Finalizar demais é ruim?

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Paolo Guerrero em Flamengo x Botafogo – Foto: Marcelo Cortes

O
GLOBO
: Por Fernando Calazanas

No
primeiro tempo contra a Universidad Católica, o Flamengo deu nove chutes a gol
— todos eles, um por um, desferidos por Guerrero. Só ele. E os 45 minutos se
esgotaram com um 0 a 0 no placar. Agora, vejam só o que é a ironia. Aos cinco
minutos do segundo tempo — no primeiríssimo chute do Flamengo não desferido por
Guerrero —, o time abriu o placar: 1 a 0. O chute foi do lateral Rodinei, que
acabara de entrar, depois do intervalo.
O
episódio pode suscitar uma leve controvérsia. Ao fim do jogo, Guerrero tinha
chutado nada menos do que 14 vezes e marcado apenas um gol (o segundo do
Flamengo). O que significaria, ou significa mesmo, que ele não está finalizando
as jogadas com precisão e eficiência. Pode ser. Não custará nada o Guerrero
aprimorar os chutes e a pontaria nos treinos.
Mas eu
prefiro me colocar no lado mais otimista, que existe em favor do centroavante.
Guerrero foi o melhor jogador da noite e vive sua melhor fase no Flamengo. Não
tem se restringido aos chutes, às finalizações. Aparece também nas tramas de
ataque, com toques e passes para os companheiros. Foi destaque, ao lado de
outros nomes como Pará, Márcio Araújo e Willian Arão.
Depois
de um primeiro tempo hesitante, o Flamengo foi um time forte no segundo, quando
construiu a vitória com duas de suas características mais tradicionais: a
disposição, a entrega.
Foi
mais uma vitória da disciplina, do espírito coletivo, do que do brilho. Mas
absolutamente convincente, merecedora dos aplausos e da festa do Maracanã
lotado. Maracanã e Flamengo, como velhos aliados.
Cuidado com ele
O
Botafogo é que não teve nem uma coisa nem outra, na derrota da véspera para o
Barcelona do Equador (0 a 2), também na Copa Libertadores. Nem conjunto, nem
brilho. Chegou a contrariar tudo o que se tem visto de positivo no trabalho de
Jair Ventura: a arrumação e o caráter competitivo. Defesa e ataque foram uma
desarrumação só.
É
compreensível dizer que a ausência de Bruno Silva, no meio de campo, foi um dos
motivos da desordem — mais aí é que está a questão: Bruno Silva, que tem sido
mesmo um dos destaques do time com a bola, não atuou porque está suspenso pelos
desatinos que vem cometendo no campo, jogo após jogo, em várias competições.
Futebol à parte, parece um jovem amador que, aos 30 anos, ignora as regras.

houve uma conversa com Jair Ventura sobre o assunto, conversa de bom tom, conforme
o próprio jogador relatou, mas afirmando também que vai continuar se
comportando como sempre fez. O Botafogo que se cuide.

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