Flamengo caminha para transformar Guerrero em um ídolo.

18
Guerrero tirando a camisa em gol do Flamengo – Foto: Cris Dissat / Fim de Jogo

COSME
RIMOLI
: Paolo Guerrero havia sido o herói do Mundial de 2012.

Fez os
gols que o Corinthians precisava para ser campeão.
Contra
o Al Ahly e diante do Chelsea.
O
peruano acreditou que viveria uma fase áurea no Parque São Jorge.
Puro
engano.
Chegada
de Pato, time desestabilizado, se perdeu em 2013, mesmo com Tite.
Pior
com Mano Menezes, menos competente.
Descontente
e sonhando com o retorno à Europa, queria sair.
Acabou
a paixão entre ele e o Corinthians.
Dirigentes
tentaram negociá-lo com o futebol do Exterior. Fizeram de tudo, mas não houve
acerto. Empresários experientes já havia avisado. Jogador sul-americano que
volta da Europa, e que completa 30 anos por aqui, não consegue retornar para a
elite do Velho Continente.
E
Guerrero não queria China ou Emirados Árabes.
Ou era
um grande clube europeu ou nada feito.
Cumpriria
seu contrato até julho de 2015.
E
ficaria livre para jogar onde quisesse, sem render um centavo ao Corinthians. O
então presidente corintiano, o delegado Mario Gobbi, tentou renovar seu
contrato. Teve uma discussão terrível com os representantes do jogador. Os
empresários anunciaram publicamente que não conversariam mais com Gobbi e
esperariam o novo presidente corintiano, Roberto de Andrade, assumir.
Mesmo
com Roberto não houve acerto. O grande erro foi que o Corinthians havia feito
um contrato de apenas três anos. E esperou muito para buscar a renovação.
Guerrero pediu R$ 18 milhões e R$ 500 mil mensais por um contrato de quatro
anos. Seria o penúltimo de sua carreira. Antes de jogar pelo menos seis meses
no Alianza Lima, time que o lançou para o futebol. O Corinthians chegou a R$ 13
milhões e R$ 400 mil. Para a renovação de três anos. Recusado de forma também
pública.
Foi
quando o então presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, mandou emissários
conversarem com representantes do atacante. Estava disposto a pagar o que ele
havia pedido para o Corinthians. Bastasse esperar agosto de 2015 e ele seria a
estrela do grande rival.
Guerrero
já havia ‘sido esganado’ por membros das organizadas que invadiram o CT do
Corinthians. A revelação foi feita pelo próprio presidente Mario Gobbi. O
peruano se recusou a prestar queixa e nunca quis falar sobre o fato. Ele
acompanhou as ameaças dos vândalos de quebrar as pernas de Pato e Sheik.
Decidiu
que não iria se arriscar.
Jogar
no Palmeiras seria provocar as organizadas.
Não
teria paz para seguir em São Paulo.
Foi
quando chegou o Flamengo.
O
clube ofereceu R$ 16 milhões de luvas e R$ 650 mil mensais. Mais bônus em caso
de artilharia e títulos. O clube carioca percebeu a ausência de ídolos no país
e tinha a certeza que o peruano, mesmo aos 31 anos, poderia ser a estrela que o
time precisava.
Ao
saber que não iria para o rival palmeirense, o Corinthians decidiu liberar o
jogador até mesmo antes do final de seu contrato. Em maio de 2015. O atacante
chegou ao Rio de Janeiro com uma badalação inesquecível.
Só que
a diretoria carioca não montou o grande time que havia prometido ao peruano. E
ele sofreu muito. Jogador mais bem pago do país, também foi o mais cobrado.
Emocionalmente, Guerrero sempre se mostrou muito tenso. Em toda sua carreira,
os jejuns sem gols o irritaram. Tiraram do sério. E, com companheiros fracos,
teve péssimos momentos na Gávea.
Chegou
a ficar longos cinco meses sem marcar um mísero gol.
E o
Flamengo fracassando em campo.
O
peruano ficou sem dar entrevistas, estressado.
Descontava
a frustração com cartões amarelos e vermelhos.
A
direção rubro negra e o jogador chegaram a pensar em 2016 se valeria a pena
continuar com o contrato. Mas com o clube seguindo sua gestão séria,
responsável financeiramente e com os R$ 160 milhões de direito de transmissão,
já havia fôlego para contratações. O time foi reforçado. Chegou outra estrela,
Diego. E a responsabilidade estava dividida.
O time
mais forte chegou a brigar pelo título brasileiro.
Ficou
em terceiro, atrás do Palmeiras e Santos.
Mas,
classificado para a Libertadores, o peruano soube. O clube buscaria outra
estrela, Conca. E ainda investiria em Rômulo, Berrio e ainda deu seu aval à
chegada do compatriota Traucco. O trabalho de Zé Ricardo tem como objetivo o
título.
Guerrero
vibrou com o Flamengo ganhando um grande cúmplice.
O
Maracanã.
A
maior e mais entusiasmada torcida do país faria a sua parte.
Seria
o doping na alma dos rubros negros.
Está
sendo assim na Libertadores.
O
clube já colocou, sozinho, o maior público duas vezes do Brasil em 2017. 54.052
flamenguistas contra o San Lorenzo e 54.555 apaixonados diante da Universidad
Católica.
No
domingo, contra o Fluminense, as duas torcidas foram além.
Quebraram
o recorde de 2017, chegando a 58.399 pagantes.
E no
clássico que decidiu o Estadual, Guerrero se consagrou.
Teve
outra excelente atuação.
Marcou
o seu décimo gol no Estadual, o consagrando artilheiro.
Ganhou
o primeiro título com a camisa rubro negra.
Se
consagrou ontem como o melhor jogador do Carioca 2017.
E,
lógico, está na seleção do Estadual.
A
orgulhosa imprensa peruana divulgou com ênfase.
Seu
sorriso esteve estampado em todas primeiras páginas dos jornais.
Guerrero
é a maior estrela do futebol daquele país.
E
esperança nestas últimas quatro rodadas das Eliminatórias.
Segue
o sonho de classificação para a Copa da Rússia.
Dono
de uma mansão de R$ 10 milhões, na Barra da Tijuca, o atacante está
completamente integrado à vida carioca. Com o que ela tem de bom e de ruim. Não
anda sem segurança. Carro blindado. Foge de lugares públicos para se divertir.
Embora
não pareça, já tem 33 anos.
Seu
contrato com o Flamengo vai até julho de 2018.
A
alegria tomou o lugar da depressão.
Com a
infraestrutura revigorada do clube, sua forma física está excelente.
Melhor
até do que seus dois últimos anos.
Ele já
chegou a 34 gols e oito assistências na Gávea.
O
maior desejo é repetir o que fez no Corinthians.
Disputar
e ganhar o Mundial pelo time carioca.
Para
isso, é necessário vencer a Libertadores, competição que não disputou pelo
clube paulista em 2012. Só jogou em 2013 e não conseguiu conquistar o torneio.
Guerrero
está mesmo apaixonado por seu atual clube.
“Tem
que ter colhões para jogar no Flamengo”, reconheceu.
Entendeu
a responsabilidade e o privilégio que tem.
Finalmente
está fazendo valer toda esperança.
Ele é
a maior estrela da Gávea, do Rio de Janeiro.
E
caminha para ser a mais importante do Brasil.
O
Carioca foi só o primeiro passo…

COMENTÁRIOS: