Flamengo e Palmeiras assumem status de mais ricos do Brasil.

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Rafael Strauch, Flávio Willeman, Daniel Orlean, Claudio Pracownik e Alexandre Wrobel, vice-Presidentes do Flamengo Foto: Gilvan de Souza

ESPN: Ao
assumirem o comando de Palmeiras e Flamengo, as atuais gestões da dupla
chegaram a uma conclusão: faltava dinheiro.

No
rubro-negro carioca, esse rombo era de R$ 130 milhões. No alviverde paulista, o
cenário era semelhante. Em ambos os casos, foram necessárias medidas, cada um
ao seu modo, que contrastavam inicialmente com os interesses imediatistas dos
torcedores, mas que hoje põem os dois em situação privilegiada na comparação
aos demais concorrentes no mercado.
A
princípio, em uma análise superficial, baseada no dinheiro.
Em
campo, especialmente, os cariocas ainda ‘derrapam’.
Não é segredo:
Flamengo e Palmeiras são os dois clubes mais ricos do país.
Ao
Fla, o seu crescimento é creditado a um suposto favorecimento da Rede Globo na
distribuição das cotas do Brasileiro – foram R$ 100 milhões em luvas no novo
acordo entre 2019 e 2014, por exemplo.
“Nosso
superávit não se deu por causa disso. O nosso faturamento médio tem sido de R$
350 milhões. A nossa dívida é reduzida em 14% ao ano. É um crescimento
sustentável, não baseado em fatos excepcionais. Passou o ciclo de
desespero”, rebateu o vice-presidente de finanças, Claudio Pracownik.
No
Palmeiras, por outro lado, o seu sucesso tem o apoio dos patrocinadores Crefisa
e Faculdade das Américas (FAM), mas, ao contrário do que pregam seus rivais,
está apoiado em um tripé, conforme o clube: arena, bilheteria e, também,
patrocinador. Ninguém fatura mais com ingressos no país.
“É
o que todo mundo gostaria de ter nos seus clubes”, afirmou o diretor
financeiro Luciano Paciello.
Pracownik
e Paciello se sentaram lado a lado no Conafut, 1ª Conferência Nacional de
Futebol, realizado em São Paulo, e discutiram se uma possível hegemonia é
possível.
O
ESPN.com.br mostra abaixo o que pensam os homens por trás das finanças da
dupla.
LUCIANO PACIELLO, DIRETOR FINANCEIRO DO
PALMEIRAS
Primeiramente,
voltando a 2013, a receita era de um nível muito diferente do que se tem hoje.
O que a gente definiu lá atrás era o que queríamos dentro de dois, quatro,
seis, oito anos. Um plano para que a gente chegasse hoje. Me recordo de uma
conversa que tive com o Paulo Nobre (ex-presidente). Disse a ele: ‘Paulo, nós vamos
precisar de seis a oito anos para por tudo isso, se der certo, não fazermos
muita coisa errada, no trilho’. Não estava muito errado. O Paulo ficou quatro
anos. Estamos no quinto ano dessa continuidade de gestão e as coisas
aconteceram.
Quem
tem receita estrutural, como o Palmeiras tem, uma arena muito forte, uma
torcida engajada, receita recorrente e uma certa pulverização, diversificação
que a gente entende que hoje está razoável, mas pode melhorar, tende a ter
muito mais sucesso no campo esportivo do que outros times que não atuarem nessa
situação. Nós temos a receita do sócio Avanti, que em 2013 nós criamos quase um
produto novo. Existia um produto até então muito mal utilizado. Gerou uma fonte
de receita que muita gente internamente não acreditava que poderia gerar e que,
por sua vez, foi visto valor junto aos torcedores e hoje ele representa junto
com bilheteria um valor muito interessante em nosso portfólio de receita.
Agora,
o que é importante frisar é: primeiro, não vai ser da noite para o dia e,
segundo, (somente manteremos) se a gente continuar trabalhando, engajando
torcedor, seja por time competitivo, ações que esses torcedores vejam valor.
Também não adianta você ter cliente que não vê muito interesse em estar
investindo de alguma forma os seus reais vindos de dois anos de crise e
recessão (se não valer a pena). O Palmeiras é a maior média de público do
Brasileiro com o ticket mais alto. É o que todo mundo gostaria de ter nos seus
clubes. Na semana passada, tínhamos 25 mil ingressos vendidos para o jogo uma
semana antes. Se você trabalhar ali no dia a dia e conseguir cativar isso,
realmente o benefício vem.
Concordo
que Palmeiras e Flamengo, nas suas áreas, atuando do jeito que estão
continuando com a receita que é recorrente – o Palmeiras nunca trabalha com
venda de jogador, sempre vai ser upside no negócio -, irão fazer a coisa
acontecer. Se mantiver esses três pilares entre arena, bilheteria e patrocínio
bastante forte e recorrente, não há clube que sobreviva sem.
CLAUDIO PRACOWNIK, VICE DE FINANÇAS DO
FLAMENGO
Eu
imagino que isso (o domínio) vai ser uma decorrência natural se os outros
clubes efetivamente não se reestruturarem. O Vasco da Gama (ao ser perguntado
sobre a distância de folha salarial com o Vasco, cuja torcida tem tamanho similar
à do Palmeiras)… Eu vou lhe dizer, nas últimas eleições dos clubes de futebol
coirmãos do Rio de Janeiro, todas elas eu conversei, tentei ajudar membros até
da oposição que depois viraram situação, falo isso com a maior tranquilidade.
Repetindo o meu discurso de que é preciso que todos cresçam.
O
Flamengo não tem pretensão nenhuma de ser o menos medíocre dos medíocres. Quer
ser o melhor dos melhores. O mercado tem que crescer e eu preciso que a
rivalidade entre Flamengo e Vasco seja uma rivalidade não de ofender um ao
outro na TV, provocar torcida, falar bazófia, coisas do tipo, mas preciso que a
rivalidade exista porque isso fomenta a torcida para que isso efetivamente gere
resultados que permitam aos clubes buscarem patamares maiores.
O que
foi dito sobre concentração (na divisão dos direitos de transmissão) eu
gostaria de recorrer aqui um pouco ao conceito filosófico de igualdade.
Antigamente se dizia que, pelo princípio de igualdade, todo mundo deveria ser
tratado de forma igual. E depois se evoluiu filosoficamente e até juridicamente
para o conceito de isonomia. Ele prevê que você trate os iguais com igualdade e
desiguais com desigualdade. Tratar desiguais com igualdade é maneira mais
cínica do mundo de se cometer injustiça.
Então,
Flamengo e Palmeiras ocupam esse papel que hoje em dia têm e conseguem maiores
receitas porquê de maneira desigual se profissionalizaram mais, se tornaram
mais competentes, tiveram coragem e eficiência para chegar onde chegaram. Você
bem colocou a questão da concentração de renda da televisão. No Campeonato
Espanhol, chega a 54% entre Real Madrid e Barcelona, aqui chega no máximo a 18,
19% entre Flamengo e Corinthians, quer dizer, longe de ser isso. No Campeonato
Inglês, o Leicester foi campeão. Se você separar os direitos de TV dele e dos
principais atuantes da liga, tem uma receia muito menor. Ainda assim, foi capaz
de ser campeão porque também tem custos menores e foi eficiente na utilização
de seus recursos.
Então,
essa ideia de que a TV comete injustiça, não comete, ela não comete. Ela paga
para quem oferece maior retorno de mídia a seus parceiros. A minha visão é de
que esse protagonismo que hoje existe pode continuar se perpetuando, mas não é
o ideal, gostaria que outros clubes buscassem não só dentro de campo, mas fora
dele um crescimento maior. Volto a dizer: teremos Flamengo e Palmeiras campeões
de tudo, mas não seremos Real Madrid e Barcelona. Gostaria que fôssemos. Então,
tem todo meu apoio qualquer medida que seja feita para que o crescimento se dê
para todos. Agora, com justiça, aqueles que mais se esforçarem, se
reorganizarem, buscarem melhores recursos financeiros a partir de suas
competências internas, têm que ser premiados efetivamente com mais dinheiro e
aí buscar os resultados dentro de campo.

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