Gol na raça e primeiro título cria elo entre Flamengo e Guerrero.

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Guerrero beijando troféu de campeão pelo Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

GLOBO
ESPORTE
: Os dez gols que levaram Guerrero à artilharia do Campeonato Carioca
poderiam ilustrar a importância do camisa 9 no Flamengo. Mas talvez a imagem
que retrate melhor a fase do atacante seja aquela, depois da conquista, em que
aparece nos braços da torcida. A sua relação com a arquibancada nunca mais será
a mesma depois deste domingo.

É bem
verdade que o jogador está clube há quase dois anos, mas não é errado dizer que
2017 foi o início do verdadeiro elo entre Guerrero e os rubro-negros. Ele nunca
se sentiu tão à vontade como neste ano. Nunca fez tantos gols pelo clube e
nunca havia se permitido tanto ser um protagonista. Assumiu o ônus e o bônus da
função em todos os momentos que foi preciso. Foi o nome da decisão, o nome da
conquista e colocou de vez seu nome no coração dos torcedores.
Muito além do homem de área
A
final foi mais dramática do que esperado. Aquela vantagem conquistada uma
semana antes durou pouco com o gol do Fluminense, antes mesmo dos cinco minutos
de jogo. O Paolo Guerrero em campo não era diferente do visto nos últimos
jogos. Um camisa 9 que abre mão de ficar apenas na área. Sai dela, chama a
marcação, abre espaços, faz o pivô e dá bons passes. E insiste muito. Assim
como na quarta-feira, pela Libertadores, voltou a ser premiado com o gol que
clareou a conquista do Flamengo.

Incrível. Sensação única, não sei se explicar. Ver o Maracanã lotado, cheio de
rubro-negros é incrível. (…) A gente demonstrou mais uma vez que a vontade
pode mais que tudo. Estamos juntos e preparados fisicamente, mentalmente.
Demonstramos que, apesar do jogo intenso contra o Universidad Católica, não tem
cansaço. Corremos, criamos chances e fomos premiados no final – disse o camisa
9.
A
temporada 2017 já trazia um Guerrero diferente antes mesmo da final. Mais
sorridente nos treinos, mais falante após os jogos. Foram raras as vezes que
fugiu de microfones e entrevistas depois de partidas. Conseguiu se adaptar de
vez ao calor carioca, algo que o próprio atacante confessou que o atrapalhou de
início. Se encaixou melhor na filosofia do técnico Zé Ricardo. Uma conversa com
o comandante, no ano passado, foi um divisor de águas para o artilheiro.
Conversa número 1 com Zé: ”A equipe
contava com ele”

atrás, depois da Copa América de 2016, Zé Ricardo deixou claro que o sucesso de
sua equipe passaria pelo sucesso de seu atacante.. Passou a confiança que
talvez, naquele momento, estivesse faltando. O técnico prometeu uma equipe
jogando sempre para a frente, e contava com Guerrero para a fórmula conseguir
sucesso.

Quando ele voltou da seleção, deixei bem claro que tudo que eu pensava sobre a
equipe a partir daquele momento passava por ele. E que a gente precisava contar
com ele – disse Zé Ricardo.
Conversa número 2: hora do protagonismo
Perder
Diego não estava nos planos do Flamengo neste primeiro semestre. A lesão e a
cirurgia no joelho vieram há quase um mês e tiraram a referência do time em um
período chave: decisão de Estadual e a disputa para avançar na Libertadores.
Era o momento de enfim se tornar o protagonista. Uma nova conversa com Zé
Ricardo reforçou a importância de Guerrero ser mais do que nunca ”o cara”. E
ele foi.
– A
conversa foi exatamente essa. Com a ausência do Diego, que ele pudesse
realmente chamar a responsabilidade. E ele entendeu perfeitamente o que
queríamos e vem fazendo isso com muita sabedoria. E foi merecidamente
compensando com gol na final. Tanto quanto qualquer flamenguista, ele merecia
um título pelo clube. Grandes atletas e o Flamengo combinam. E ele tinha que
marcar história aqui no clube – disse Zé.
Mais
protagonista, mais solto, mais brigador, mais goleador e finalmente campeão. Ao
mesmo tempo, um Guerrero mais calmo, deixando para trás os cartões bobos e as brigas
que em outros momentos o prejudicaram – e ao clube. A versão 2017 do camisa 9
jé a melhor vista no Flamengo. O gol na final e o título agora estreitam ainda
mais a relação do atacante com o clube.

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