Fifa torna quase impossível permanência de Vinicius no Flamengo.

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Foto: Gregório Fernandes / CBF
RODRIGO MATTOS: O
Flamengo tinha como intenção renovar o contrato de Vinicius Jr, mas
provavelmente terá de fazer isso associada a uma venda antecipada ao Real
Madrid. Isso se explica pela norma da Fifa que proíbe clubes de assinarem com
jogadores de menos de 18 anos por períodos maiores. Assim, fica difícil para
times nacionais segurarem atletas que estouram ainda menores.
Atualmente,
Vinicius Jr tem contrato até o meio de 2019, o máximo permitido quando da
assinatura no meio do ano passado, com multa de 30 milhões de euros. Desde o
final do Campeonato Sul-Americano sub-17, a diretoria do Flamengo intensificou
a negociação para fazer um novo contrato. Mas ali já era maior o assédio de
grandes times europeus.
Então,
o clube rubro-negro passou a viver a seguinte situação: perderiam o jogador por
esse valor em 2018 por 30 milhões de euros. Por que? A cláusula 18 do estatuto
de transferência da Fifa estabelece que um jogador pode se transferir quando
for maior, e limita aos três anos o contrato com menor. Ou seja, os times
brasileiros só têm como segurá-los até os 19 anos. Pela lei brasileira, eles
poderiam assinar por cinco anos.
”Já
se tentamos mostrar na Fifa que esse prazo tinha que ser aumentado. Mas os
europeus, na verdade, querem reduzir a norma para poderem assinar a
transferência com 17 anos. A tendência parece ser manter como está”, contou o
advogado Marco Motta, especialista em transferência e que já fez parte de
comitês da Fifa. ”Desse jeito, não tem como segurar.”
Os
comitês para julgamentos de casos de transferência na fifa rejeitam qualquer
cláusula que estabeleça uma preferência para prolongar o contrato. Há uma
jurisprudência nesse sentido. Assim, não adianta o clube tentar se precaver
nesse sentido.
Ressalte-se
que a norma da Fifa tem como razão a tentativa de reduzir o tráfico
internacional de menores já que empresários levam jogadores para a Europa às
vezes em condições não humanitárias. Isso ocorre, em geral, com atletas da
África e da América do Sul.
”Não
só no Braisl, mas em todo mundo essa é a norma mais criticada pelos clubes.
Isso porque um time da Espanha, menor, por exemplo, também pode perder o
jogador para outro grande”, contou o advogado Eduardo Carlezzo, outro
especialista em direito esportivo internacional.
”Pelo
ângulo do jogador famoso e que vai ganhar dinheiro, pode não fazer sentido. Mas
tem o lado do jogador menor desconhecido. A Fifa parte do pressuposto que tem
que proteger.”
Carlezzo
defende que deveria ser respeita a legislação de cada país, sem uma limitação da
Fifa. Neste caso, os clubes poderiam fazer contratos de cinco anos e segurar
seus jogadores até os 21 anos. Na Espanha, esses acordos poderiam valer até
seis anos.
Ao
negociar uma possível transferência junto com a renovação, o Flamengo consegue
garantir a extensão do contrato de Vinicius Jr, aumentando sua multa
rescisória. Ao mesmo tempo, garante ao Real Madrid a compra dos seus direitos
por 45 milhões de euros. O clube brasileiro aumenta seu ganho, e talvez estenda
a permanência do atleta, o espanhol garante sua ida para Madrid, e Vinicius Jr
lucra com a operação. Ressalte-se que não há nada assinado ou acertado até
agora, sem uma negociação concluída.

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