Éverton é o termômetro do Flamengo.

68
Everton, meia-atacante do Flamengo – Foto: Gazeta Press

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Ele
está longe de ser um dos jogadores mais chamativos do elenco rubro-negro. Não é
badalado como um Guerrero, selecionável como um Arão, você não vê a torcida
lamentando suas lesões em posts emocionados e vagamente sexuais como acontece
com Diego. Ao mesmo tempo ele passa longe de causar a irritação de um Cirino, a
constante preocupação de um Rafael Vaz, o ímpeto de sair do cômodo pra fumar um
cigarro e nunca mais voltar, abandonando não só o esporte, como também a
família e qualquer plano de felicidade quando ele pega na bola gerado por um
Gabriel.
E
mesmo sem nada disso, cada dia fica mais clara a importância de Éverton para a
equipe rubro-negra. Primeiro por razões bem práticas: no 4-3-3 de Zé Ricardo
ele é o único dos atacantes de lado de campo que parece fazer tudo que o
sistema tático exige. Se Mancuello ainda não se adaptou 100% ao posicionamento,
Berrío por enquanto parece ser capaz de atingir mach 5, mas não de armar uma
jogada e Gabriel simplesmente parece ser um sonho ruim, Éverton, com sua
experiência tanto na lateral quanto no meio parece se encaixar perfeitamente.
Jogando pelos lados ele cria oportunidades ofensivas, auxilia na cobertura
defensiva e se movimenta intensamente durante toda a partida, além de ser um
jogador capaz de aproveitar bem as chances que surgem, como deixou claro no gol
decisivo do clássico de domingo
Mas,
além da função tática, parece existir algo mais na presença de Éverton em campo
que torna diferente esse time do Flamengo, e que já ficou visível em diversas
ocasiões, como a reta final do Brasileiro do ano passado, por exemplo – a queda
de produção do rubro-negro, não sei se vocês lembram, coincidiu um bocado com a
lesão de Éverton. Talvez o atacante ofereça uma dinâmica diferente, ajudando a
equipe a suprir com velocidade os momentos de ausência de capacidade de
criação? Talvez o entrosamento dele com Guerrero acabe fazendo a diferença em
momentos decisivos? Talvez o simples fato da presença de Éverton garantir a
ausência em campo de jogadores como Gabriel ou mesmo Adryan já seja uma
contribuição inestimável para a paz de espírito do torcedor rubro-negro?
Difícil dizer. Mas a verdade é que com Éverton em campo temos um Flamengo mais
aguerrido, mais competitivo e que, ao contrário do jogo de quarta-feira, por
exemplo, soube transformar domínio e oportunidades em gol e vitória.
Para
quarta-feira, contra a Universidad Católica, a situação segue indefinida para
Éverton – atuando à base anti inflamatórios nesse domingo, é impossível
garantir sua situação no meio de semana -, mas numa partida que pode ser
decisiva e já garantir o Flamengo na fase de mata-mata da Libertadores, seria
muito importante contar com esse jogador que não recebe a mesma atenção, não
gera tantas manchetes, não inspira tantos cortes de cabelo, mas vem se
mostrando cada vez mais essencial para as ambições do Flamengo. Não é que com
Éverton em campo tenhamos certeza de vitória, de gols, ou mesmo de boa atuação.
Mas com certeza sem ele em campo isso tudo vem se mostrando um pouco mais
complicado.

COMENTÁRIOS: