Eugênio Legal diz que Flamengo está no caminho certo.

18
Guerrero durante San Lorenzo x Flamengo pela Libertadores 2017 – Foto: Staff Images

EUGÊNIO
LEAL
: Desde o início do jogo ventava em Bajo Flores, bairro onde fica o estádio
Nuevo Gasometro. No início era a favor do Flamengo. Até os trinta do segundo
tempo tudo estava bem.  O vento mudou.
Virou um furacão no Chile e um Ciclón em Buenos Aires (um dos apelidos do San
Lorenzo). No último lance do jogo a sorte foi decidida. E o Flamengo está
eliminado da Libertadores.

Mais
uma dura lição que a maior torcida do Brasil sofre nesta competição. Em
Libertadores não existe nada garantido. O que parece ser, na maioria das vezes,
não é. Quando você acha que está tudo bem, deve se preocupar. Relaxamento,
acomodação e soberba são palavras proibidas.
O
Flamengo primeiro se acomodou, depois se acovardou, e por fim se apequenou. E
pagou o preço por isso. Ao longo do jogo o quadro da eliminação foi sendo
pintado com muita clareza.
Diante
de tamanha frustração é normal que torcedores, mídia e dirigentes se perguntem
de quem foi a culpa. É preciso ter cabeça fria para analisar. O que aconteceu
ontem é como um acidente de avião: tem várias causas. Elas precisam ser
avaliadas para evitar decisões equivocadas que comprometam a sequência da
temporada.

está sobrando para todo mundo. Tem torcedor pedindo a cabeça do técnico, o mais
comum na nossa cultura; outros colocando a responsabilidade no menino Matheus
Sávio que participou dos lances dos gols argentinos; no Rafael Vaz (mesmo que
não tenha culpa ele é lembrado), no Muralha (que estava inseguro, mas não teve
culpa nos gols), e em quem mais aparecer pela frente.
O
Flamengo não foi eliminado só ontem. Perdeu no Chile e em Curitiba, quando
jogou melhor que seus adversários. Não soube buscar um ponto fora de casa, tão
necessário para assegurar a classificação. Incluam na lista de motivos da
eliminação os gols perdidos e sofridos nestas partidas.
O jogo
da noite passada seria mesmo dos mais complicados. Por isso teria sido melhor o
San Lorenzo chegar eliminado à última rodada. Teria sido assim se eles tivessem
perdido ou empatado o jogo com a Universidad Catolica. Mas o mesmo Barrios que
entrou ontem e infernizou a defesa do Flamengo manteve o time vivo em seu
primeiro toque na bola como profissional. Está definitivamente na história do
clube de Boedo.
Sim,
tem um outro lado. Sempre tem no futebol. Um clube tradicionalíssimo que
recentemente foi campeão desta Libertadores tendo o fator casa como decisivo em
sua campanha. Um clube que aprendeu as lições desta competição. Por anos ouvia
a brincadeira a partir da abreviação de seu nome (C.A.S.L.A.) “Club Atletico
Sin Libertadores de America”. Um time que, depois de ter sido campeão, caiu
duas vezes na fase de grupos. Um time que foi humilhado no Maracanã e seguiu
trabalhando até se classificar na última jogada. Um time que não desistiu, que
não se acomodou, que não aceitou a eliminação.
O
Flamengo perdeu ontem. Não foi o Zé Ricardo, nem o Matheus Sávio. Foi o
Guerrero, o Diego, o Eduardo Bandeira de Mello. O clube como um todo. Ninguém
ganha ou perde sozinho. E todos devem aceitar e entender isso.
O que
fazer agora? Seguir trabalhando, cada vez mais forte. Ter ainda mais garra,
personalidade. Aprender com a derrota, crescer a partir dela. Não acho que seja
hora de rupturas, de desvios. De ajustes, sim. De correções de rumo, de
re-planejamento da temporada. Mas o projeto, como um todo, está em evolução.
Está no caminho certo. Se mantiver o foco, o Flamengo ainda pode dar alegrias
em 2017 à sua torcida.

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here