Façanha do Flamengo foi maior do que pareceu.

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Presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, comemorando título com os jogadores – Foto: Gilvan de Souza

MÁRIO
MAGALHÃES
: Melhor elenco e melhor time do Rio hoje, o Flamengo conquistou
invicto o seu 34º Campeonato Carioca/Estadual.

Quando
o melhor triunfa, supõe-se que deu a lógica. Que façanha seria o mais fraco
sobrepujar o mais forte.
Nem
sempre é assim. Como no domingo, com o Maracanã tomado por quase 70 mil
pessoas.
Os 2 a
1 no Fla-Flu foram alcançados por uma equipe extenuada. No meio da semana,
enquanto os tricolores se preservavam, os rubro-negros pelejaram numa
competição mais importante, a Libertadores.
Já no
primeiro tempo de ontem Guerrero sentiu incômodos físicos.
Everton
aparentou desconforto com a lesão de que convalesce.
Embora
mais sacrificado com os esforços nas duas semanas recentes, o Flamengo correu
até o fim.
O
Fluminense se ressente, e muito, de Scarpa fora.
E o
Flamengo tem imensa dificuldade para substituir Diego.
Ao
contrário do que havia ocorrido em ocasiões anteriores, a improvisação de Trauco
como armador não funcionou.
Enquanto
Berrío esteve em campo, na ponta direita, o campeão pareceu ter um a menos,
apesar da proverbial combatividade do atacante.
Na
melhor hipótese, Berrío precisa de tempo para se desenvolver. Na pior, foi
contratação infeliz.
A
despeito de Zé Ricardo, em começo de carreira, fazer muito bom trabalho, ele
não é treinador à altura de Abel. Ao menos por enquanto.
O
técnico tricolor prometeu que seu time entraria acelerado, e não na marcha
lenta de uma semana antes. Prometeu e cumpriu.
Depois
de abrir o placar, com Henrique Dourado, o Fluminense recuou, para investir em
contra-ataques. Atrás, quase não foi ameaçado no primeiro tempo.

O
Flamengo superou um time treinado por Abel. Não é pouco. Zé Ricardo tem
talento.
As
coisas se desenhavam tão complicadas para o rubro-negro que, embora minoritária
no estádio, a torcida tricolor em alguns momentos fez mais barulho. Refletia o
que acontecia no gramado.
O
melhor elenco do Rio é bom, batalhará pelo título brasileiro, mas não é a maravilha
com que alguns se iludem.
De
novo, Rodinei teve de ser improvisado na direita do ataque. Incendiou o time e
o jogo. Com dois laterais (Pará e, no lugar de Berrío, Rodinei), o ataque
tornou-se mais perigoso. E Rodinei anotou o último gol do campeonato. Já não é
hora de testá-lo desde o início?
Ele
merece a consagração por ter marcado na quarta e no domingo.
E mais
ainda o Guerrero, que honrou o nome (e fez mais um gol).
Meu
retrato da superação, contudo, é outro: Márcio Araújo.

disse e repito: prefiro um jogador um pouco menos técnico, porém mais raçudo e
eficiente, a um mais técnico e com sangue de barata.
Márcio
Araújo dignifica a camisa que veste.
É o
herói de tantas memes inspiradas na sua entrega. Gostei da do casal que, em
busca de proteção na hora do amor, sabe que a melhor camisinha é a da marca
Márcio Araújo. Ninguém protege como ele. Não passa nada.
Das
vaias exaltadas aos aplausos consagradores _eis Márcio Araújo, a síntese da
equipe cujo título foi muito mais difícil de alcançar do que sugere a ótima
campanha.
O
Flamengo abre maio muito competitivo.
Com o
estado de espírito de quem quer mais.
Se
mantiver a ambição, terá chances de chegar mais longe neste ano.

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