Flamengo x Atlético-MG: o empate mais empate dos últimos tempos.

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ESPN
FC:
Por Marcos Almeida

Grande
aliado do Flamengo em 2017, o Maracanã mandou um importante recado nesse
sábado: a Nação pode fazer a diferença, mas, diante de fortes adversários, será
necessário apresentar um futebol notoriamente superior. Estreamos, no
Brasileiro, ante um rival direto na suposta briga pelo título. Ninguém ganhou.
Analisando a tabela, melhor para eles; analisando as chances criadas, melhor
para nós; analisando as oportunidades desperdiçadas, melhor para eles de novo.
O Flamengo poderia ter vencido por 4×1, o Flamengo poderia ter perdido por 4×1.
E os dicionários da língua portuguesa já podem incluir em suas páginas
“Flamengo 1×1 Atlético-MG- 13/05/2017” para exemplificar a definição do verbete
“empate”.
Melhor
no primeiro tempo, o Flamengo esbarrou, mais uma vez, na dificuldade de botar a
bola para dentro. Fizemos nosso gol em um cruzamento não desviado por ninguém.
Guerrero teve a chance de ampliar, ao girar sozinho na área. Bateu para fora.
Berrío poderia ter marcado o mais belo gol de sua vida, mas é praticamente
incapaz de tomar a decisão correta. Optou pelo passe fracassado.
Na
etapa complementar, o Flamengo foi engolido do primeiro ao trigésimo minuto.
Uma aula de futebol do Atlético-MG. Aula mesmo – faria um bem danado a time e
comissão técnica rever essa meia hora para aprender com o ataque atleticano.
Ultrapassagens, movimentação, tabelas, triangulações, toques de primeira,
passes curtos e – acima de tudo – objetivos. Atlético-MG no ataque era quase a
certeza de chance de gol criada. Em meio ao sufoco, Éverton poderia ter mudado
o rumo da partida. Parou em Victor. Por duas vezes, Rafael Vaz salvou a bola
que já havia passado por Alex Muralha. Na medida do possível, a defesa
rubro-negra reagia bem ao bombardeio. Reagia. Sofremos o gol em falha da nossa
dupla de volantes e de nosso capitão. Márcio Araújo tocou na fogueira, Willian
Arão e Réver tiveram a chance de isolar, mas não quiseram se submeter ao
chutão.
O
empate saiu aos 13 minutos, e só lá pelos 31’ o Flamengo voltou a respirar. À
la Rafael Vaz, Fábio Santos afastou de cabeça o chute de Réver. Gabriel também
encarnou o zagueiro rubro-negro e se esticou, em cima da linha, impedindo o que
seria um desengonçado gol de Paolo Guerrero. Ainda tivemos boa chance com
Ederson, respondida prontamente por Cazares. Àquela altura, Vinícius Júnior já
estava há 10 minutos em campo.
Desde
o gol de empate, a torcida clamava por ele. Sem Diego, Gabriel, Mancuello e
poupando Rodinei para a Libertadores (Pará está suspenso), Zé Ricardo resolveu
promover a estreia profissional da nova promessa do futebol brasileiro aos 37’.
Ali abrimos mão da vitória. Flamengo x Atlético-MG passava a ser “o jogo da
estreia de Vinícius Júnior”. O nervosismo que tomava a Nação deu lugar à
euforia pela entrada do garoto. Mas ainda era Flamengo x Atlético-MG, um dos
maiores clássicos interestaduais do Brasil, disputa entre dois dos melhores times
do país. Vencer era mais importante que por o menino para jogar.
Vinícius
Júnior tem 16 anos, foi integrado ao elenco profissional na última
quinta-feira. Mal treinou com os companheiros, entre os quais há gente com mais
anos de carreira que ele de vida. Não era a hora de o garoto estrear. Poderia
ter sido contra Resende, Macaé, Bangu, ou até mesmo na Primeira Liga, mas o
Flamengo optou por “lapidá-lo” para o Brasileirão. Dois dias de treino não
lapidam um adolescente, que entrou em campo com uma responsabilidade que não
poderia ser dele. Nervoso, é claro, nada conseguiu fazer. Fosse uma partida
vencida ou perdida, até caberia a estreia de Vinícius Júnior. 1 a 1 com o
Atlético-MG, não.
Sobre os ‘marmanjos’
Que as
palavras de agora não tragam nenhuma maldição, mas, desde que voltou do
afastamento, Rafael Vaz tem jogado muito bem. Melhor em campo no primeiro jogo
da final contra o Fluminense; na quarta, contra o Atlético-GO; e agora, contra
o Atlético-MG. Aliás, nesse sábado, foi até melhor goleiro que Alex Muralha (a
coisa anda difícil no gol do Mengão).
Seu
companheiro de zaga, Réver, vive um 2017 bem mais sério e seguro que o 2016, é
verdade. Ainda assim, cultiva o gosto de brincar com o perigo. Foi mole demais
para a dividida no lance em que saiu o gol atleticano. Fez lembrar o gol de
Rafael Silva, em Cariacica, na Copa Sul-Americana do ano passado. Outro “pé
frouxo” de nosso capitão.
Matheus
Sávio não será craque, mas tem feito boas partidas. Possui capacidade de
criação superior à da maioria de nossos meio-campistas e está mais pronto pra
jogar com gente grande que Lucas Paquetá, que perdeu todas, no corpo, na última
quarta-feira.
Willian
Arão é o Renato Abreu que não bate falta. Alterna partidas asquerosas com jogos
em que é extremamente importante e/ou decisivo.
Trauco
está de palhaçada, faz 6 jogos que não acerta nada.
Berrío
deveria se chamar Burrío. Impressionante como toma decisões erradas. Se tiver
de escolher entre “comer” e “não comer”, o colombiano morrerá de fome.
Fica a lição para quarta-feira
É
isso, meus queridos. Começou o Brasileirão com um jogo que poderia ter ido para
os dois lados e acabou indo para nenhum. O empate mais justo do Flamengo desde
os 2 a 2 com o próprio Atlético-MG, no ano passado, quando fomos no primeiro
tempo o que eles foram, agora, no segundo. Gosto amargo por tropeçar em casa,
por ter desperdiçado diversas chances de vencer. Certo alívio por não ter
perdido.
Mais
uma caminhada se inicia nesse frenético 2017. Que as pernas não cansem. Quarta-feira
tem o San Lorenzo, na trilha da América. Um ponto nos garante nas oitavas de
final da Libertadores. Com a consciência da “vantagem”, entremos em campo para
vencer. O 1 a 1 com o Atlético-MG é a prova do quão “jogar pelo empate” pode
ser perigoso.

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