Ex-promessas do Flamengo dão conselhos a Vinicius Júnior.

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Vinicius Júnior em Flamengo x Vasco – Foto: Gilvan de Souza

GLOBO
ESPORTE
: Foco: ter um objetivo, ser determinado a alcançar ou atingir uma meta,
ter prioridade em fazer algo não desvirtuando para outro caminho. Esta é a
palavra utilizada por cinco ex-promessas do Flamengo ao aconselhar o novo xodó
rubro-negro, Vinícius Júnior, de 16 anos. Assim como a nova revelação da Gávea,
Erick Flores, Célio Júnior, Bruno Mezenga, Paulo Sérgio e Nélio viveram o
estrelato de surgirem com o status de joia. Mas acabaram não correspondendo as
expectativas criadas. Longe disso.

Hoje,
em realidades totalmente diferentes e com mais bagagem no currículo, o
quinteto, a pedido do GloboEsporte.com, aconselhou o jovem jogador do Fla.
Afinal, o atacante vem atraindo holofotes, principalmente este ano, devido às
grandes atuações na Copa São Paulo de Futebol Júnior e no título da Seleção no
Sul-Americano sub-17. O passe refinado e a grande visão de jogo, inclusive,
despertaram a atenção de clubes europeus, como o Barcelona, o Real Madrid, entre
outros.
Confira
abaixo um pouco da história e o conselho de cada ex-promessa para Vinícius
Júnior.
Erick Flores
Natural
do Rio de Janeiro, Erick Flores, de 28 anos, foi formado na base do Flamengo.
Em 2009, surgiu como grande promessa do Rubro-Negro na campanha que culminou
com o título do Brasileiro. No entanto, sem conseguir se firmar na Gávea, o
meio-campo sofreu com sucessivos empréstimos – foram nove, no total. Rodou por
Ceará, Náutico, Duque de Caxias, Itumbiara, Avaí, ABC e Boavista-RJ, por duas
vezes. Sem conseguir grande destaque em nenhum destes clubes, acabou não tendo
o contrato renovado com o Flamengo.
Em
2015, o jogador defendeu o Boavista no Campeonato Carioca e rumou para o seu
primeiro desafio no futebol do exterior. Foi defender o FK Kukësi, clube da
Primeira Divisão da Albânia. Retornou ao Boavista este ano e, após a disputa do
Carioca, acertou com o Criciúma para a Série B do Brasileiro. Mais experiente e
com o status de joia deixado no passado, citou a mudança no profissionalismo na
Gávea para orientar Vinícius Júnior.
– Ele
(Vinícius Júnior) é muito novo. Você pode ver o que os meninos da idade dele
estão fazendo. E ele já tem essa responsabilidade toda. Eu diria para ele se
manter bastante focado. Eu vejo que ele é um menino de foco. A família é muito
importante neste momento. As oportunidades vão aparecer, como apareceram para
mim. Tudo acontece com muita facilidade. Mas ele precisa ter foco, ter a cabeça
boa para continuar no caminho certo, estar bem blindado. Mas acho que ele está
amadurecendo rápido, até pelo que ele vem fazendo na Seleção de base. A
diretoria do Flamengo hoje em dia é muito profissional também. É importante ele
saber lidar com a pressão desde agora, porque, no profissional, ele terá que
enfrentar isso, como todos. Saber lidar com o assédio desde novo será
importante para ele.
Célio Júnior
Célio
Júnior chegou à base do Fla em 1998. Sempre foi destaque na geração que revelou
nomes como Renato Augusto, Kayke e que, liderada por Adílio, tornou-se uma das
mais vitoriosas nas categorias inferiores do clube. Chegou a receber sondagens
de clubes europeus na época – um deles, o Roma. Encantou o técnico Abel Braga
durante treinamentos no ano de 2004. No final de 2005, já ganhando um elevado
salário nos juniores, foi promovido ao elenco principal.
No
entanto, o jovem que outrora ganhava nome e era uma aposta certeira, esbarrou
na vida exuberante, nas cifras altas – e ludibriadoras – e nas adversidades.
Pouco recebeu oportunidades no time de cima – fez apenas dois jogos entre 2006
e 2008 -, encarou empréstimos a clubes de menor investimento do Rio e, ao final
de 2008, apoiado por um empresário italiano que tomava conta de sua carreira,
optou por não renovar o contrato com o Rubro-Negro.
Foi
levado para o Bellinzona, da segunda divisão da Suíça. Tentou outra vez
engrenar no futebol da Bélgica e voltou ao Brasil para jogar em times como
América de Teófilo Otoni, Tombense, Valeriodoce-MG e na Croácia, em 2012.
Sem
sucesso na carreira, pendurou as chuteiras aos 28 e, hoje, dois anos depois,
trabalha como porteiro em uma empresa em Niterói. E usa tudo que viveu na pele
para aconselhar Vinícius Júnior.
– Um
conselho que eu dou para ele é ter os pés no chão, é a hora de firmar. Hoje eu
tenho certeza que, no meu caso, era a hora de treinar mais, se doar mais. É uma
hora chave (essa subida para os profissionais). É a hora do vai ou não vai.
Porque futebol é assim, daqui a pouco você sobe da mesma velocidade que pode
descer. Mas, se tiver foco e se fizer o máximo, consegue.
Bruno Mezenga
Natural
de Niterói, Bruno Mezenga foi levado ao Flamengo após o convite de um antigo
técnico da base do clube em 2004. Rapidamente, desandou a fazer gols e ganhou o
status de joia na Gávea. No primeiro ano, o jovem tinha nada mais nada menos do
que 38 gols em 33 jogos no Campeonato Carioca juvenil. A empolgação era tanta,
que, em 2005, ele foi alçado ao elenco principal como uma espécie de solução em
meio à escassez de atacantes no elenco que disputava o Brasileirão.
Em
2005, recebeu a primeira oportunidade no time principal, aos 16 anos, dada pelo
técnico Celso Roth na derrota por 1 a 0 para o São Caetano, pela quinta rodada
do Brasileirão. Recebeu algumas outras chances durante a temporada, mas passou
em branco em todas elas. Naquele mesmo ano, foi vice-campeão mundial sub-17 com
a seleção brasileira no Peru ao lado de nomes como Renato Augusto e Anderson,
por exemplo. Sem engrenar na ocasião, porém, Mezenga foi emprestado a algumas
equipes, como Macaé e Fortaleza.
Retornou
em 2009 e chegou a atuar na campanha que deu o título brasileiro ao Fla naquele
ano. Contudo, deixou o clube em 2010. Hoje, sete anos após a saída, encontrou a
felicidade atuando na Turquia, onde defende o Eskisehirspor, e afirma que
Vinícius Júnior precisa se distanciar das comparações para seguir a própria
carreira.

Tenho ouvido falar dele. Tenho visto alguns vídeos dele jogando pela Seleção
(de base). Parece ser um menino muito talentoso e eu espero que o Flamengo
trate ele com muito carinho, que possa gerenciar bem para que ele tenha um
futuro promissor. O conselho que eu posso dar é que ele trabalhe, seja focado
no objetivo que ele quer. E que ele siga a carreira dele, independente das
comparações e até mesmo que a própria mídia pode fazer em cima dele. Ele
precisa saber que cada um tem a sua carreira e ele precisa seguir a dele. E
focar nos objetivos que ele tem em mente e trabalhar forte para ele conseguir
tudo que ele deseja.
Paulo Sérgio
Paulo
Sérgio Luiz de Souza foi artilheiro na base do Flamengo. Marcou gol aos 17 anos
em clássico contra o Botafogo pelos profissionais e foi cercado de muita
expectativa desde muito novo. Tanto pela mídia, pelos torcedores e até pelos
dirigentes rubro-negros, que o alçaram ao status de joia em 2007. Os anos
passaram e, com a ausência do balançar das redes que lhe acabaram jogando na
areia movediça de surgir tão novo e despreparado em um clube com tanta pressão,
“Dindo”, como era conhecido, acabou se tornando andarilho da bola e
nunca se firmou no Rio.
Foi
emprestado para Figueirense, Estoril de Portugal e Náutico. E acumulou
sucessivos questionamentos e frustrações até deixar o clube em 2013. Passou
ainda por Operário Ferroviário, Paraná, Avaí, Criciúma… até desembarcar do
outro lado do hemisfério, para reencontrar a alegria de jogar futebol na Ásia,
na Coréia do Sul, onde está desde 2016.
– Eu
acompanhei o Vinícius Júnior no período dele na Seleção (de base) e estou na
torcida para o Flamengo segurar ele. Já deu para perceber que ele é diferente.
A gente torce para o Flamengo segurar para ele dar muitas alegrias para a nação
rubro-negra. E que não queimem ele como fizeram com muitos jovens. O conselho
que eu posso dar a ele, é para ele continuar focado, sempre com os pés no chão.
Ele parece ser um menino centrado, com estrutura por trás para dar conta. E
isso é muito importante. Então, é manter os pés no chão e ficar focado para
cada vez mais trabalhar para evoluir – disse o atacante, acrescentando as
reviravoltas de se estar no Flamengo.
– Ele
está em um dos maiores times do Brasil, um dos maiores times do mundo. Então, a
responsabilidade é muito grande e a cobrança também. No Flamengo, ao mesmo
tempo que você está no céu, você pode ir para o inferno e vice-versa. Então, é
ter muita tranquilidade, sabedoria e ir passo a passo, que logo, logo, ele vai
estar nos profissionais arrebentando.
Nélio
Principal
nome da base do Flamengo desde a pré-adolescência, Nélio foi chamado de
“Novo Zico” pelas atuações e levados para os profissionais do clube
em 2001, por Zagallo. No ano seguinte, surgiram novos chamamentos para o elenco
principal, mas sempre intercalados com retornos para os juniores, o que
impossibilitou o jogador de ter uma sequência.
Sem o
espaço que gostaria, o jogador acabou se envolvendo em uma briga judicial com o
clube e quase foi parar no Vasco. Mas conseguiu ser emprestado ao Atlético-PR.
Desde então, rodou por clubes como Cabofriense, Brasiliense, Paraná, Cruzeiro,
Fortaleza, Joinville, Pelotas, Tupi e Corinthians-AL, Gonçalense, Campos, entre
outros. Este ano, irá defender o America-RJ na Série B1 do Campeonato Carioca e
acredita que Vinícius Júnior precisa dar tempo ao tempo para ter sucesso na
carreira.

– Eu
diria para ele ter a cabeça no lugar e paciência. A palavra é paciência mesmo.
Com paciência, as coisas se encaixam melhor. É complicado falar isso para um
menino na idade dele. Mas quando você chega aos 30 percebe que as coisas vão se
encaixando. Se ele tiver paciência, as coisas vão acontecer. Ele está em um dos
maiores times do mundo, vem jogando muito bem na base. Mas no profissional é
outro esporte. Ele precisa ter paciência para estar preparado. Ter uma suporte,
ter a família ajudando é muito importante para isso. Com ele o talento que ele
tem, se continuar focado e tiver paciência, tenho certeza que vai deslanchar.

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