Guerrero e Zé se destacam em um mês sem Diego no Flamengo.

15
Foto: André Durão / GloboEsporte.com

GLOBO
ESPORTE
: Não, esta matéria não será pautada na frieza dos números. Estes
atestam que o Flamengo foi melhor sem Diego do que com seu principal jogador em
2017: o aproveitamento com ele em campo é de 69,2% – 27 pontos em 39 possíveis
-, sutilmente inferior ao quando não atuou (72,2% – 13 pontos de 18
disputados). E obviamente o camisa 35 faz muita falta. Mas no período de
ausência, que completa um mês nesta sexta, Zé Ricardo e seus comandados
provaram: é possível ter sucesso sem o meia. Guerrero assumiu a bronca, e o
técnico mostrou versatilidade.

Flamengo sem Diego
Jogos: 6 (5 decisivos e 1
com o time reserva)
Vitórias: 4
Empates: 1
Derrotas: 1
Aproveitamento:
72,2%
Saldo de gols: 4 (9
a 5)
Diego,
que torceu o joelho direito na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-PR, ainda não
está próximo do retorno. São mínimas as chances de enfrentar o San Lorenzo, na
próxima quarta-feira, em Buenos Aires. A partida encerra a participação
rubro-negra no Grupo 4 da Libertadores e definirá se o time avança ou não às
oitavas de final. Do duelo deste sábado, contra o Atlético-MG, ele está fora.
Guerrero: armador e artilheiro
Nos
seis jogos posteriores à lesão de Diego, Guerrero, que já fazia um grande
início de temporada, cresceu ainda mais e assumiu, sem sustos, a
responsabilidade de comandar o time em campo. Com um poder de concentração e
força impressionantes para segurar a bola, fez a função de meia por diversas
vezes e se garantiu no que lhe cobram: marcou quatro gols em cinco partidas –
não enfrentou o Atlético-GO -, todos decisivos.
Contra
o Botafogo, fez os dois gols (2×1). Diante do Fluminense, na primeira partida
da final (1×0), mesmo muito cansado no segundo tempo, teve grande atuação.
Irritou muito a zaga adversária, tamanha a facilidade que tinha para ganhar
disputas aéreas com os tricolores. Novamente em alto nível e também desgastado,
decidiu contra a Universidad Católica com o segundo gol da vitória por 3 a 1.
Na finalíssima diante do Flu, o gol do título seria seu caso Rodinei não
decretasse a virada aos 50 minutos da etapa final.
Não
bastasse o bom momento em campo, Guerrero deu declarações que o deixaram ainda
mais em lua de mel com a torcida rubro-negra, principalmente após a conquista
do título. Provocou o ex-vascaíno Rodrigo, dizendo que ele “assistiria
televisão” e o mandou um irônico beijo. Na festa do Carioca, disse que é
preciso “ter colhão” para jogar no Flamengo.
Zé Ricardo mostra poder de improviso
No
primeiro jogo sem Diego, na vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo, Zé Ricardo
levou três volantes a campo: Márcio Araújo, Willian Arão e Rômulo. Parecia uma
retranca para garantir o empate – que servia ao Flamengo -, mas não foi. O
Rubro-Negro foi melhor, marcou a saída de bola rival, e os volantes, sobretudo
Arão, encostavam no ataque para não deixar Guerrero isolado. Na última
segunda-feira, o camisa 5 contou que esta foi uma das orientações de Zé.
– O
professor Zé Ricardo conversou comigo e com o Rômulo, com o Mancuello, para que
aproximássemos do Guerrero, para ele não ficar sozinho. Sem o Diego, a
tendência é que ele ficasse sozinho no ataque. Acho que conseguimos dar o
suporte necessário. Não sei se apareci mais no ataque ou não, mas foi um pedido
para que não deixássemos ele sozinho – disse Arão.
Na
primeira partida da decisão estadual, mostrou que aprendeu com a surpresa
imposta por Abel na final da Taça Guanabara, quando a velocidade foi o ponto
forte do Fluminense no empate por 3 a 3. Colocou Everton, outro jogador
fundamental no período sem Diego, e Berrío para segurarem os avanços de
Richarlison e Wellington Silva. Deu certo, e o placar de 1 a 0 ficou barato
para o Tricolor.
Contra
a Universidad Católica, o grande coelho foi tirado da cartola de Zé. Já havia
se dado bem quando usou Trauco avançado no 2 a 1 sobre o Atlético-PR. Na
ocasião, sem o então lesionado Everton, o peruano virou meia-atacante e se
entendeu muito bem com Guerrero.
Diante
dos chilenos, fez algo parecido, mas pelo outro lado. Tirou Mancuello, que
realizara um primeiro tempo muito ruim, e colocou Rodinei na ponta direita. O
Flamengo avançou com tudo, conseguiu o primeiro gol com o lateral improvisado,
venceu e assumiu a ponta. Terminou o jogo com quatro laterais em campo – Renê
substituiu Gabriel, e Trauco avançou outra vez.
Viu
Rodinei como o ideal para fazer o que Berrío faz, por conta da velocidade e bom
poder de finalização. Apostou e deu-se bem. Renê foi intransponível na marcação
e impediu subidas perigosas dos chilenos, que haviam empatado o jogo justamente
pelo lado esquerdo.
Na
finalíssima, voltou a usar Renê como marcador, liberando Trauco. O primeiro
jogou muito bem, o outro não. Com Berrío mal, apostou em Gabriel pelo meio e
Rodinei novamente como ponta. Triunfou de novo e tornou-se campeão.
Everton e Márcio Araújo muito bem
Se a
zaga foi bem com Réver e Rafael Vaz, Everton, no sacrifício, e Márcio Araújo,
combativo ao extremo, mereceram destaque especial. Everton é imprescindível a
esse time, e a ausência dele sempre é sentida. Não foi brilhante na finalíssima
e contra a Católica, partidas nas quais mostrou sua eficiência tática. Teve
papel decisivo na semifinal e no primeiro jogo da decisão estadual.
Gol do
Flamengo! Éverton recupera bola na área e abre o placar, aos 33′ do 1º tempo
Márcio
Araújo teve seu nome cantado a plenos pulmões nos jogos com Fluminense e
Universidad Católica. Merecido. Marcou muito e mostrou poder de concentração
para evitar os frequentes erros de passe que fizeram a torcida o perseguir em
outros momentos. Tem vida tranquila agora com a arquibancada.

COMENTÁRIOS: