Flamengo chega ao Brasileiro melhor preparado do que em 2016.

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Arte: Chute Cruzado

CHUTE CRUZADO: Por Pedro Henrique Torre

Provável
que quem se aborreceu em 2016 com a divertida brincadeira do “cheirinho” da
torcida rubro-negra tenha motivos para se irritar de novo em 2017. O Flamengo
entra no Campeonato Brasileiro deste ano da mesma maneira que deixou a última
edição: como postulante ao título. Se por um lado o elenco parece estar melhor
preparado, por outro a pressão pela conquista será mais elevada. Natural. Desde
que a gestão Bandeira de Mello assumiu o clube, a escalada é gradual.
Atualmente, o Flamengo tem estrutura e grupo qualificado para acompanhar a
batida de 38 rodadas.
O
trabalho do técnico Zé Ricardo, com quase um ano de duração, é pilar importante
na disputa pelo hepta. Zé, hoje, é um técnico diferente. Não precisa com tanta
urgência dos resultados para permanecer no cargo. Ousa, arrisca e conhece bem o
elenco. Há confiança interna, da arquibancada e da crítica. Encorpada com a
conquista recente do Campeonato Carioca, seu primeiro título entre os
profissionais. Aos 45 anos, Zé Ricardo mostra um trabalho consistente, com um
Flamengo linear e dono de um caráter fundamental em uma competição de pontos
corridos: dificilmente é derrotado e o bom desempenho tem sido regular. Neste
ano tem 73% de aproveitamento em 26 jogos, com 52 gols marcados e 17 sofridos.
Desde outubro, quando acabou batido pelo Internacional por 2 a 1, no Beira-Rio,
o time somou apenas mais duas derrotas, fora de casa, por um gol, diante de
Atlético-PR e Universidad Católica, ambas neste ano.
Com um
técnico mais confiante no cargo, as vantagens para disputar a competição e se
adaptar aos adversários apareceram. Em 2016, o Flamengo era competitivo, mas
acabou até certo ponto previsível na reta final da competição. Era o time dos
pontas. 4-2-3-1, com Gabriel na direita e Everton na esquerda. Havia poucas
peças para substituí-los e pouco tempo para tramar novas ideias e pô-las em
prática. O contrário desta temporada, quando Zé iniciou o ano no cargo. Houve
contratempos. Diego lesionou o joelho direito e está em fase final de
recuperação. Deve estrear em poucas rodadas na maior competição nacional. Mas
mesmo sem ele o Flamengo encarou seu período mais duro em 2017 com variação.
Uma prova do amadurecimento do trabalho.
Ainda
com Diego, Zé Ricardo apostou em um 4-4-2, com o meia mais à frente, ao lado de
Guerrero. Sem o jogador, ele se viu forçado a abrir o leque, já que espelhar o
papel de meia centralizado é difícil. 4-1-4-1, com Romulo e Arão avançados,
como meio campistas. Trauco deixou a lateral e também foi para o meio. Berrío
ocupou a faixa da direita nos Fla-Flus decisivos do Carioca. Rodinei também foi
utilizado por ali. Tudo com a característica de posse de bola, troca de passes,
girar o jogo e dominar o rival. Não há atualmente como prever a escalação do
Flamengo com exatidão. 4-2-3-1, 4-1-4-1, 4-4-2. As opções cresceram, o jogo do
Flamengo também. E as individualidades apareceram ainda mais.
Diego
já vivia boa fase até se lesionar, mas Guerrero vive seu melhor momento com a
camisa 9 desde que chegou ao clube, em meados de 2015. Faz o pivô, dá
assistências e mostra faro artilheiro. Dedica-se de forma impressionante e tem
sido decisivo. Consequência direta de uma equipe que encontrou várias maneiras
de jogar para aproveitar o potencial do atacante peruano. Parte de um leque que
pode, ainda, aumentar. Conca, também em fase final de recuperação de uma lesão
no joelho, é reforço certo. Ederson acaba de retornar aos campos. E o clube
vislumbra a contratação do meia-atacante Everton Ribeiro. Reforço que
certamente assumiria a faixa direita, podendo revezar o setor com Conca,
repetindo a função de Mancuello no início do ano. Problema, dos bons, para Zé.
A chegada de um goleiro mais experiente, de bom nível, para competir com
Muralha também faria bem ao elenco.
Nem tudo é céu de brigadeiro: a definição
do estádio
Em
2016, o Flamengo se tornou mais previsível ao fim da temporada com seu esquema
de pontas, mas, no fundo, houve também outro vilão. O excesso de viagens. Das
36 rodadas, 33 foram disputadas longe do Rio de Janeiro. O desgaste físico era
esperado e ficou evidente. Neste ano, o clube tem conseguido disputar partidas
no Maracanã. Mas a situação do estádio segue absolutamente indefinida, entre
brigas judiciais e possibilidade de uma nova licitação. Não há garantias de que
o local seja a casa do Flamengo.
Neste
ano, ao menos, o clube trabalhou antes com uma alternativa. Mas a Arena da Ilha
do Governador ainda passa por reformas ao custo de R$ 15 milhões. Carece de laudos
e de ser testada. A capacidade também joga contra: abrigar a maior torcida do
país em cerca de 20.500 lugares é tarefa difícil em uma disputa de título, com
boa fase. O regulamento do Brasileiro, no entanto, ainda limita o clube a
fazer, literalmente, voos mais longos e mandar jogos em outras praças, como
Brasília e Natal. Perda na parte financeira, vantagem na parte física.
Definir
a casa, no entanto, é fundamental para o seguimento do campeonato. Com o módulo
profissional do Ninho Urubu finalmente inaugurado no fim de 2016, aproveitar o
Centro de Excelência em Performance (CEP) com mais tempo de permanência no Rio,
é um ganho. Além disso, o envolvimento com torcedores, a criação da atmosfera é
necessária em grandes jogos. Repetir a divisão de estádio com rivais diretos
pela taça, como houve contra o Palmeiras, em Brasília, em 2016, seria erro
primário. No saldo, o Flamengo mira o título. O cheirinho tem tudo para ser
mais forte em 2017.
Fla na temporada como mandante:
23.561
média de público pagantes
25.835
média de público presente

1.2 milhões
de média de renda

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