a gastar mais para se reconstruir. Mas
ela não tem dívida. Tem zero de dívida. O valor a receber é maior do que o que
ela deve. É uma mensagem para os clubes que mesmo depois de uma tragédia
daquele tamanho o clube consiga se reerguer sem precisar se endividar.
Novamente a Chape aparece como grande exemplo. O Atlético-PR também fecha com
superávit há algum tempo. Independente de ser campeão ou não. Isso merece
elogio por ser uma tendência do clube. São dois destaques positivos.

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